NOTÍCIA | CULTURA JAPONESA NO SOLAR DO ROSÁRIO

"O jardim de Kameido', ukiyo-e de Hiroshigue.
“O jardim de Kameido’, ukiyo-e de Hiroshigue.

Continuam abertas as vagas para o curso livre Japão: História e sociedade, arte, cinema e literatura, no Solar do Rosário, em Curitiba. O curso, ministrado por Marilia Kubota, é destinado a qualquer pessoa interessada em conhecer aspectos ainda não divulgados sobre a cultura japonesa.

O Japão não é apenas um paraíso high tech, nem habitado por herdeiros de samurais e gueixas; é também um país rico de tradições culturais, entre essas a poesia – que ultrapassa o aspecto mais conhecido e divulgado no Ocidente, do haicai, a arte narrativa, o teatro (Bunraku, Kabuki, Nô), a gravura (ukiyo-e) e também as chamadas artes contemporâneas, o cinema e literatura moderna .

O curso será dividido em quatro módulos: história e sociedade (0rigem e períodos históricos. Mitologia. Sociedade e religião. Criação da cultura autóctone japonesa.  Criação da escrita japonesa. Ideograma), artes tradicionais ( Hanashi Banashi. Literatura das mulheres. Tanka . Haicai. Cerimônia do chá. Caligrafia. Ikebana. Teatro Bunraku, Noh,  Kabuki) artes contemporâneas (gravura, literatura e cinema ) e artes híbridas (artes visuais, eletrônicas e dos imigrantes). O curso tem um total de 48 horas de aulas, sendo fornecidos certificados aos participantes com 80% de frequência.

Marilia Kubota é poeta e jornalista, mestre em Estudos Literários pela Universidade Federal do Paraná (2012). Participou de 7 antologias de poesia e prosa, publicadas no Brasil, Argentina e Portugal. Desde 2005 orienta oficinas de criação literária. Organizou o Concurso Nacional de Haicai Nempuku Sato (2008) e a exposição Arte Nikkei no Centenário. É organizadora da antologia Retratos Japoneses no Brasil – Literatura Mestiça (Annablume, 2010) e autora dos livros de poesia Selva de Sentidos (2008)  e Esperando as bárbaras (2012).

24 LITERATURA | UM OLHAR FEMININO NO JAPÃO FEUDAL

O Castelo de Yodo, de Yasushi Inoue, tradução de Andrei Cunha. Foto da capa: divulgação.
O Castelo de Yodo, de Yasushi Inoue, tradução de Andrei Cunha, Estação Liberdade, 2013. Foto da capa: divulgação.

No período Edo, também conhecido como Era Tokugawa, no século XVI, no Japão, uma heroína se destaca entre os xóguns. Chacha é uma princesa, filha do senhor de um clã poderoso, sobrinha de Oda Nobunaga, daimyo do Japão,  concubina de Hideyoshi, seu sucessor. Portanto, por três vezes ela verá o castelo onde viverá destruído, e os membros de sua família contraírem suicídio por honra. Seu melhor é pertencer, de tempos em tempo, ao lado dos perdedores.

Enquanto o país era assolado por guerras entre clãs, jesuítas portugueses tentavam introduzir a fé católica e os xóguns (senhores feudais japoneses), tentavam  consolidar o modelo militar feudal, que dariam ao país sua identidade política pelos trezentos anos seguintes.  Yasushi Inoué escolheu uma época crucial da história japonesa : o tempo em que os daïmiyos vão ter que aprender a jurar fidelidade, os tempos em que qualquer homem lutará pela unificação do Japão. Batelhas, mortes, duelos, castelos destruídos e incêndios, suicídios, reféns – reuniu todos os elementos para contar uma boa narrativa épica.

Mas não são as batalhas que interessam a Inoue. É a narrativa,  enfocando a personagem feminina  Chacha e seus destinos de mulher nobre, que se definie uma bora sobre as lutas políticas e amorosas sobre as quais ela nao têm controle.  Chacha não é uma vítima : cena a cena, caprichosa, versátila, corajosa, intrigante, amorosa, mas sobretudo, ela luta sempre, espera apesar dos eventos que se voltam contra ela.  É uma personagem engraçada, uma mulher forte mas falível, antipática mas atranete, impávida mas passional.  Também constrangida pelos grilhões das tradições que não consegue deixar para trás. Muito consciente de seu status, seu sangue e dos seus direitos, não pode lidar com um mundo em mudança e cujas tradições em breve será interrompido por uma nova ordem política. Inoue dá uma profundidade psicológica raros, e de fato, em muitos aspectos, o assunto do romance. Ele mostra, em qualquer caso seu talento e seu profundo conhecimento da natureza humana.

 Épico, “O Castelo Yodo” é  emocionante de muitas maneiras: Tabela de estilo de vida da aristocracia, as tradições guerreiras, uma história de anos de reunificação e traições. Em jeito de descrever seus personagens e os seus pensamentos, as paisagens em que atuam, faz com que este Inoue Japão a partir do final dos tempos mais próximos medievais, quase íntimos. É bonito, é por vezes poética, apesar da multidão de personagens e fatos, ele consegue não perder o leitor. Um desafio quando se considera a complexidade dos laços políticos e familiares da época!

O escritor nasceu em 1907 em Asahikawa, no norte da ilha de Hokkaido. Poeta, contista, novelista e ensaísta. Depois de malograda tentativa de cursar medicina, ingressa na Universidade Imperial de Kyoto, formando-se em estética e filosofia. Antes de estrear na carreira literária, escreve poemas e treina judô obsessivamente. Era ainda uma promessa da fecunda literatura japonesa pós-Segunda Guerra Mundial quando publica seu primeiro romance aos 42 anos, O fuzil de caça (1949), lançado pela Editora Estação Liberdade em 2010. Recebe, em 1950, o prestigioso Prêmio Akutagawa de literatura, pela obra Togyu. Entre livros de contos e romances, publicou ainda Futo (1963), Waga haha no ki (1975) e Hongakubo ibun (1981). Faleceu em 1991, em Tóquio.

TRECHOS

Chacha atravessou o jardim em direção às muralhas com a intenção de ir à guarita. No caminho, passou por cavalos abandonados, com as rédeas soltas, e por alguns soldados feridos que tinham acabado de chegar ao castelo, provavelmente após longas jornadas. Ao se aproximar da torre de vigia, cruzou com guerreiros que corriam apressados em todas as direções. Atravessou com rapidez a confusão e, quando começou a subir a torre, um samurai a deteve em tom de reprovação”.

O Castelo de Yodo ficou pronto em março. Era pequeno, como convinha a uma jovem castelã. Não tinha grandes muralhas, e a torre de menagem era modesta. Situado na planície de Yamazaki, o castelo era rodeado por três rios: o Yodo, o Katsura e o Kitsu. Ao sul, havia um banhado, que protegia o castelo do ataque de inimigos.

Na primavera do ano 3 de Bunroku, Hideyoshi ficou mais livre de compromissos. Dera ordens para que se organizasse uma nova expedição, mas essa mobilização ia ainda demorar. Alguns boatos chegavam até Chacha: na capital, Hideyoshi dedicava grande parte de seu tempo ao teatro nô e às cerimônias do chá. Ela não se importava que o regente se divertisse nesses passatempos refinados; afinal, eram preferíveis à guerra.

Takatsugu tinha agora 44 anos; começava a envelhecer. Seu alto nascimento permitia que tivesse alguma autonomia frente ao xogunato, do qual não era vassalo. Ieyasu procurava bajulá-lo. A visita deixou Chacha com saudade dos velhos tempos. Na época da batalha de Sekigahara, ela o odiara com fúria; mas hoje admitia que, se ele tivesse se aliado à sua causa, já não estaria vivo: teria sido morto na batalha ou exterminado, como tantos outros.

24 POP | MIYAZAKI E O SONHO DE VOAR

Personagem Jiro Horikoshi, inspirado no criado do avião "Zero".
Personagem Jiro Horikoshi, inspirado no criado do avião “Zero”.

Grande é a expectativa para o lançamento no Brasil do mais novo filme de Hayao Miyazaki,  Kaze Tachinu (The Wind Rises), já liberado em 20 de julho, no Japão. O filme traz a  biografia  do engenheiro Jiro Horikoshi, que projetou o famoso avião de caça Zero Fighter, devastadoramente eficaz nos primeiros dias da Segunda Guerra Mundial. A narrativa aborda  a infância de Jiro , que sonha em voar, e depois segue para seus primeiros anos de juventude, no Curso de Engenharia, e depois trabalhando para a empresa Mitsubishi, onde tem  chance de realizar seu sonho de projetar aviões.Detalhes da técnica de animação perfeccionista do Studio Ghibili podem ser visto nos desenhos de redemoinhos de fumaça e sombras dançantes. Há também uma sequência impressionante de 1923 do Grande Terremoto de Kanto e cenas panorâmicas de cidades em madeira apertadas e lotadas.

Basicamente, a história é de um homem que trabalha duro em seu empreendimento. O filme funciona melhor durante a primeira hora, com Jiro como um menino e, em seguida, um jovem que  fantasia a realidade e a faz  misturar em seus sonhos inocentes. Vemos como ele sobe pelo ar e é guiado pelas conversas com seu herói, o designer italiano Caproni. Mesmo nessas cenas, a sombra da guerra é uma nuvem escura no horizonte. Um dos sonhos de Jiro é interrompido por um esquadrão de monstros negros disformes atacando suas aventuras aéreas e deste ponto em diante a presença de militares aumenta.

Apesar dos voos frequentes em fantasia Kaze Tachinu é realista, o que pode torná-lo uma luta para o público mais jovem.  O filme tenta contornar o tema da guerra com personagens que insistem em suas ambições que são apenas em projetar belos aviões. Os adultos, japoneses e estrangeiros, verão um Japão nostálgico, correndo sobre trilhos de marias-fumaça e trajes à francesa.  Como de hábito, Miyazaki faz uma reverência à memória japonesa e ao poder da fantasia em contornar as cruezas da realidade.  O diretor realiza aqui o ápice de suas fantasias, pois em todos os filmes anteriores aparece o sonho de voar: Sofia viaja pelos ares em O  Castelo Animado, Totoro se transforma num ônibus voador, Kiki tem sua vassoura mágica,  e por aí afora. Por isso, a nova animação promete.

Veja o trailer do filme aqui.  Com informações do Studio Ghibili Brasil.

NOTÍCIA | ÚLTIMOS DIAS PARA VER QUIMONOS

24noticiaimagem20Termina esse fim de semana a  exposição A Arte dos Quimonos e as gravuras japonesas do Acervo Artístico dos Palácios, que exibe 30 peças do vestuário feminino japonês e mais 30 gravuras japonesas no estilo ukiyo-e. A mostra está sendo exibido  no Palácio dos Bandeirantes, no bairro do Morumbi, em São Paulo, até o domingo (28).

De acordo com a assessoria, a mostra tinha como objetivo arrecadar doações para a conservação das peças – além dos 30 quimonos selecionados, o Museu Histórico da Imigração Japonesa (MHIJB), que guarda as peças,  tem mais 400 no acervo. Atualmente os quimonos são guardados dobrados, em condições impróprias e  correm o risco de desaparecer rapidamente. Por isso, é preciso construir uma reserva técnica no MHIJB, onde as peças possam ser armazenadas em ambiente climatizado.

Os trajes japoneses, réplicas do século XX de peças do período Edo (século XVI) e outros, são doações de famílias de imigrantes para o Museu da Imigração Japonesa. Cada quimono,  é como se fosse uma tela pintada em seda, descrevendo paisagens e motivos bem japoneses, como os tsurus,  os crisântemos, carruagens, etc.

Para ver a exposição no Palácio dos Bandeirantes, é preciso agendar   A monitoria é de hora em hora e, o visitante também pode ver gravuras japonesas do acervo do palácio. O Palácio do Governo tem um acervo de mais de 3.500 obras de arte, entre elas as obras de ukiyo-e.  As 30 gravuras selecionadas apresentam obras de artistas variados, retratando atores de teatro, gueixas, samurais, etc.  (MK)

A Arte do Quimono e as Gravuras Japonesas do Acervo Artístico-Cultural dos Palácios
Até 28/07; de terça a domingo, das 10h às 17h
Palácio dos Bandeirantes (Av. Morumbi, 4.500 – Portão 2 – São Paulo)
Entrada gratuita e acessível a pessoas com deficiência
Informações: (11) 2193-8282 ou monitoria@sp.gov.br
Grupos acima de 10 pessoas: agendamento pelo site www.acervo.sp.gov.br
Todas as visitas são acompanhadas por educadores

24 PERFIL | ROGÉRIO DEGAKI E A CRÍTICA À DOÇURA

Rogério Degaki, trajando uma de suas obras.
Rogério Degaki, trajando uma de suas obras.

Sua trajetória artística estava em ascensão. Ele era apreciado por gente da alta roda, como o estilista Alexandre Herkovitch e a socialitée Ana Paula Junqueira. O artista plástico Rogério Dekagi, 38 anos, morreu no último  dia 12 de julho,  deixando como herança obras que criticam a cultura pop japonesa. Suas peças lembram as  esculturas do japonês  Takashi Murakami, mas  em escala menor.  Dekagi, que nasceu em São Paulo, em 1974, chegou a expor no Japão em  2008 e 2009. A primeira vez foi com a mostra Quando Vidas se Tornam Forma, organizada pela curadora japonesa Yuko Hasegawa, no MAM de São Paulo, e reapresentada no Museu de Arte Contemporânea de Tóquio.

Em maio, o artista havia inaugurado “Five o’Clock Tea” (chá das cinco), exposição inspirada em comida, no Centro Britânico Brasileiro (zona oeste de São Paulo). “É como se o Marcel Duchamp visitasse uma confeitaria”, definiu seu trabalho.

Ganhou muitos prêmios, entre eles uma Bolsa de Estudos no 29.  Annual de Artes da FAAP/ SP (1997) e o Prêmio Residência, Cité Internationale des Arts, da França (2005). Começou a expor em 1997  , em coletivas, em São Paulo. Em 2008, expôs na coletiva Neotropicália, When Lives Become Form – Contemporary Brazilian Art: 1960s to the Present, curadoria de Yuko Hasegawa, no Museu de Arte de Tóquio, no Japão. Essa mostra também foi reapresentada em São Francisco, nos EUA, e no Museu de Arte Contemporânea de Hiroshima, em 2009.

Paródia a Takashi Murakami, também uma influência.
Paródia a Takashi Murakami, também uma influência.

A crítica  Yuko Hasegawa traçou um paralelo entre as esculturas dos reluzentes “bichinhos” de Degaki  com os bichos mortos de Jeff Koons , destacando  a “incandescência da luxúria do rococó”.  Tanto em Koons, declarada influência, como em Degaki,  o objeto do cotidiano, “conservando sua banalidade, se transforma em um objeto sublime.”  É o universo do simulacro .

De acordo com Hasegawa, Degaki  criticava o mundo material contemporâneo, repleto de materiais  como o cristal líquido, o Led, o Pixel, a resina, o carvão, o plástico cirúrgico, que ao mesmo tempo exaltam a “doçura demasiada”, denunciando o  “malogro no funcionamento da sensibilidade, um desejo daquilo que era doce para uma tranquilidade incessante.” Seu olhar incisivo sobre o mundo contemporâneo  fará falta.

 

 

NOTÍCIA | RETIRO ZEN BUDISTA NA PRAÇA DO JAPÃO

Comunidade zen-budista de Curitiba.
Comunidade zen-budista de Curitiba.

No próximo domingo (28), acontece o Zazenkai – retiro de um dia, na Comunidade Zen-budista de Curitiba, na Praça do Japão. O Zazenkai é um retiro curto,  ideal para iniciantes. As inscrições e pagamento no local.

Neste retiro haverá intervalo de 2 horas para almoço. Não haverá refeições formais com o uso de  oryokis. A colaboração sugerida é de R$ 50 para não-membros e R$ 30  para membros da Comunidade. Considera-se membro a pessoa que colabora mensalmente para a manutenção do espaço.

A programação será a seguinte: início às 08h00 com o primeiro Zazen. Almoço às 12h e encerramento às 16h50.  Serão realizados sete zazens intercalados pelo samu (trabalho), cerimônias, kin hin e a palestra que ocorrerá durante o zazen.

NOTÍCIA | CURSO DE CULTURA JAPONESA EM CURITIBA

Cerimônia de chá.
Cerimônia de chá.

No próximo semestre, o  Centro de Línguas e Interculturalidade (CELIN),  da Universidade Federal do Paraná, oferecerá o Curso de Cultura Japonesa, orientado pela professora Miyoko Sato.  O curso abordará vários aspectos da cultura japonesa, desde os costumes do cotidiano,  até  literatura,  ikebana, Cerimonia de chá, Bonsai, Teatro Kabuki, Festivais (Hinamatsuri, Koinobori, Setsubun), Manga, Música, Pintura.

O curso terá inicio no dia  23 de agosto e custará R$250, com carga horária de  30 horas . Será dado à sexta-feiras á noite. Inscrições podem ser feitas no  CELIN, Rua Dr. Faivre, 405, Centro, Edifício D. Pedro II – 4° andar. Informações pelo telefone  (41) 3360-5101.
Miyoko Sato é professora de Língua Japonesa do CELIN e participa da  elaboração de material didática da entidade. Nascida em Tóquio, formou-se pela Tokyo Joggakan e veio ao Brasil com 28 anos de idade. No Brasil, formou-se em Letras Inglês e Português, pela UFPR e depois tornou-se mestre  em Linguística pela mesma universidade. Alguns temas de trabalhos seus: haiku, educação no Japão, ‘gramática japonesa’, linguagem e cultura japonesa. É presidente do Centro de Estudo de Língua Japonesa do Sul do Paraná e tradutora de Japonês, Inglês e Português.