28 KINEMA | MOSTRA DE CINEMA NIKKEI : OS ARTISTAS

Cena de "Tomie Ohtake".
Cena de “Tomie Ohtake”.

Na próxima quinta-feira (31), a MOSTRA DE CINEMA NIKKEI apresenta dois documentários sobre o trabalho de artistas nipo-brasileiros : Susana Yamanouchi e Tomie Ohtake. O vídeo À flor da pele, de Bettina Turner, é um documentário que aborda alguns aspectos da cultura nipo-brasileira contemporânea. São fragmentos, pinceladas, movimentos através dos quais os imigrantes e seus descendentes se expressam e revelam a síntese de seu hibridismo, de sua cultura, de sua alma. O eixo narrativo se desenvolve a partir dos espetáculos solo de Susana Yamauchi:“À Flor da Pele” e “A Face Oculta”. O vídeo mostra a participação da bailarina e coreógrafa no projeto Yugen, quando realizou  intervenção na instalação de Tomie Ohtake.

Bettina Turner é jornalista , fez  especialização na área de fotografia, vídeo e cinema na BBC Open University Production Centre At Milton Keynes, em Londres, em  1982 e “em Edinburgo, Escócia, em 1983. De 1984 a 1992  trabalhou na área editorial, em empresas jornalísticas e agências de publicidade. Desde 1993 é sócia-diretora da Turner Imagem e Comunicação, agência produtora que realiza peças comerciais, didáticas e culturais multimídia. Desde 2002 vem produzindo e dirigindo documentários na área de responsabilidade social. Filmes:  “Virgem Mãe de Nossos Dias” (1994), Lucia Azul” (2000), “À Flor da Pele” (2001/2002) , “Guardiões do Oceano” (2002), “Jovens e o seu Potencial Criativo na Resolução de Conflitos” (2011), Zilda Arns (2011/2012), Grupo de dança Juanita (2011 / 2013 ) ..

E para finalizar a mostra, um documentário sobre a grande dama das artes no Brasil, Tomie Ohtake, realizado por Cacá Vicalzi e Zezo Cintra. Tomie Ohtake é a edição de várias entrevistas e depoimentos da pintora , ados à tevênos últimos anos. Tomie fala muito pouco, mas como na sua pintura, a gestualidade revela a sua grandeza. O DVD reúne os documentários e registros de imagens de O Traço Essencial, Tomie por Haroldo de Campos, Tomi-es e Arcos.

HOJE (25),  a  MOSTRA DE CINEMA NIKKEI abre com a exibição de curtas contemporâneos. Veja a programação aqui. Os filmes serão exibidos no Cine Guarani, a partir das 20 horas, no Portão Cultural – Avenida República Argentina, 3430 – Portão.

 

28 KINEMA | MOSTRA DE CINEMA NIKKEI : DEKASSEGUIS

Cena de Ou est le soleil, de Claire-Sophie Dagnan. Foto: divulgação.
Cena de Ou est le soleil, de Claire-Sophie Dagnan. Foto: divulgação.

Na próxima quarta-feira (30), a MOSTRA DE CINEMA NIKKEI apresenta dois documentários sobre a vida dos descendentes de japoneses,   Permanência, de Hélio Ishii,  e Ou est Le soleil, de Claire Sophie Dagnan.  Permanência  volta o seu olhar para os brasileiros e filhos de brasileiros que estudam em solo japonês. Os entrevistados questionam a situação do dekassegui – o trabalhador sem vínculos , que na imigração ao Brasil veio trabalhar na lavoura, e na imigração ao Japão labuta na indústria.  Os  brasileiros que trabalham no Japão vivem num mundo à parte, seguindo  a cultura latino-americana. Já, os filhos, que frequentam escolas japonesas, passam a vivenciar a cultura japonesa, criando conflitos familiares e até, de comunicação.

Hélio Ishii é formado em Ciências Sociais pela USP e trabalhou como dekassegui no Japão, em 1991. Teve uma experiência marcante. Depois de sua volta, em 1994, começou a pensar em registrar em vídeo experiências como a sua, não a do “sucesso”, mas as mais conflituosas.   A partir de 2000 começou a pesquisar novos formatos e meios de distribuição e deu início ao projeto  “Narco Talk Show” para internet. O programa é uma sátira a indústria de celebridades e usa o formato de “Talk show” para  transformar personagens marginais em celebridade inconvenientes.

A partir de 2003 vem se dedicando a produção de obras cuja temática  tratam das migrações. Em 2004 lançou o documentário Cartas , sobre a experiência de mulheres brasileiras que emigraram ao Japão. Em novembro de 2006 lançou após uma temporada no Japão o documentário Permanência . Foi  curador da mostra  “Olhares Transversais” realizado pela Japan Foundation em novembro de 2006 reunindo documentários e ficções que tratassem dos cruzamentos culturais  preparando assima discussão no cinema para o centenário da imigração japonesa no Brasil. Em 2006 criou o Núcleo Virgulino para desenvolver e promover as atividades de um  grupo de artistas que trabalha de forma coletiva.

Ou est le soleil

Ou est le soleil – Onde está o sol, de Claire Sophie Dagnan, é um documetário que registra depoimentos de artistas e pesquisadores japoneses ou descendentes que moram em São Paulo. O artista visual  Dudu Tsuda, a bailarina Letícia Sekito, o ator  Henrique Kimura , entre  outros, questionam  as diferenças culturais, os modos de ver, de ser e reconhecer como plural o outro. Este filme reconta as trajetórias pessoais, em busca de um lugar na sociedade, de um lugar ao sol , deixando no ar a pergunta sobre a identidade de uma etnia que, depois de um longo tempo insularizada, passa a se tornar diaspórica.

Claire-Sophie Dagnan é formada em ciências sociais, e estudante em mestrado de relações internacionais na universidade Sciences Po em Paris. Após um ano trabalhando no Brasil entre o Rio de Janeiro e a região amazônica para a ONG PlaNet Finance, prepara um intercâmbio em antropologia com a universidade de Nova York. Trabalha sobre um projeto de curta-metragem relatando histórias de mulheres amazônicas.

A MOSTRA DE CINEMA NIKKEI está sendo exibida no Cinea Guarani, às 20 horas, no Portão Cultural – Avenida República Argentina, 3430.

28 KINEMA | MOSTRA DE CINEMA NIKKEI : POLÍTICA

Okuhara filma Hidaka. Foto: divulgação.
Okuhara filma Hidaka. Foto: divulgação.

Na terça-feira (29), a MOSTRA DE CINEMA NIKKEI,  a ser exibida no Cine Guarani, no Portão Cultural, em Curitiba, apresenta dois documentários sobre a segunda fase da  imigração japonesa ao Brasil.  Depois dos primeiros anos  trabalhando nas lavouras de café no interior de São Paulo e do Paraná, muitos arrecadaram um pé-de-meia e mudaram para centros urbanos maiores. Foi o caso da maioria dos que foram se instalar na capital paulista. O documentário “Gamabarê ou Liberdade”, de José Carlos Lage, mostra apresenta  a história do maior ponto de concentração da comunidade nipo-brasileira, o bairro da Liberdade, em São Paulo,  principal ponto de referência comercial e de costumes orientais para a comunidade japonesa no Brasil.

José Carlos Lage é formado em Publicidade e Propaganda, com pós-graduação em comunicação e marketing pela ESPM. Em 1992,  trabalhou em Nova York ,  realizando videoclipes para artistas como: George Michael, Natalie Cole e Tonny Benett. Produziu e dirigiu filmes publicitários para as principais agências de São Paulo: DPZ, Peraltastrawberryfrog, Ogilvy, Sunset Comunicação entre outras Dirigiu os documentários Paulista(2003)  e Um dia de lobo (2005)..

Yami no ichi nichi

Nessa segunda fase da imigração, com o propósito inicial de “preservar os costumes e cultura japonesa”, foram criadas muitas associações de nipo-brasileiros. Se algumas tiveram como objetivo apenas o entretenimento, outras tiveram viés mais político, como foi o caso da Shindo Renmei – a Liga do Caminho dos Súditos. A organização ultranacionalista defendia que os japoneses não havia perdido a guerra –  eram os kachigum, os vitoristas –  e atacavam os que defendiam tese contrária  dos makegumi, os derrotistas.

O documentário Yami no ichi nichi, o crime que abalou a colônia japonesa no Brasil, de Mario Jun Okuhara, traz a versão da história  de Tokuichi Hidaka, que, em 1946, aos 19 anos de idade, foi um dos autores do assassinato do coronel Jinsaku Wakiyama, líder dos “derrotistas” em São Paulo. Hidaka entregou-se à polícia com o restante do grupo e cumpriu 15 anos de prisão. Em liberdade, sofreu a punição da colônia japonesa: foi discriminado, condenado ao ostracismo, sem oportunidade para contar a sua versão. Décadas mais tarde, Hidaka inicia uma busca por amigos e pessoas desse período para reconstruir a memória da época e encontrar o sentido da sua vida no Brasil. Nesta nova versão do documentário, integrantes da família Wakiyama falam do papel exercido por Jinsaku na comunidade nipo-brasileira paulista dos anos 1940 e expõem seu ponto de vista sobre os fatos.

Desdobramentos

O documentário de Okuhara ganha relevância, pois graças a ele, foram ouvidos depoimentos de nipo-brasileiros presos na Ilha de Anchieta, para onde foram levados os envolvidos com a Shindo Renmei. Os presos relataram casos de tortura e violação de direitos humanos.  A presidente da Comissão Nacional da Verdade, Rosa Cardoso, pediu desculpas pelo tratamento racista e detenção de vários membros da comunidade durante a segunda guerra , abrindo caminho para uma retratação pública oficial .

Não houve só presos por crimes,  também foram fichadas no Dops (Departamento de Ordem Pública e Social) e presas pessoas que apenas guardavam livros escritos em japonês, em casa, e agricultores foram expropriados de suas terras, no área costeira brasileira, acusados de ser espiões dos japoneses O governo também fechou escolas, proibiu jornais em língua japonesa e também qualquer tipo de reunião pública na comunidade.

O pedido de desculpas será encaminhado no relatório final da Comissão da Verdade ao governo brasileiro. Os imigrantes japoneses sofreram com os preconceitos desde que chegaram ao Brasil, em 1908. As restrições foram aumentando até culminar no verdadeiro estado de sítio imposto pelo Governo Vargas. Para  Okuhara, as desculpas da CNV são um marco histórico, o início do reconhecimento da violência sofrida pelos japoneses no Brasil.

28 KINEMA | MOSTRA DE CINEMA NIKKEI : YPÊ NAKASHIMA

Cena do filme Ypê Nakashima.
Cartazete do filme Ypê Nakashima.

Nos anos 70, o imigrante japonês  Ypê Nakashima fez o primeiro longa metragem  colorido em animação do Brasil.  Piconzé  é um filme com 80 minutos desenhados à mão livre, quadro a quadro rascunhados, traçados, refeitos e pintados.  O processo artesanal do filme, que contou com uma equipe de produção não-profissional, chamou a atenção dos pesquisadores para a persistência de Nakashima.

O animador nasceu em 5 de junho de 1926, na província de Oita, na extremidade sul do arquipélago japonês. Quando tinha 17 anos, entrou na Escola de Belas Artes de Kyoto. Aos 19, foi forçado a interromper os estudos, convocado a prestar serviços na guerra. Foi designado a servir em Nagassaki. Terminada a guerra, voltou aos estudos. Trabalhou para  jornais  Mainichi Shimbum; Assahi Shimbum; Yomiuri Shimbum, fazendo charges, tiras, e ilustrações.Viveu cerca de dez anos em Kyoto.

Em 1956,  já casado e com o filho Itsuo,  embarca para o Brasil. Em São Paulo, Ypê se inteirou  com a colônia japonesa. Prestou serviços para Nippak Shimbum, São Paulo Shimbum, Cooperativa Agrícola de Cotia. Começou a pesquisar cinema de animação, associando-o à fascinação pelas lendas e folclore brasileiros. Criou o personagem Papa-Papo, um papagaio, com o qual fez inúmeros curtas-metragens, nunca exibidos em qualquer circuito.

Em 1966, faz contato com o Japão para começar a  produção de um longa metragem, que finalizou em 6 anos. Piconzé estreou em 1972 e recebeu o prêmio Coruja de Ouro do Instituto Nacional do Cinema (INC). Em 6 de abril de 1974, Ypê Nakashim morreu, com 47 anos de idade. Em  25 de maio de 1975, Ypê Nakashima recebeu postumamente, o prêmio – GOVERNADOR DO ESTADO – entregue a seu filho Itsuo,  no Palácio dos Campos Elíseos.

PICONZÉ e DOCUMENTÁRIO

Piconzé  foi filmado em negativo colorido, 35 mm, acumulou 25 mil acetatos, igual quantidade de animação e intervalação, 300 cenários.  O personagem-titulo  vive na pacata vila do Vale Verde, com seu amigos   Louro Papo, Chico Leitão. Gustavo Bigodão e seu bando passaram a roubar Vale Verde. Num assalto, Bigodão rapta Maria Esmeralda, a namorada do Piconzé. Piconzé e sua turma partem para salvá-la. Depois de muitas aventuras,  encontram um ermitão que ensina Piconzé  a lutar para enfrentar o Bigodão. Piconzé consegue salvar Maria Esmeralda. No fim,  a paz e tranqüilidade voltam a Vila Verde.

Itsuo Nakashima vivia contando as histórias de seu pai para família e amigos. Um dia, contou para o cineasta Hélio Ishii e este resolveu fazer um filme sobre o animador, com o título de seu personagem. Em 2007, o cineasta  lançou  o documentário Ypê Nakashima, baseado no depoimento de  Itsuo   e da  netas Larissa e Lorena, que nunca  tendo tido contato com o avô.  O testemunho de Itsuo divulga para um público  mais amplo passagens curiosas da vida de Ypê Nakashima. Apesar de ter combatido na Segunda Guerra mundial,  na artilharia antiaérea em Nagasaki,  o animador parece não ter sido abalado por  traumas.m tinha um  espírito alegre e descontraído.

A MOSTRA DE CINEMA NIKKEI apresenta os filmes Piconzé e Ypê Nakahsima no domingo (29) , no Cine Guarani, no Portão Cultural  – Avenida República Argentina, 3430.

28 KINEMA | MOSTRA DE CINEMA NIKKEI: HIKOMA UDIHARA

Hikoma Udihara. Foto: divulgação.
Hikoma Udihara. Foto: divulgação.

O primeiro cineasta do Norte do Paraná foi um  imigrante japonês Hikoma Udihara. Amador e intuitivo, apaixonado por fotografia e filmagens, fotografava e gravava tudo o que via: as visitas de conterrâneos a Londrina, visitas de políticos, autoridades, personalidades e dirigentes, inaugurações de lojas. Gravou mais de 100 filmes em preto e branco e mudos, em 16 mm.

De acordo com o pesquisador de sua obra, Caio Cesaro, sua primeira câmera foi comprada em 1927, em São Paulo.   Mostrava seus filmes em clubes, festas, encontros e, em algumas ocasiões comemorativas, marcava reuniões com os moradores dos lugarejos, vilas e cidades para que vissem as imagens. Os filmes eram projetados em paredes ou em lençóis esticados. Só parou de gravar em 1969, quando sofreu um derrame cerebral e ficou paralítico. Faleceu em São Paulo, em 1972, pouco antes de completar 90 anos Suas gravações, hoje, são consideradas documentários da colonização e  desenvolvimento do norte do Paraná, especialmente de Londrina.

Hikoma Udihara nasceu em  Kami-Yakawa,  província de Kochi, no Japão, em 1882. Chegou ao Brasil em 1910, indo trabalhar nas lavouras de café  no interior de São Paulo.   Depois de dois anos,  mudou para a capital. No início dos anos 20, Udihara começou outra atividade: corretagem de terras em novas fronteiras agrícolas no noroeste de  São Paulo e no norte do Paraná. Devido a sua facilidade em falar português, foi contratado pela Companhia de Terras do Norte do Paraná para essa função.

De janeiro de 1930 a 4 de março de 1955, quando se desligou da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná (sucessora da CTNP), fundou 31 núcleos de colonização japonesa no norte do Paraná. Em junho de 1956, pouco depois de se desligar da CTNP/CMNP, publicou História da minha vida e de minhas atividades no Japão e Brasil, uma brochura autobiográfica.

Um episódio resgatado por Caio Cesaro revela a importância histórica de seus registros fílmicos. A colônia japonesa produzia hortaliças, frutas e grãos (café, arroz, milho e feijão), mas tinha dificuldades de comercializar o excedente da produção. E esses japoneses não tinham para onde mandar a produção, não havia estrada para lugar nenhum. Nem para Curitiba, nem para São Paulo. Os potenciais compradores – os grandes mercados consumidores – ficavam muito distantes. As estradas eram precárias, sem qualquer tipo de pavimentação. O transporte rodoviário era uma aventura cara, demorada e incerta Udihara resolveu filmar a situação e com o material em mãos viajou para Curitiba para mostrar às autoridades. Como o filme era mudo,  ficou toda apresentação ao lado das imagens narrando. A ação surtiu efeito e estradas foram construídas. Muito se afirma que o desenvolvimento da região tem a influencia desse fato, ele continuou a realizar essa tarefa de denunciar problemas ao mesmo tempo em que fazia propagandas publicitárias para a venda de terras, ele afirmava que era necessário para custear os caros equipamentos e materiais de filmagem.

Udihara sensibilizou e revelou 128 rolos de pelìculas fílmicas. Todos os filmes são silenciosos, sem banda sonora. As imagens foram tomadas à velocidade de 18 quadros por segundo. O tempo de duração de cada filme é relativamente curto, os mais longos atingem entre 13 e 14 minutos de imagens em movimento, ou seja, a capacidade média de um rolo de película fílmica para o formato 16mm à época. Ao todo, os filmes somavam cerca de 10 (dez) horas de imagens.

Em 1979,  seu filho Issao Udihara, doou o acervo do pai ao Museu Histórico de Londrina Padre Carlos Weiss. Em 1983 a UEL encaminhou o acervo para recuperação à Cinemateca Brasileira, em São Paulo.

A MOSTRA DE CINEMA NIKKEI exibe os documentários de Hikoma Udihara recuperados pela Cinemateca Brasileira no próximo sábado (26), no Cine Guarani, no Portão Cultural – Avenida República Argentina, 3430 – Portão – Curitiba – PR.

28 KINEMA | MOSTRA DE CINEMA NIKKEI: CURTAS CONTEMPORÂNEOS

Cena de "O samurai de Curitiba".
Cena de O samurai de Curitiba.

Na próxima sexta-feira (25), a MOSTRA DE CINEMA NIKKEI, promovida pelo MEMAI com o apoio do Consulado Geral do Japão em Curitiba e Fundação Cultural de Curitiba abre com uma sessão de curta-metragens dos cineastas Olga Futemma, Rodrigo Grota, Roberval Machado e Edson Takeuti.

De Olga Futemma, a mostra apresenta Retrato de Hideko e Chá verde e arroz. Retrato de Hideko trata do mito da boneca perdida típica à mulher do dia-a-dia, quatro gerações da mulher japonesa: a luta pela sobrevivência, o culto às tradições, a adaptação à cidade e a diluição cultural. Chá verde e arroz tem como tema o cinema ambulante japonês nas comunidades do interior paulista, no final da década de 50. Ex-benshi (narrador de filmes japoneses) e seu assistente visitam uma pequena cidade e promovem uma sessão. Tudo é acompanhado por Jo, um garoto que adora cinema.

De  Rodrigo Grota, serão exibidos Haruo Ohara e Satori Uso.  O primeiro é uma biografia lírica do Biografia do fotógrafo japonês radicado em Londrina, Haruo Ohara (1909-1999). O diretor remonta algumas cenas de fotografias que se tornaram famosas na obra de Haruo, como a do lavrador empunhando a enxada para o céu e a da menina saltando de sombrinha. Já Satori Uso simula, em ambientação de filme noir, um documentário sobre um poeta que nunca existiu apresentado por um cineasta imaginário: Jim Kleist. Inspirado na obra poética de Rodrigo Garcia Lopes (autor dos haicais).

De José Roberval Machado, o documentário O samurai de Curitiba, sobre o roteirista e desenhista Claudio Seto, com enfoque na sua produção de histórias em quadrinhos publicadas nas editoras Edrel e Grafipar entre os anos 60 e 80. Seto dedicou-se a diversos estilos de histórias, como de samurais, de terror, policiais e eróticas. Além dos enredos, foi um dos pioneiros do estilo mangá no Brasil, através da revista O Samurai, publicada na década de 60 pela Edrel. O filme também aborda a questão da censura, já que a publicação dos quadrinhos ocorria durante o governo militar e a maioria das histórias possuía teor erótico.

O Gralha  – O ovo ou a galinha, de Edson Takeuti (Tako-x)  presta homenagem aos super-heróis americanos, de forma irreverente  e com cor local.  Mais uma aventura do super-heroi curitibano em luta eterna contra seu inimigo mortal, O Craniano. O filme foi feito em 2002, depois de Tako-x participar de um curso com Tizuka Yamasaki. Ele escreveu e dirigiu um “live-action” , um filme com atores representando personagens de HQ.  Tako-x fez  mais 2 curtas: O Gralha e o Oil-Man – Um Encontro Explosivo e”O Apêgo.

28 KINEMA | PROGRAMAÇÃO DA MOSTRA DE CINEMA NIKKEI

Cena do filme "Haruo Ohara", de Rodrigo Grota.
Cena do filme “Haruo Ohara”, de Rodrigo Grota.

Começa na sexta-feira  (25) da próxima semana  a Mostra de Cinema Nikkei, no Cine Guarani, no Portão Cultural (Avenida República Argentina, 3430 – Curitiba), que tem entrada franca. Serão exibidos filmes dirigidos por cineastas brasileiros que exploram o tema da imigração japonesa ao Brasil e da questão da identidade dos nipo-brasileiros ou ainda, personagens de destaque da comunidade nipo-brasileira. O evento é promovido pelo MEMAI e apoiado pelo Consulado Geral do Japão e Fundação Cultural de Curitiba.

O cineasta londrinense Hikoma Udihara terá uma sessão especial, com filmes produzidos entre 1957 e 1959, registrando desde festas de nipo-brasileiros a cerimônias oficiais. Artistas que conseguiram projeção nacional, como o fotógrafo londrinense Haruo Ohara, o animador Ypê Nakashima, o quadrinista Claudio Seto e a pintora Tomie Ohtake são personagens de filmes; o HQ também tem espaço  : Piconzé, realizado por Ypê Nakashima, e  O Ovo e a Galinha, de Tako-x.  E não poderiam faltar obras que tratam da questão da identidade nikkei, como Ou est Le soleil (Onde está o sol), da francesa  Claire Sophie Dagnan, e Permanência, de Hélio Ishii, ou retratam comunidades consolidadas, como as do bairro da Liberdade, em Gambarê, de José Carlos Lage.
Outra curiosidade da programação é Yami no ichi nichi, de Mario Jun Okuhara, que traz o depoimento de Tokuichi Hidaka, o assassino do Coronel Jinsaku Wakiyama, comandante da Shindo Renmei. O filme ganha relevância porque seu protagonista, Hidaka, de 87 anos, depôs na Comissão Nacional da Verdade, no dia 10, comprovando os casos de tortura e violência aos direitos humanos no Presídio da Ilha de Anchieta, em São Paulo,  para onde foram mandados os “vitoristas” e “derrotistas” envolvidos com organizações ultranacionalistas japonesas.
PROGRAMAÇÃO – Sessões às 20 horas, entrada franca
25, sexta-feira
Curtas Contemporâneos
Retratos de Hideko (10 min.), Olga Futema, 1981 .Chá verde e arroz (10 min.),1988. Haruo Ohara, Rodrigo Grota. (16 min.), 2010, Satori Uso, Rodrigo Grota (17 min.), 2007. O Samurai de Curitiba, Roberval Machado e José Padilha. (20 min.) , 2010. O Gralha, Tako x (20 min), 2002.
26, sábado Memória HIKOMA UDIHARA
Cenas do acervo do cineasta londrinense Hikoma Udihara, preservadas pela Cinemateca Brasileira e restauradas pelo pesquisador Caio Cesaro.
27, domingo
HQ Piconzé, (80 min.)m 1972, Ypê Nakashima  ( 60 min), Hélio Ishii, 2009.
28, segunda
Não há sessão.
29,  terça Nikkei
Gambarê, (52 min.) de José Carlos Lage, 2005. Yami no ichi nichi, ( 80 min) . Mario Jun Okuhara, 2012.
30, quarta Trânsitos
Permanência (60 min). Hélio Ishii, 2006, Ou est Le soleil (52 min). Claire Sophie Dagnan,  2011.
31, quinta Arte
À flor da pele  (52 min), de Bettina Turner, 2002, Tomie Ohtake ( 67 min.), 2003.