NOTÍCIA | PALESTRA SOBRE TRADUÇÃO EM SÃO PAULO

Lica Hashimoto. Foto: USP.
Lica Hashimoto. Foto: USP.

Nessa sexta-feira (29), a partir das 14 horas, Lica Hashimoto, a tradutora de Haruki Murakami,   fala na palestra  Tradutor como pesquisador: referências intertextuais como uma ferramenta de tradução, que acontece na Faculdade Messiânica. A palestra divulgará os trabalhos dos  grupos de estudos interinstitucionais “Abordagens em Estudos de Artes, História, Linguística e Literatura Japonesa: tradução autóctone e tradição oriental” , vinculados ao Conselho Nacional de Pesquisa Científica (CNPq)  e sediados na Universidade Estadual Paulista (UNESP), Universidade de São Paulo e Faculdade Messiânica. 

 Para a tradutora,  traduzir uma obra literária deve sensibilizar o tradutor para  a  importância criar um diálogo entre várias disciplinas científicas. Isso é necessário para viabilizar a transferência cultural sem perder a experiência da alteridade. Através de exemplos selecionados em obras traduzidas, a professora Lica pretende-se colocar em foco a difícil aproximação entre o que se desenvolve no plano dos estudos teóricos da tradução e o que se considera ilícito nas esferas editorial e empresarial. 

Lica Hashimoto possui várias publicações na área de língua japonesa. Já ter traduzido 13 livros de literatura japonesa, entre elas  traduções foram: O livro do travesseiro, de Sei Shonangon e 1084 Livro I 1084 Livro II, de Haruki Murakami.

Data: 29 de novembro (sexta-feira),  das 14h às 16h30

Local: Auditório da FMO – Rua Morgado de Mateus, 77 – Vila Mariana – Informações e inscrições: tel. (11) 5081-5888.

http://www.faculdademessianica.edu.br

NOTÍCIA | BOLSAS PARA TRABALHAR NO JAPÃO

 

Província de Shiga. Foto: Carlos Honda. http://www.flickr.com/photos/carlos_honda/show/
Província de Shiga. Foto: Carlos Honda.
http://www.flickr.com/photos/carlos_honda/show/

Você tem fluência na língua japonesa e quer trabalhar no Japão ? Através do  JET Programme, o governo japonês distribui bolsas para quem quer trabalhar em repartições públicas regionais japonesas. As inscrições vão até 7 de janeiro de 2014 no o Consulado Geral do Japão, em São Paulo (para os estados de SP, MT, MS e Triângulo Mineiro. Para outras regiões, consulte a jurisdição aqui). 

Os aprovados trabalharão como Coordenadores de Relações Internacionais (CIR), e devem divulgar a cultura brasileira em palestras e eventos, traduções e interpretações e assistência aos estrangeiros residentes no Japão, entre outras tarefas. A remuneração é em torno de R$ 6 mil por mês,  e o contrato é de 1 ano, renovável por até 5, dependendo do órgão contratante.

Os candidatos à seleção devem ser brasileiros,  formação universitária e fluência na língua japonesa. A lista completa pode ser conferida no link. No ano de 2014, os órgãos contratantes são o Governo da Província de Mie, Governo da Província de Shiga e Prefeitura da Cidade de Hikone (Shiga). Para os interessados, o Consulado realizará palestra sobre o JET Programme no dia 3 de dezembro em São Paulo.

SERVIÇO

Inscrições para o JET Programme

Data: de 21/11/2013 a 07/01/2014

Local: Consulado Geral do Japão 
Seção Cultural – JET Programme
Av. Paulista, 854   3º andar
CEP:01310-913   São Paulo  –  SP

 

NOTÍCIA | O CINEMA DE OZU EM CURITIBA

Foto de "Pai e filha". Divulgação.
Foto de “Pai e filha”. Divulgação.

Em parceria com o Consulado Geral do Japão em Curitiba e com a Fundação Japão, até sábado (30), em horários variados, o Paço da Liberdade,  exibe  uma breve mostra de filmes do cineasta Yasujiro Ozu . O cineasta produziu  mais de cinquenta filmes, entre eles,  Era uma vez em Tóquio (Tokio monogatari),  de 1953. Fez vários filmes mudos e  foi relutante em entrar no cinema sonoro, como demorou muito para começar a rodar filmes em cores. Seu primeiro longa-metragem com som foi rodado em 1936 (Filho Único) e seu primeiro filme em cores data de 1958 (“Flores do Equinócio”).

27 /11, 19 h – Filho Único (Hitori Musuko) – 1938, PB, 84 min, 16mm
Sinopse: Primeiro filme falado de Ozu. Uma mãe solteira, operária numa fábrica, sofre para poder criar o filho. Anos mais tarde, este já adulto, se muda para Tóquio para cursar medicina. Após ter se formado, sua mãe resolve ir visitá-lo, esperando encontrar um médico de sucesso, mas encontra um filho desempregado, casado e morando nos subúrbios.

28/11, 20 h – Pai e Filha (Banshu) – 1949, PB, 108 min, 16mm
Sinopse: Somiya é um velho professor viúvo que pensa em casar sua jovem filha Noriko que, de acordo com a sociedade, está na idade de casar. Mas Noriko não quer casar para poder ficar cuidando do pai. Somiya então finge estar se casando novamente para que a filha não sinta-se culpada em se casar.

29/11, 19 h – Fim de Verão (Kohayagawa-ke no Aki) – 1, COR, 103 min, 16mm
Sinopse: Seguimos o curso dos últimos dias de outono da família Kohayagawa. Várias histórias paralelas, como as brincadeiras dos netos e uma nora que deseja recasar, mas o foco principal é no patriarca Banpei, que secretamente mata serviço no seu modesto negócio familiar para visitar sua família alternativa, composta de uma ex-amante e sua filha altamente materialista.

30/11. 16h – A Rotina tem seu Encanto (Samma no Aji) – 1962,  COR, 113 min, 16mm
Sinopse: O viúvo Shuhei Hirayama leva uma vida tranqüila graças a seus filhos Kazuo e Michiko. Durante uma festa com seus antigos colegas e seu professor Sakuma, descobre que a filha deste se tornou amarga e triste por nunca ter se casado para poder ficar tomando conta do pai. Isso leva Shuhei a pensar sobre sua própria filha, que já está com 24 anos, e começa a arquitetar um plano para casá-la.

O Sesc Paço da Liberdade fica na  Praça Generoso Marques, 189, Curitiba – e-mailpacodaliberdade@sescpr.com.br – telefone (41) 3234-4200.

NOTÍCIA | OBRAS SOBRE JAPÃO RECEBEM PRÊMIOS

Foto: divulgação.
Foto: divulgação.

O antropólogo Alexandre Kishimoto e a atriz Fernanda Fuchs acabam de receber prêmios por seus trabalhos. O livro Cinema japonês na Liberdade, de Kishimoto, foi premiado pela Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social (Bunkyo), entidade com sede na cidade de São Paulo, com o Prêmio Literário Nikkei 2013. A cerimônia de premiação aconteceu no último dia 16, no Bunkyo.

Publicado pela Estação Liberdade, o livro de  Kishimoto  retraça a trajetória do circuito de cinemas do bairro nipônico paulistano a partir do pós-Segunda Guerra Mundial. A obra mereceu o Prêmio Especial, pela contribuição à preservação da memória histórica desta importante atividade cultural que, ao longo de décadas, vigorou na maior comunidade japonesa fora do Japão, atraindo imigrantes japoneses, nikkeis e toda uma geração de cinéfilos e cineastas brasileiros, como Carlos Reichenbach, Walter Hugo Khoury, Roberto Santos e João Batista de Andrade.

Fernanda

Por sua intepretação em Corrente Fria, Corrente Quente, Fernanda Fuchs ganhou o prêmio de melhor atriz no 4º Festival de Teatro de Paranaguá. O monólogo também recebeu o prêmio de 2º lugar como melhor espetáculo e seus diretores, Hermison Nogueira e Franco Fuchs, indicados na categoria melhor direção. Participaram do festival 14 grupos, que se apresentaram no Teatro Municipal Profª Rachel Pereira da Costa, de 18 a 23 de novembro. 

Corrente Fria Corrente Quente estreou no início do ano e já foi apresentada com sucesso em vários outros festivais como o 14º Satyrianas, em São Paulo, o Festival de Curitiba e os festivais Seto e Hana Matsuri, na capital paranaense. Escrito por Fernanda Fuchs, o texto da peça também recebeu um prêmio do Bunkyo, em São Paulo.

 

29 LITERATURA | YOURCENAR ANALISA A MORTE DE MISHIMA

Imagem da capa: divulgação.
Imagem da capa: divulgação.

Uma escritora belga, um escritor japonês. Entre eles,  um ritual de suicídio executado com requinte na era contemporânea. Como tantos outros leitores pelo mundo, Marguerite Yourcenar (1903-1987) era fascinada por Yukio Mishima. No ensaio Mishima ou A visão do vazio (Estação Liberdade, tradução de Mauro Pinheiro), ela  busca desvendar as motivações da morte planejada do autor de Cores proibidas. 

O seppuku (ou haraquiri – em japonês, cortar o ventre) de Mishima é um dos fatos mais indecifráveis de sua biografia para os ocidentais. Mesmo para os japoneses modernos, a mentalidade de lealdade ao imperador causa espanto. No dia 24 de novembro de 1970,  aos 45 anos,  realizou o ritual de estripação. O ato, sensacionalista para os ocidentais, era considerado um “privilégio” para os samurais, personagens históricos admirados pelo escritor. A prática, iniciada no período Heian (século X) , visava mostrar a pureza de alma da vítima, que segundo as crenças japonesas, se localizava no estômago. A cabeça do suicidado era cortada por um amigo, logo após o ritual.

Yourcenar   associa o gesto fatal de Mishima à noção de “vazio” da filosofia ocidental. Especula que o “vazio” de Mishima estaria relacionado com  uma avó aristocrática. Neta de um daimiô aparentado a uma das mais poderosas dinastias do Japão medievla, os Tokugawa. A ascendência nobre projetava nela uma  personalidade doentia,  e foi responsável pela formação do neto de forma opressiva. Confinou a criança em seus aposentos, numa vida de luxo, doença e devaneio, onde o menino era vestido de garotinha. Mishima explicita :  “aos oito anos, eu  tinha uma namorada de sessenta anos.”

 Para entender o “vazio”, a escritora analisa meticulosamente cada uma das obras de Mishima: a angústia e a atonia juvenis retratadas em Confissões de uma máscara; a tetralogia Mar da Fertilidade, espécie de “testamento literário” do autor; a decepção de Mishima ao ver o Prêmio Nobel que esperava ganhar ir para o mestre e amigo Yasunari Kawabata (que também morrerá, depois de receber o Nobel, por suicídio); os anos perturbados que o levaram a “reforjar” seu corpo; e, em segundo plano, a política, a ação e a obsessão com a morte.

Porém as análises de Yourcenar tem mais implicações com a filosofia ocidental do que com a visão de mundo japonesa. A escritora  ignora quaisquer conceitos da filosofia ou arte japonesa , como o tatemae (realidade exterior) ou honne  (realidade interior), e sobre  a ideologia confuciana do devido lugar. Na análise das obras de Mishima, destaca a relação com o Ocidente. De fato, Mishima foi influenciado por autores ocidentais, particularmente os franceses, como Jean Cocteau. Porém, conhecer um pouco mais da história, arte e literatura japonesa teria ajudado a escritora a compreender melhor o sentimento de lealdade ao imperador que desencadeou seu suicídio.

Marguerite Yourcenar nasceu em 1903, em Bruxelas, de pai francês e mãe belga. Cresceu na França, mas foi principalmente em outros países que ela viveu : Itália, Suíça, Grécia, e instalando-se depois na ilha de Mount Desert, na costa noroeste dos Estados Unidos, até sua morte, em 1987. Foi eleita para a Academia Francesa em 1980. Sua obra compreende, entre outros, o romance histórico Memórias de Adriano (edição original: 1951/última edição brasileira: 2005), que lhe rendeu reputação mundial, além de Contos orientais (1963), Tempo, esse grande escultor (1983) e A obra em negro (1968), que lhe rendeu por unanimidade o Prix Femina naquele ano.

TRECHOS

Tendemos todos a levar em conta não somente o escritor que, por definição, se exprime em seus livros, mas também o indivíduo, sempre forçosamente dispersos, contraditório e inconstante, oculto aqui e visível acolá e, finalmente, talvez acima de tudo, o personagem, essa sombra ou esse reflexo que às vezes o próprio indivíduo (é o caso de Mishima) contribui a projetar, como defesa ou bravata, mas que aquém ou além do qual o home real viveu e morreu dentro desse segredo impenetrável que é o de toda vida. (pág. 10).

 O menino que se afasta de uma bela ilustração de seu livro de imagens porque sua criada lhe explicou que se tratava não de um cavaleiro, como ele acreditava, mas de uma mulher chamada Joana d’Arc, experimenta esse fato como uma enganação que o ofende em sua masculinidade pueril: o interessante para nós é que Joana tenha lhe inspirado essa reação, e não uma das numerosas heroínas do kabuki disfarçadas de homem. [pg. 11]

 Esse homem que, dentro de duas horas, estará morto, e que, de qualquer maneira, se propõe a isso, demonstra, porém, um último desejo: falar às tropas, denunciar na sua presença o estado nefasto em que ele considera o país mergulhado. Esse escritor que constatou a perda do sabor das palavras acreditará mesmo que o discurso terá mais potência? Sem dúvida, ele quer multiplicar as ocasiões de exprimir publicamente as razões de sua morte, para que não se apliquem, mais tarde, a camuflá-las ou negá-las. [pg. 121]

 

 

29 KODOMO | INFANTO-JUVENIL EXPLORA ORIGAMI

Foto: Tereza Yamashita.
Foto: Tereza Yamashita.

Quadradinha de Papel e Fininho de Papel são os personagens principais de Mãos Mágicas (SESI-SP editora, 2013) , uma história para crianças  criada por Tereza Yamashita , resultado de  sua paixão pelo origami. Um dia Fininho some e Quadradinha descobre a mágica do origami. Entrelaçando várias histórias, incluindo a da menina Sadako, famosa por dobrar mil tsurus (garças) de papel , Mãos Mágicas é uma obra de amor à arte da dobradura japonesa.

Tereza é designer e escritora de livros infanto-juvenis  ( Troca de pele, edra, 2009) e conheceu o origami ainda criança. Com Luiz Bras  publicou os títulos Ganhei uma menina,Scipione, 2012; Bia Olhos AzuisTudo muda –  Todo Mundo – O mundo todo, Pinakotheke, 2010; Poção da Vida, LGE, 2009; A última guerra Editora Biruta, 2008; Nosso Gato Desbotado, Callis, 2006 . O origami foi apresentado pelo pai, que a ensinou a dobrar o primeiro tsuru. Para compartilhar seu fascínio pelas dobraduras e pela literatura infanto-juvenil, além de livros temáticos, Tereza mantém o blogue Abraços Dobrados.

As ilustrações foram feitas por Suppa, que além de ilustradora, também é escritora, com 8 livros publicados (O Nariz de Anaiz, Elvira uma Vampira? Mesmo assim, Martin!  e outros ) , Suppa morou na França e se formou em história em quadrinhos pela Ecole d´Arts Applliqués Duperré.  Ilustrou mais de 100 publicações, chegando a trabalhar com Jacques Costeau, como colorista. Em 2007 ganhou um Prêmio Jabuti.

Veja o booktrailer do livro aqui.

29 ARTES | NOVOS DO JP E DO BR NO DESENHO

Desenho de Akira Umeda.
Desenho de Akira Umeda.

Abre neste sábado a (23) , das 15h às 18h, a mostra coletiva “No Limite da Linha” no Dconcept escritório de arte , em São Paulo. A exposição reúne  obras de Akira Umeda, Juliana Garcia, Takako Nakayama e Thais Beltrame. A visitação,  segue até o dia 23 de dezembro e tem como tema o desenho.
A produção de  Akira Umeda apresenta trabalhos da série “Projeto” (2009), realizados em marcador permanente sobre papel vegetal A2. Sua obra traz influências do surrealismo. Akira Umeda nasceu em São Paulo, em 1966. Vive e trabalha em São José dos Campos.  Participou das coletivas “Cartofilia em 30”, em 2012, no Estúdio My.s/Urban Artes, em São Paulo; “Entre Nous”, em 2011, no Dconcept Escritório de Arte, em São Paulo; “Sobre Peles e Flores”, em 2010, no SESC São José dos Campos, em São Paulo; 32º Salão de Arte de Ribeirão Preto – Contemporâneo (como selecionado), em 2007, no Museu de Arte de Ribeirão Preto (MARP), em São Paulo

Já Takako Nakayama, radicada no Brasil há 7 anos, mostra obras em que usa  a técnica Urushi (laca japonesa).  Takako Nakayama nasceu em Fukuoka, no Japão, em 1977. Vive e trabalha em São Paulo. Graduada em Artes pela Universidade de Osaka, cursou a escola Ishikawa Kenritsu Wajima Gijutsu Kenshuujo (2000-2002), em Wajima (Japão), depois de ter entrado em contato com Urushi . Participou da feira SPArte 2013, além realizar individuais na galeria Reneé Sasson, Pavilhão Japonês, Museu Florestal Octavio Vecchi, Clube Transatlântico e Casa da Cultura Carlos Diva, todos em São Paulo. Participou de coletivas no Museu Brasileiro da Escultura (MUBE), Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), Galeria Deco e Fundação Japão.

A coletiva também traz obras das paulistanas  Juliana Garcia e Thais Beltrame. O dconcept é um escritório de arte, de propriedade do Jean Pierre Isnard , criado em 2004 para incentivar artistas jovens a apresentar sua produção. Um diferencial do espaço é permitir que o público observe a arte como parte do seu cotidiano e não  como objeto de admiração.  Hoje o escritório é dirigido por Cecilia Isnard.

 

29 KINEMA | "TOKIORI" ESTREIA EM CIRCUITO COMERCIAL

Crédito: divulgação.A partir dessa sexta-feira (22), o documentário Tokiori  – As dobras do tempo, de Paulo Pastorello, estreia em circuito comercial no  Espaço Itaú de Cinema, em São Paulo.    A produção,  finalizada em 2011, já foi exibida  na capital paulistana no evento Travessias  em conflito e no Festival É tudo Verdade, em 2012. A partir de 04/12, também entrará no Espaço Itaú de Cinema, em Curitiba.

O filme  conta a história de cinco famílias de imigrantes japoneses que se instalaram na comunidade rural de Graminha, na cidade de Oscar Bessane, que fica a 500 quilômetros a Oeste de São Paulo. Em japonês, a palavra  Toki significa  tempo e a palavra Ori, do verbo Oru, dobrar. Graminha agrupa pequenos sítios tocados por famílias de origem japonesa . Yoshie Sato chegou no Brasil em 1929, aos nove anos de idade, acompanhada dos pais, quatro irmãs e o irmão mais velho. Depois da vida de colono numa fazenda de café na região da Mogiana, chegaram na Graminha por volta de 1936, onde ela e suas irmãs foram o pivô de uma série de casamentos que uniram, em laços de parentesco, as principais famílias japonesas fundadoras do bairro: os Yanai, Yoshimi, Funo e Okubo. Atualmente, a Graminha conta com pouco mais de vinte pessoas, e é difícil de encontrar alguém que não seja  parente próximo. Aos 90 anos, Yoshie é viúva e vive no sítio com a família do seu filho mais velho.Três gerações reunidas sob o mesmo teto.

Para tentar se aproximar dessa experiência de travessia, Tokiori se articula em torno de cinco viagens entre o Japão e o Brasil, realizadas entre 1927 e 1992. Essas idas e vindas, vivenciadas por um ou outro membro dessas famílias, acontecem em períodos específicos nos quais mudanças de ordem econômica e política nos dois países tiveram repercussões diretas sobre suas vidas, emaranhando cada vez mais suas referências identitárias.

Pastorello tem uma ligação sentimental muito forte como o  bairro rural da Graminha, onde passava as férias, em sua infância, na fazendo do avô espanhol. Com frequência eu cruzava essas famílias de origem japonesa nas festas e quermesses da cidade, misturados aos “não- japoneses” – gaijins do município – de origem italiana, espanhola, portuguesa e “brasileira mestiça” (nordestinos e mineiros, sobretudo), conta. Como lugar de memória dessas famílias de imigrantes japoneses, a história da Graminha é inerente à sua identidade mais profunda. Ao mesmo tempo em que elas estão “integradas” à vida cotidiana “brasileira” do município, elas não deixam de delimitar fronteiras móveis, fazendo com que terra natal e terra estrangeira se confundam, como se a Graminha não fosse nem no Brasil nem no Japão, e ambos ao mesmo tempo.

Pastorelo é arquiteto e mestre em Estudos Cinematográficos e Audiovisuais pela Universidade de Paris 3. Começou a carreira de documentarista com  Vale o Homem seus Pertences (52min), coprodução com a Sesc TV que foi ao ar em 2005. Em 2006 foi pesquisador e diretor de Elevado 3.5, e em 2010 , dirigiu o documentário Paisagens da Memória – Vila Nova Cachoeirinha (26min). Atualmente leciona cinema para os alunos do 5o (São Paulo) no quadro do projeto Le cinéma, centans de jeunesse coordenado pela Cinemateca Francesa.

Criada em 2006, a Primo Filmes é  produtora de filmes como  O Cheiro do Ralo ( Heitor Dhalia), Fabricando Tom Zé ( Décio Matos  Júnior)   a série No Estranho Planeta dos Seres Audiovisuais, criada por Cao Hamburger e exibida no  Canal Futura, Trago Comigo, (Tata Amaral) , entre outros. O filme está sendo distribuído pela Lumes Filmes, fundada no ano 2000 pelo cineasta Frederico Machado, responsáve pela distribuição de mais de 200 títulos no mercado brasileiro. Entre eles  David Lynch, Luis Buñuel, Yasujiro Ozu, , R.W. Fassbinder, Kenji Mizoguchi, Claude Chabrol, Akira Kurosawa, entre muitos outros que fazem parte deste que é o maior acervo de DVDs de filmes autorais do país.

O Espaço Itaú  de Cinema, em São Paulo fica no Shopping Frei Caneca  – 3º Piso – Rua Frei Caneca, 569 – Consolação. E em Curitiba, no Shopping Crystal,  Piso L1, na Rua Comendador Araújo, 731 – Batel.

29 GASTRONOMIA | CONHEÇA A HISTÓRIA DO INARIZUSHI

Foto: http://www.tinyurbankitchen.com/2009/08/inarizushi.html
Foto: http://www.tinyurbankitchen.com/2009/08/inarizushi.html

Inarizushi é uma espécie de sushi recheado com arroz avinagrado dentro de sacos de  tofu frito. Foi inventado em Tóquio, por um chefe em  1848, que  anunciou sua criação com o emblema do templo da deusa Inari . O tofu frito é a comida preferida das raposas, que segundo a tradição japonesa, são mensageiros da  Princesa Ugatama, a deusa japonesa do arroz.  Como conta a lenda, uma raposa macho branca e uma raposa fêmea marrom fizeram seus abrigos perto do primeiro templo dedicado á deusa Inari e foram considerados mensageiros da deusa do arroz. O nome “Inari” vem das palavras  “crescimento do arroz”, porque é dito que arroz crescia no estômago da Princesa Ugatama.

Esse primeiro templo dedicado à deusa Inari foi construído na cidade de Fushimi, em Kioto. Diz a lenda que no  início do século VIII,  um nobre teria lançado uma flecha em direção a um alvo: um pedaço de mochi (bolinho de arroz). O mochi  teria se transformado num cisne, que voou em direção ao Monte Inari, situado em Kioto. Esse fato teria motivado a construção de um templo xintoísta dedicado à divindade, considerada a protetora dos alimentos (ou da agricultura) e  venerada por agricultores

Hoje, em todos os templos de  Inari no  Japão, estátuas de raposas esperam pelas ordens da deusa do arroz. Com frequência, uma raposa carrega uma chave em sua língua. Esta é a chave para o depósito de arroz. A outra raposa carrega uma bola, que representa o espírito da deusa. Ou será um pedaço de inarizushi? Visitantes dos templos Inari frequentemente deixam os sushi para as estátuas das raposas.

RECEITA

Tome um pacote de abura aguê triangular. Corte ao meio. Cozinhar com um molho feito de hondashi, (1x), açúcar mascavo (3 colheres ) e uma colher de shoyu. Quando o sabor estiver penetrado no aguê, reservar. Cozinhar 1/2 cenoura em fatias fininhas no molho que sobrou do aguê. Mistar a cenoura no arroz (2-3 xícaras) Abrir o abura aguê (que é o tofu frito em fatias finas e que fica oco) e rechear com o arroz. Come-se com picles de gengibre adocicado.

A receita é de Maria Cristina Wiechmann Fukushima, autora do livro Uma receita …puxa outra (insight, 2010).

Gostou do Inarizushi com cara dos personagens Totoro e Doraemon da foto ? Veja como fazer aqui.

 

29 KOTOBA | A ROSA DE FUKUSHIMA

Um pequeno monumento para os foragidos de Fukushima em Namie. Foto: Damir Sagolj/Reuters
Um pequeno monumento para os foragidos de Fukushima em Namie. Foto: Damir Sagolj/Reuters

A cada dia são detectados novos casos de câncer de tireóide em crianças moradoras de Fukushima. Se a quantidade de  casos está  acima da média, é difícil comprovar. As notícias do  vazamento da água radioativa no Pacífico, em setembro e o anúncio  de que a descontaminação nuclear da região levará 4o anos desenham um cenário pessimista. Técnicos estimam que, em 40 anos, o governo japonês gastará dezenas de bilhões de dólares  para descontaminar a região.  Por precaução, todas as usinas nucleares japonesas foram desativadas, após o acidente.

Com  todos os riscos,   os governos de todos os países do mundo insistem que a energia nuclear é a mais apropriada para substituir os combustíveis fósseis. Isso levando em conta os custos econômicos, não os sociais. Mas por outro lado, a  manutenção do aparato  significa a possibilidade de deter a tecnologia da bomba atômica.

O Japão sobreviveu a duas bombas atômicas. Com o vazamento da radiotividade nas águas do Pacifico, a  sombra do cataclisma nuclear paira não apenas sobre o arquipélago como também sobre o planeta. O tsunami de 11 de março seria  o início do apocalipse ?  O cenário apocalíptico, em vez de trazer pânico e alarmismo, deveria causar uma reflexão em torno dos riscos da energia nuclear.

Se os combustíveis fósseis são um perigo para a saúde e para o meio ambiente devido à liberação de carbono na atmosfera, a energia nuclear traz uma parcela considerável de riscos. Restam o carvão, as hidroelétricas, e as alternativas limpas: o biodiesel, a energia solar e a  eólica.  Curiosamente, das energias  não poluentes  nem um governo  quer ouvir falar. Não é um cataclisma nuclear que pode exterminar a vida no planeta Terra e sim a miopia de oligopólios interessados em defender  seus interesses econômicos.

Porém, não resta muito tempo para nutrir o egoísmo corporativo. Fukushima aciona a bomba relógio para pensar nos interesses coletivos.

Marilia Kubota