46 HQ – CONCURSO DE MANGÁ AINDA ABERTO

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Ilustração: Mangá Rosári Vampire.

Até o dia 10 de outubro, interessados podem enviar obras para , o 7º Concurso Literário do Bunkyo – Categoria Mangá, promovido  pela Comissão de Atividades Literárias. Nesta edição o tema é  livre. Cada autor poderá inscrever uma única história de texto estilo Mangá, em língua portuguesa ou em língua japonesa. A história deve ter obrigatoriamente um título e um mínimo de dez páginas (máximo 50), já com arte finalizada.

Também são aceitas obras criadas por grupos e há na ficha campo específico para inscrição.

Os interessados deverão encaminhar o formulário preenchido juntamente com sua obra física (não será aceito envio eletrônico) e caso desejem receber o material de volta ao final do concurso devem se manifestar no campo específico.

– baixe aqui o regulamento completo
– formulário de inscrição

ENDEREÇO PARA CORRESPONDÊNCIA
BUNKYO – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social
Comissão de Atividades Literárias – Mangá
Rua São Joaquim, 381 – Liberdade – 01508-900 – São Paulo – SP
Informações: (11) 3208-1755

A última edição do evento premiou Audrey Phei Chi Chuang, Diego de Oliveira Castro e Lucas dos Santos Martins, respectivamente. O resultado da seleção 2016 será divulgado no dia 5 de novembro no site www.bunkyo.org.br

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46 HAICAI -TANKA, UMA FORMA FEMININA

46haicaiimagem04No Japão existem formas poéticas distintas, que funcionam para determinados temas. A forma poética mais conhecida fora do Japão, o haicai (ou haikai ou haiku) tem como eixo temático uma das estações do ano, ou algum evento ou fenômeno natural que aconteça numa determinada estação do ano. Cerejeiras, por exemplo, estão relacionadas à primavera, crisântemos, ao outono, neve ao inverno e calor ao verão. Os eventos ou fenômenos naturais são pontos de partida para refletir sobre a efemeridade da vida. Assim, o estado wabi sabi (que vem das palavras wabishi = ermo, solitário e sabishi= triste) é a prerrogativa do poeta que se retira do tumulto das cidades para comungar com a natureza e nela encontrar a resposta para o sentido mais profundo da existência.

O tanka é a forma poética mais antiga no Japão, que deu origem ao haicai. O haicai ficou conhecido como uma forma que privilegia o olhar objetivo da vida . Já o tanka está relacionado a um olhar mais subjetivo. Duas grandes poetas japonesas da Era Heian, Ono no Komachi (834?-?) e Izumi Shikibu (974?-1034?) representam esta forma poética. Tanto as poetas quantos o tanka são poucos conhecidos no Ocidente. A razão talvez seja o fato de que o tanka privilegia o olhar feminino.

Os maiores poetas japoneses do tanka contemporâneo são Masaoka Shiki (também mestre de haiku), Akiko Yosano e Takuboku Ishikawa, estes dois últimos com pelo menos uma obra traduzida no Brasil. Ono Komachi, Izumi Shikibu e   o monge Saygio são os autores clássicos mais conhecidos. Uma curiosidade:  o hino nacional japonês Kimigayo também está vazado na forma poética do tanka. No Brasil, tivemos poetas que já se aventuraram a recriar tankas, como Pedro Xisto, Helena Kolody e Wilson Bueno, em molduras mais ou menos carnavalizadas.

A poeta Rose Mendes pesquisou sobre a poesia feminina no Japão e buscando aperfeiçoar a aprendizagem iniciada em seu primeiro livro “Nas ondas do haicai”,  lança agora, “Travessia” (Editora Inhouse, 2016). O que se vê neste seu mais novo rebento são exercícios livres em cinco versos . Aponta-se a ousadia desta “Travessia” do ocidente ao oriente. Porém, falta à autora iniciante  maior conhecimento sobre a linguagem poética, o que tornariam seus poemas menos superficiais.  Já experiências de vida não lhe faltam, tocando temas da maturidade:

mora às escuras / na árvore centenária / um ninho vazio / ah, não é um pirilampo / que tranquilamente surge

muito de repente / duas andorinhas entram/ na capela antiga / que saudades estou sentindo / dos sonhos divididos

névoa da manhã / o mar e a gaivota / brincam com o tempo / o barquinho que balança / parece acenar um adeus

notícias do mundo / trazem espanto e tristeza  -/ incerto futuro//meu pai falava da guerra / e quase sempre chorava

Para que seus tankas saiam do chão, resta à Rose apenas prestar mais atenção nas palavras. As experiências, a sensibilidade, a acuidade para observar os dramas psicológicos retratados na paisagem da vida ela já tem.

(Marilia Kubota)

46 PESQUISA – UFAM SEDIA CONGRESSO DE ESTUDOS JAPONESES

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A partir desta quarta-feira (21) a Universidade Federal de Amazonas (UFAM) sedia o XI Congresso de Estudos Japoneses no Brasil/XXIV Encontro Nacional de Professores Universitários de Língua, Literatura e Cultura Japonesa, cuja edição tem como tema “Tessituras: encontro dos povos nos encontros das águas”. O evento se estende até a sexta-feira e conta com conferências sobre literatura japonesa, exposições de arte, mesas redonda, apresentações de alunos .

No primeiro dia do congresso haverá uma conferência sobre literatura, com Satoshi Udo, da Universidade de Kagoshima, uma mesa-redonda sobre cultura e ensino com Hiroki Okada (Kobe), Nobuhiro Ito (Nagoya) e Kentaro Azuma (Nagoya), outra sobre imigração japonesa para o Amazonas, com Michelle Eduarda de Sá, José Camilo Ramos e Sachio Negawa (Doshisha) e mais uma mesa sobre Tradução e tempo, com Lica Hashimoto, Kanji Nobutomo (Kanagawa) e Kyoko Sekino. Na programação das miniconferências, a professora Madalena Hashimoto Cordaro fala sobre atores e seus mundos, detalhando as estampas que retratam o teatro japonês (yakusha-e e shibai-e), Yuki Mukai fala  sobre tendências e perspectivas futuras sobre as pesquisas em língua japonesa e ensino  no Brasil, Makoto Hayashi (Aichi Gakuin) sobre budismo e cristianismo e Valdir Sato sobre Imigração ao Amazonas.

No segundo dia, há conferência de Koji Oikawa (Pequim) e miniconferências de Seiji Fukushima, Yusuke Sakai (Kagoshima), Rei Kufikihara (Aichi Kenritsu). No dia 23, haverá mesas-redonda sobre tradução, com Neide Hissae Nagae, Eliza Atsuko Tashiro Perez, Tomoko Gaudioso, Japão moderno, com Ernani Oda, Orion Klautau (Tohoku), Makoto Hayashi, Literatura moderna e contemporânea, com Kinya Suguiyama (Kanazawa), Joy Nascimento Afonso, Satoshi Udo. As miniconferências são de Nobuhiro Ito, Akira Chinen e Alexandre Takara, Rossieli Soares de Souza e Keiko Kanai.

A programação completa está aqui.

46 SOCIEDADE – Geisha, geiko, oiran e tayū

Essa é uma discussão antiga, lá de 2012, sobre uma possível definição de geisha, um termo que me perguntam eventualmente. Existe uma confusão bastante corriqueira entre os termos geiko, geisha, oiran e tayū, noções bastante diferentes que afetam parte da nossa percepção sobre esse lado nipônico.

Existem geisha (芸者)/geiko (芸子) e cortesãs (花魁, em alguns livros chamadas de Oiran), algo que até hoje é bastante confundido no senso comum. Os tipos de cortesãs mudaram ao longo dos anos e estão atreladas à chegada do Período Edo (1603-1868) e à instauração dos distritos de Shimabara (Kyoto), Yoshiwara (Tokyo) e Shinmachi (Osaka), sendo o nível hierárquico de cortesã mais alto o de Tayū. Nessa época, com a criação da lei de controle/delimitação de áreas de entretenimento, acabou surgindo novos nichos de atuação, sendo rapidamente ocupados pelas cortesãs. Os tipos e níveis hierárquicos das cortesãs variam conforme o treinamento e serviços oferecidos, inclusive, com cortesãs voltadas para os prazeres sexuais (aham, não são todas voltadas para isso, outro motivo de grande confusão e criação de preconceito).

Higashiyama, Kyoto

Por conta do surgimento de novas artistas do entretenimento, as geiko foram facilmente confundidas com cortesãs e até mesmo prostitutas, o que criou uma grande mancha negativa em sua imagem. O preconceito durou por anos, até que são comuns as histórias trágicas dos pais que não querem que a filha se torne geiko e tudo mais. Tudo isso virou motivo de fascínio nos Estados Unidos e Europa, com vários livros e romances dedicados ao assunto, alguns que infelizmente são preconceituosos e empobrecem o entendimento da cultura japonesa.

Vale lembrar rapidamente que geiko/geisha ou “Filha das Artes”/“Praticante das Artes” é aquela mulher treinada não só na melhor etiqueta japonesa, como também em várias formas de artes e rituais, desde a Cerimônia do Chá até a prática de números artísticos, musicais, etc. Para tanto, se dedicam por anos a fio em um treino bastante rigoroso, árduo e extremamente caro.

Higashiyama, Kyoto - por P. Akiti

Com a independência feminina no Japão da década de 50 e 60 o número de geiko diminuiu drasticamente, contudo, temos notado que o interesse para se tornar geiko retornou com força nas últimas décadas. Livrando-se da imagem negativa consolidada nas décadas anteriores, as atuais geiko recuperam o prestígio de tempos passados. Já as Tayū, uma cortesã treinada e de alto nível, cumpre um papel em declínio, restando pouquíssimas no Japão.

Caminhar em Kyoto, em especial lá em Pontocho e Gion e em horários especiais, é tropeçar entre maikos (aprendizes de geiko/geisha) e também entre maiko de mentira ou fake, o que deixa a população local muito chateada.

Como já ouvi por lá, para aquecer o turismo as agências contratam jovens dispostas a se vestirem como maiko para aparecer nas fotos dos inúmeros estrangeiros que aparecem na cidade. Li uma vez a irritação de um mestre sobre o assunto, pois a prática desconsidera os vários anos de prática e estudos que são requisitos para a formação de uma geiko.

Victor Hugo Kebbe

46 KINEMA – OFENSIVA CONTRA DISCRIMINAÇÃO AOS AMARELOS

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Nesta semana, a novela “Sol Nascente” sofreu um duro golpe da comunidade de  descendentes de orientais no Brasil. O cineasta Mário Jun Okuhara fez um denúncia no Ministério Público contra a prática de discriminação racial pela novela nesta sexta-feira (16). E na última quinta-feira (15), o Canal Yo Ban Boo e o Coletivo Oriente-se lançam vídeos de protesto contra a discriminação ao ator brasileiro de descendência oriental nas produções audiovisuais nacionais. O Canal Yo Ban Boo lançou a paródia “Sol Poente”  em que o ator Kenichi Kaneko interpreta o patriarca de uma família italiana,  Don Luigi.

O mafioso é pai de Antonella (Francine Missaka), jovem corajosa e inteligente que quer escapar do pai super-protetor. Ela namora Akira (Dudu de Oliveira), descendente de japoneses, que quer fugir com Antonella para viver um amor livre. Don Luigi conta com dezenas de capangas para exercer suas vontades, dentre eles, seu fiel “braço direito” interpretado por Eduardo Goto. Hoje não é um dia como qualquer outro, hoje é o dia em que o sol se pôs, hoje é o dia do Sol Poente.

46kinemaimagem01Já o vídeo do Coletivo Oriente-se apresenta uma história sobre um velório. O elenco é formado por Carla Passos, Cristina Sano, Edson Kameda, Gilberto Kido e Keila Fuke. O roteiro é de Cristina Sano e a direção de
Paula Kim. O “ORIENTE-SE” é um coletivo de atores profissionais brasileiros com ascendência oriental. O coletivo tem como objetivo difundir que seus componentes são atores brasileiros capazes de  interpretar diferentes papéis como os atores de outras etnias e que combatem os papéis estereotipados em geral destinados às etnias orientais.

46 HAICAI – ESCRITURAS LANÇA DIÁRIO DE BASHÔ

Capas dos livros a serem lançados pela Escrituras.
Capas dos livros a serem lançados pela Escrituras.

No dia 24 de setembro , das 13h30 às 16h30, acontece o lançamento de Trilhas longínquas do Oku, de Matsuo Bashô, traduzido para o português por Meiko Shimon, no Museu Histórico da Imigração Japonesa, em São Paulo. O mais famoso diário de Bashõ será lançado ao lado da antologia Celebração, organizado por Teruko Oda, reunião de poemas selecionados pelo Concurso Literário  Yoshio Takemoto em dez  anos 2005/2015. Os dois livros foram publicados pela Editora Escrituras.

O Museu Histórico da Imigração Japonesa fica na Rua São Joaquim, 381, 9o. andar, no bairro da Liberdade, em São Paulo.

Esta é primeira vez que o diário de viagem de Bashô é traduzido diretamente da língua japonesa para a língua portuguesa do Brasil. A tradutora, Meiko Shimon, nasceu em Quioto e veio jovem para o Brasil. Mestre em Língua, Literatura e Cultura Japonesa pela USP, é autora de Concepção Estética Japonesa de Yasunari Kawabata em Tanakogoro no shoesetsu, foi professora de Língua, Tradução e Literatura Japonesa na UFRGS. Atualmente  vive em São Paulo. Traduziu A casa das belas adormecidas (2004), Kyoto (2006), Contos da palma da mão (2008), O lago (2010), O mestre de Go(2011), A gangue escalarte de Asakusa (2013).

Teruko Oda é uma poeta e professora brasileira, filha de imigrantes japoneses e uma das maiores haicaistas do Brasil, seguindo uma corrente da tradição japonesa, que defende o uso de kigo (referência à estação do ano) no haicai. É uma das fundadores do Grêmio de Haicai Caminho das Águas, de Santos, e presidente do Grêmio Haicai Ipê, de São Paulo.

É autora de 8 livros individuais, entre eles, Janelas e tempo, incluído no PNLD/SP/2004 (Programa Nacional do Livro Didático); 3 obras em co-autoria e participação em dezenas de antologias e publicações diversas no Brasil e no exterior. Na obra A Dozen Tongues (World Haiku Association, 2001), a autora representa o Brasil e a língua portuguesa.

46 SOCIEDADE – HAFU REPRESENTA JAPÃO NO MISS UNIVERSO

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Uma mestiça, Priyanka Yoshikawa, 22 anos, vai representar o Japão pelo título de Miss Universo 2016, em dezembro, em Washington. A representante da beleza nipônica neste ano é filha de pai indiano e mãe japonesa. Priyanka segue o exemplo de outra hafu (em inglês, half, metade japonês, metade ocidental), Ariana Miyamoto, filha de um pai afro-americano, que venceu o Concurso Miss Japão em 2015.

O correspondente da RFI no Japão, Frédéric Charles, conta que a eleição de Priyanka é considerada como uma pequena vitória contra os preconceitos raciais em um país fechado à diversidade. A escolha também provocou muitas discussões nas redes sociais a respeito dessas mudanças na sociedade.

Nascida em Tóquio, a nova Miss Japão prometeu continuar a luta contra o preconceito racial num país etnicamente bastante homogêneo, onde apenas 2% são mestiços. Dona de grandes olhos negros e corpo de manequim, com 1,76m, Priyanka é domadora de elefantes e pratica kick-boxing.

Em uma depoimento à AFP, ela conta que “antes de Ariana, as mestiças não podiam representar o Japão. Eu mesma não achava que isso fosse possível, mas ela nos mostrou o caminho”, disse Priyanka. Ela contou que  teve de aturar comentários maldosos na escola quando voltou ao Japão, aos dez anos, após alguns anos no exterior. “Eu era tratada como um micróbio, ninguém se atrevia a me tocar. Mas isso me tornou uma pessoa forte”, diz a Miss. “Quando estou fora do Japão, ninguém me pergunta sobre minhas origens. Espero conseguir mudar a percepção das pessoas. O número de mestiços só vai aumentar e é preciso aceitar isso”, acrescenta.

A palavra hafu (ハーフ, hāfu) surgiu na década de 1970 no Japão e é agora é mais comumente utilizado e preferido com auto-afirmação. Tem sido crescente o aparecimento de hāfus na mídia japonesa. Ele estão em capas de revistas de moda como Non-no, Can Can e Vivi e são vistos nas telas de TV com frequência como jornalistas ou celebridades. A atriz Anna Tsuchya (americana-japonesa), protagonista do filme Sakuran,  a tarento Becky (britânica/japonesa), a apresentadora Christel Takigawa (francesa/japonesa) e as modelos Kaela Kimura (britânica/japonesa) e Anna Umemiya (americana/japonesa) são algumas delas. Há um site totalmente dedicado aos hafus, aqui.

Os hafus estão conseguindo vencer os preconceitos, enfrentados pelos ainoko (合の子), filhos de uniões interétnicas. Ainokos eram realcionados nos anos 1940, à  pobreza, impureza racial e a discriminação. A palavra foi então substituída na década de 1950 pelo termo konketsuji (混血児) que significa, literalmente, um filho de sangue misturado. Isso foi utilizado numa tentativa de separar os meio-japoneses dos japoneses “puros”. Alguns pais de crianças hāfus que falam inglês preferem o termo double (duplo).