HQ 4 | CURIOSIDADES

O apelido de Tezuka, no primário, era Gadja-boy. Gadja-gadja era uma onomatopeia usada para definir seu cabelo duro e desarrumado. Depois que Tezuka o lavava, seu cabelo ficava em pé, isso o inspirou para a cabeleira do Astro Boy.

Quando Tezuka era pequeno, nem sabia falar direito, queria dizer ópera (kagueki) para suas vizinhas, mas acabava dizendo texugo (tanuki).


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HQ 3 | A VIDA DE TEZUKA

No dia 03 de novembro de 1928, nasceu Osamu Tezuka, na cidade de Toyonaka, em Osaka. Ainda criança, seus pais, Fumiko e Yukata Tezuka, mudaram-se para a província de Hyogo, Takarazuka. Foi nessa cidade que o artista passou a se identificar: Takarazuka, cidade de termas e música, no meio das brancas nuvens que flutuam em Rokkou. Você será a minha morada (Shounen Club, 1995).

A vizinhança de Tezuka era toda formada por cantoras de ópera, ou seja, ele estava cercado de artistas, além disso, sua mãe praticava e ensinava o pequeno Tezuka a tocar piano. Seria de se esperar que ele acabasse se tornando um artista, mesmo que fosse um artista do desenho.

O desenho sempre esteve com ele. Desde pequeno carregava um caderno para desenhar os acontecimentos do dia-a-dia. Eram nas óperas, nas missas. Assim que acordava e não encontrava o caderno ao seu lado, Tezuka ficava nervoso. Quando suas folhas em branco acabavam, ele reclamava para a mãe, que apagava os desenhos das folhas e o entregava como se fossem novas.

Na escola, suas redações eram criativas, talvez por influência da forma como sua mãe contava histórias para ele dormir: através de gestos e expressões. Mais tarde, Tezuka viria a publicar um livro intitulado Oka-san no mukashi(Era Uma vez da Mamãe).

Em 1945, iniciou o curso de medicina na Universidade de Osaka. Foi com Akai hon (livro vermelho), história de Sakai Sichima, Shin Takarajima (Nova Ilha do Tesouro) que acabou sendo reconhecido. Em 1946, começou a escrever aYonkoma (tiras/ histórias de quatro quadros) e O Diário de Ma-chan no Shokokumin Shimbun (Jornal das crianças da escola de Mainichi), quando começou a fazer sucesso.

Passou a residir em Tokyo. Lá ele teria mais chances de publicação, mas no início não foi fácil. Através de um amigo, lançou Kimba (Kimba, o leão branco), tendo como parâmetro as animações da Walt Disney.

Em 1953, Tezuka apresentou o primeiro mangá para meninas, na revista Shoujo Club, a história Ribon no Kishi (A princesa e o Cavaleiro). E foi em uma visita escolar a um planetário que surgiu Tetsuwam Atomu (Astro Boy). Ele ficou tão fascinado que chegou a construir planetários caseiros, que apresentava para os colegas e a família. Na 2ª. Guerra Mundial, ele ingressou em uma escola militar, onde era proibida a expressão artística. Mesmo assim Tezuka passava noites desenhando. Às vezes, saía com colegas e começava a fazer caricaturas. Por venturas da guerra, começou a ter ideias do que seria depois Metrópole. Partes do cenário do mangá surgiram por causa de imagens que havia visto de Nova Iorque. Seu encanto pelos insetos o levaria a Zéfiros.

Osamu Tezuka Production surgiu em 1961, conhecida depois como Mushi Production. Fez a primeira série de animação da televisão japonesa,Tetsuwan Atomu. Passou a divulgar as histórias em quadrinhos japonesas em todo o mundo, causando grande explosão de fãs desde a década de 70 até os dias atuais.

Tezuka teve câncer no estômago e faleceu no dia 9 de fevereiro de 1989, deixando seu legado de paz transcendente nas suas obras.

 


HQ | OSAMU TEZUKA, PAI DO MANGÁ MODERNO

Criador de personagens antológicos como Astdoboy, A Princesa e o Cavaleiro e o leão Kimba, Tezuka firmou um estilo de mangá seguido até hoje.

Por Simonia Fukue Nakagawa

Impossível falar de mangá sem mencionar o Pai do mangá moderno, Osamu Tezuka. Ele começou a introduzir os efeitos cinematográficos nas histórias, criando sequências mais fluidas. Foi muito influenciado pelos desenhos animados de Walt Disney e filmes alemães e franceses. Os olhos grandes, comuns nos traços do mangá, foram criados por Tezuka, inspirados nas atrizes do teatro Takarazuka, típico da cidade onde morava. A especialista em mangá, Sonia Luyten, comenta que ele ficava fascinado com os olhos muito maquiados das atrizes, bastante aumentados, que, com a luz dos refletores, davam a impressão de conter uma estrela brilhante em seu interior.

Para Tezuka, era importante construir histórias sensíveis para atingir crianças de todo o mundo. Criticava a explosão da produção japonesa de mangá em relação à exposição de violência e erotismo, que diminuíam a qualidade dos desenhos.

Um grande animador brasileiro, Maurício de Souza (criador da Turma da Mônica), conheceu Tezuka. Já doente por causa de um câncer, Tezuka se encontrou pela terceira vez com Maurício de Souza e comentou sobre sua dedicação à animação e os problemas que tivera com sua empresa, aconselhando-o a não repetir os mesmos erros. Em um depoimento, Maurício descreveu a preocupação de Tezuka sobre o futuro do mangá: “Mostrava-se triste com a onda de histórias em quadrinhos e desenhos animados cheios de violência, que varriam o mundo a partir do Japão. E sentia-se meio responsável por isso. Afinal, suas produções e estúdios foram verdadeiras escolas para milhares de desenhistas e animadores japoneses. (…) Seu acompanhante, diretor da Tezuka Produtions, conduziu-o de volta para o hospital de onde ele tinha fugido só para nossa conversa.”

Tezuka pretendia fazer uma co-produção com Maurício de Souza, em que seus personagens se uniriam à Turma da Mônica. Mas isso não foi possível. A doença o deixou muito fraco e ele acabou falecendo em 1989.

Simonia Fukue Nakagawa é artista visual e trabalha com ilustração, gravura, fotografia artística e leciona mangá no Centro Cultural Tomodachi, além de pesquisar HQ e cultura japonesa.

Referência Bibliográfica:

LUYTEN, Sônia Bibe. Mangá: o poder dos quadrinhos japoneses. São Paulo: Hedra, 2001;

SHOUNEN Club, 1995. In. “Uma biografia mangá; Osamu Tezuka”. São Paulo: Conrad, 2003;

SOUZA, Maurício de. “Tezuka-san, meu irmão temporão”.



HQ 2 | Algumas obras

Tetsuwan Atomu – Na versão brasileira: Astroboy. É um menino robô construído por um cientista para substituir seu filho morto em um acidente de carro. Vendo que o andróide não cresceria para se tornar um adulto, entrega-o a um circo onde a atração principal é uma luta de robôs. Através de uma manifestação o pequeno Astroboy é libertado e adotado pelo Dr. Elefun, que acaba presenteando o menino com uma família robô.

Ribon no Kishi – Na versão brasileira: A princesa e o cavaleiro. Safiri é uma princesa que ao nascer recebe dois corações por erro de um anjinho: um de menina e outro de menino. Para salvar seu reino, Safiri se veste, age e luta como um homem, mas,  escondendo-se, liberta toda sua feminilidade. Vilões e muita feitiçaria cruzam seu caminho. Um grande amor se revela. Nessa obra, Tezuka remete-se a muitos contos de fada, dando um toque de humor, beleza e encanto.

Phoenix – É a obra que desencadeou um grande desafio intelectual ao mestre Tezuka. Phoenix é um animal mitológico de grandes leituras na simbologia. Uma ave imortal, uma vez que renasce de suas próprias cinzas. Talvez seja por isso que os diversos personagens aparecem em diferentes reencarnações. No período em que a obra estava sendo produzida, o Japão estava se reerguendo da segunda guerra, então pode-se dizer que Phoenix é o próprio Japão. Tezuka Osamu continuou até sua morte com Phoenix, que dizia ser otrabalho de sua vida.

Ele foi o único desenhista a receber em vida um título de Manga no Kamisama, “Deus dos Quadrinhos”.

Outras obras

Ma-chan no Nikkichou (O Diário de Ma-chan), 1946;

Shin Takarajima (Nova Ilha do Tesouro), 1947;

Jungle Taitei (Kimba, o Leão Branco) 1950-54;

Black Jack, 1973-83;

Buddha (Buda), 1974-84;

Adolf ni Tsugu (Os três Adolfs), 1983-85;

Magma Taishi, 1966-1967.

 

VERTIGEM 3 | A ARTE DE TRANSFORMAR TEMPO FÚTIL EM TEMPO ÚTIL

Leu  Alice K.

Esta é uma tradução livre para Tsurezuregusa, de Kenkô Yoshida,  um clássico da literatura japonesa cheio de reflexões, aforismos, escrito há mais de 600 anos. O autor é um sacerdote budista e poeta bem humorado, por sinal, que teria vivido em monastérios para desenvolver a sua vida espiritual e a meditação.

 

VERTIGEM | MUSASHI

Leu: Ricardo Herdy

O livro de Eiji Yoshikawa  me agradou tanto que decidi saborear a leitura bem devagar para não terminar logo. O autor desfia a estória daquele que viria a se tornar o mais famoso samurai de todos os tempos, e o leitor mergulha no fascinante universo do Japão feudal, com seus guerreiros e monges, katanas e templos budistas. Depois que venci a preguiça de ler as primeiras 900 páginas, fui ávido para a 2ª, de mais 900. Quando terminei, queria mais uma 3ª parte. Curiosidade: o livro começa com o protagonista no campo da famosa Batalha de Sekigahara, onde termina o livro Xogun, de James Clavell.

 


O SOL SE PÕE EM SÃO PAULO

Leu:  Shigueyuki Yoshikumi.

O título do livro não atrai a atenção de um nikkei. Mas, logo constatei que o mundo japonês está todo retratado ali em minúcias: costumes, período incerto da guerra, modalidades teatrais, problemas de dekasseguis. Todos os personagens são japoneses e o narrador é bisneto de imigrante brasileiro e não fala uma palavra de japonês. Mais que a narração de um triângulo amoroso, a obra surpreende pela intriga e final inesperado. A ação do romance inicia-se no bairro da Liberdade, em São Paulo, e passa pelas colônias japonesas: Lins, Bastos, Promissão. Em Lins, o autor cita a estada do escritor Yukio Mishima na Fazenda Tarama. Lá, Mishima escreveu a peça A Toca de Cupins, inspirado na paisagem repleta de cupinzeiros. O autor também cita Junichiro Tanizaki. Muito bem pesquisado. Se traduzido para o japonês, tem tudo para ser bem-sucedido.