41 ARTES – ARTISTAS BRASILEIROS DIALOGAM COM O JAPÃO EM CURITIBA

Três coletivas na cidade de Curitiba apresentam exposições com artistas de ascendência japonesa ou japoneses radicados no Brasil. As exposições “Olhar InComum – Japão Revisitado”, no Museu Oscar Niemeyer, “Sinal de Fogo”, na Galeria do Sesi e “5,10 e 20”, no Museu Alfredo Andersen, apresentam mostras onde a arte brasileira com influência japonesa pode ser apreciada. A maior delas pensada especificada sob o foco do diálogo entre arte brasileira e japonesa é a do MON, que apresenta 17 artistas nipo-brasileiros e mais 5 japoneses, sob o traço comum da convivência não apenas com arte, como também como a cultura japonesa.

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Ambientes 2 e 3 da exposição "Olhar InComum". Foto: Tatewaki Nio.
Ambientes 2 e 3 da exposição “Olhar InComum”. Destaque para a obra de Marcelo Tokai. Foto: Tatewaki Nio.

Três coletivas na cidade de Curitiba apresentam exposições com artistas de ascendência japonesa ou japoneses radicados no Brasil. As exposições “Olhar InComum – Japão Revisitado”, no Museu Oscar Niemeyer, “Sinal de Fogo”, na Galeria do Sesi e “5,10 e 20”, no Museu Alfredo Andersen, apresentam mostras onde a arte  brasileira com influência japonesa pode ser apreciada. A maior delas pensada especificada sob o foco do diálogo entre arte brasileira e japonesa é a do MON, que apresenta 17 artistas nipo-brasileiros e mais 5 japoneses, sob o traço comum da convivência não apenas com arte, como também como a cultura japonesa.

De acordo com a curadora da exposição “Olhar InComum”, Michiko Okano, há várias “japonesidades” que os unem e os distinguem: a da experiência de vida no Japão; a da memória de famíliares e grupos de convivência; a da paixão pela cultura nipônica, a da negação de certos aspectos japoneses  ou, ainda,  a da idelaização do Japão. É aqui que encontramos obras artísticas em linguagens e estilos tãos variados como uma canção de Fernanda Takai ou um mural em adesivo de James Kudo,  as pinturas de Alice Shintani e Júlia Ishida, as instalações de César Fujimoto e Sandra Hiromoto,  as fotografias de  Alline Nakamura,  Tatewaki Nio e Yukie Hori,  os objetos de Érica Kaminishi, Mai Fujimoto e Marta Matsushita, os haicais de Marilia Kubota e Futoshi Yoshizawa, os murais de Erica Mizutani e Atsuo Nakagawa, a gravura de Fernando Saiki e de Takako Nakayama , as esculturas de Marcelo Tokai e Yasushi Yoshizawa.

Ambiente 2 da Exposição "Olhar InComum". Destaque para Erica Kaminishi e ao fundo, Mai Fujimoto.Fot: Tatewaki Nio.
Ambiente 2 da Exposição “Olhar InComum”. Destaque para Erica Kaminishi e ao fundo, Mai Fujimoto.Fot: Tatewaki Nio.

Já em “Sinal de Fogo”, temos obras de sete ceramistas radicados em Curitiba, sob a curadoria de Marilia Diaz. Celso Settogutte e Elisa Maruyama representam a porção japonesa do grupo, mas não são os únicos a sofrer influencia japonesa. Settogutte continua sua investigação sobre a estética wabi-sabi. E Elisa Maruyama apresenta uma escultura que lembra as grandes fogueiras de festas juninas brasileiras.

Esculturas de Celso Setogutte segundo o conceito wabi sabi. Foto: Tatewaki Nio.
Esculturas de Celso Setogutte segundo o conceito wabi sabi. Foto: Celso Setogutte.
A instalação de Eliza Maruyama relembra as fogueiras juninas. Foto: Celso Setogutte.
A instalação de Eliza Maruyama relembra as fogueiras juninas. Foto: Celso Setogutte.

Lígia Borba relembra o drama das vítimas da bomba atômica em Hiroshima, narrando a sensação de “estar no inferno” que os japoneses sentiram. A artista usa a técnica da narrativa de história em quadrinhos.

Lígia Borba relembra Hiroshima. Foto: Celso Setogutte.
Lígia Borba relembra Hiroshima. Foto: Celso Setogutte.

Já na mostra”5,10 e 20″,  seis alunos que foram alunos dos ateliês de arte do museu mostram suas obras.  Claudine Watanabe apresenta várias cerâmicas feitas com a técnica japonesa do raku (que apresenta, no final, cores de formatos inusitados devido à exposição ao fogo em alta temperatura) e Akiko Miléo, em suas peças, traz inscrições com ideogramas.

Claudine Watanabe usa a técnica de raku. Foto: Celso Setogutte.
Claudine Watanabe usa a técnica de raku. Foto: Celso Setogutte.
Akiko Miléo usa ideogramas em todas as suas peças. Foto: Celso Setogutte.
Akiko Miléo usa ideogramas em todas as suas peças. Foto: Celso Setogutte.

Exposição Olhar Incomum no Museu Oscar Niemeyer. Até  26 de junho. Horário de visitação: Terça a domingo | 10h às 18h. 

Rua Marechal Hermes, 999 – Centro Cívico, Curitiba, PR .Mais informações: (41) 3350 4400. Facebook e Twitter: /monmuseu

Exposição Sinal de Fogo no  Centro Cultural Sistema Fiesp. até 05 de junho. Horário de visitação: quarta a sábado | 10 às 18 horas. Av. Cândido de Abreu, 200 – Curitiba/PR.

Exposição 5, 10 e 20 no Museu Alfredo Andersen. Até 18 de junho. Horário de visitação: terça a sexta-feira | 9h às 18h, Sábados e domingos |10h às 16h. Museu Alfredo Andersen
Rua Mateus Leme, 336 – São Francisco. Curitiba – PR. 41 3222-8262 | 41 3323-5148
http://www.maa.pr.gov.br | maa@seec.pr.gov.br

41 ARTES – YAYOI KUSAMA É UMA DAS 100 MAIS INFLUENTES DO MUNDO

A artista Yayoi Kusama, 87, foi indicada como uma das mais 100 pessoas mais influentes no mundo pela Revista Times.

Yayoy Kusama iem seu esúudio, en Shinjuku. Tóquio, 6/4/2016.
Yayoy Kusama iem seu esúudio, en Shinjuku. Tóquio, 6/4/2016.

rtista Yayoi Kusama, 87, foi indicada como uma das mais 100 pessoas mais influentes no mundo pela Revista Times. “Esta é uma mulher que tem estado aí por um longo tempo, que tem feito coisa realmente radicais no mundo”, escreveu na última quinta-feira o designer de moda americano  Marc Jacobs, na revista de atualidades, que todos os anos premia as personalidades globais de maior destaque.

Nascida em  Matsumoto, na Prefeitura de Nagano, Kusama é conhecida pelas pinturas em que usa pontos e redes como temas. Ela diz que as obras são inspiradas em alucinações que ela experimentou quando criança. Entre 1957 e 1973,  a pintora de vanguarda envolveu-se numa ampla variedade  de atividades artísticas nos Estados Unidos, incluindoa produção de escultura, cinema,  novelas e poemas.

Jacobs descreveu o encontro com Kusama em seu estúdio, em Tóquio, em 2006. Ele a encontrou  usando perucas coloridase um vestido que parecia um  kaftan, decorado com sua marca registrada , e na conversa ficou repetindo algumas frases.

“Passamso umas poucas horas juntas, e cada vez que eu tentava ir embora, ela puxava-me de volta. Isto fazia sentido com a arte que ela criava — a intesnidade, a repetição. Ela apenas sente com a incorporação do que faz”, escreveu Jacobs.

O Japão premiou Kusama com o Mérito de Personalidade Cultural em 2009. A Revista Time diz  que ela é mais velha pessoa da lista. Outras pessoas foram distinguidas com a indicação este ano, como o Papa Francisco, o juiz brasileiro Sérgio Moro. Os asiáticos mais famosos da lista são  Yayoi e o  líder norte coreano Kim Jong Un .

“De um modo ou outro eles quebram paradigmas: quebram as regra,  quebram recordes, quebram o silêncio, quebra a escravidão para revelar do que somos capazes”,  afirma a revista. Por incluir personalidades polêmicas, defende:   “As pessoas na lista, cada um de seu modo, dão lições para ensinar. Podemos discutir estas lições; criticando ou concordando com eles.” (traduzido do inglês do site Japan Times).

41 SOCIEDADE – PIADAS RACISTAS E YELLOWFACE GERAM POLÊMICA

O rito do impeachment de Dilma, no último domingo, gerou não apenas uma batalha entre governistas e oposionistas. Uma postagem nas redes sociais viralizou ao publicar a imagem do deputado federal Hidekazu Takayama votando. A foto tinha como legenda a conhecida piada do “pastel de flango”, linguajar atribuído a brasileiros descendentes de orientais. A comunidade se manifestou em peso contra o racismo.

por Marilia Kubota

O rito de admissibilidade do impeachment da presidente Dilma pelo Congresso Nacional,  no último domingo, gerou não apenas uma batalha entre governistas e oposionistas. Uma postagem no Twitter, compartilhada no Facebook, em páginas como  Ajudar o povo de humanas a fazer miçangas e  “É por isso que eu amo a internet, viralizou ao publicar um “meme” com a imagem do deputado federal Hidekazu Takayama votando:

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A postagem foi compartilhada em vários blogues e páginas de grupos de descendentes de asiáticos,como Outra ColunaPerigo Amarelo e Asiáticos pela Diversidade. Muitos de seus membros entraram nas páginas que compartilharam o meme para  protestar. Na página Ajudar o povo de humanas a fazer miçangas, por exemplo, depois de algumas discussões, a adminstradora Dominique  Vargas, apagou a postagem e publicou um pedido de desculpas pessoal, dizendo que havia reproduzido o meme “sem maldade” e por humor. Ela pediu ajuda à página Asiáticos pela Diversidade para entender a polêmica, e os administradores da página explicaram didaticamente os motivos do racismo. 

Mas a polêmica não acabou. Na última quarta-feira (20), a página Suki Desu voltou a publicar a piada do pastel de flango, explicando as diferenças entre as línguas japonesa e chinesa. Diz que porque  no Idioma japonês não existe a letra “L”,e os japoneses  falam o “R” no lugar do “L”. E recomenda: Essa piada só funciona com chineses, se forem fazer piadas que façam direito, ou melhor: NÃO FAÇAM!. O adminsitrador destaca que O post em nenhum momento diz que japoneses não gostam de ser confundidos com chineses ou vice versa, apenas diz a diferença entre as linguagens, que no alfabeto japonês não há o “L” e no chinês há.

Mais racismo

A notícia de que Luis Mello fará yellowface gerou indignação,
Notícia de que Luis Mello fará yellowface em novela da Globo gerou indignação,

As redes sociais continuam reproduzindo o estereótipo de que o imigrante de etnia oriental fala errado. Mas a discriminação  mais grave não está nos canais da internet, e sim na grande mídia. Um artigo  compartilhado  há uma semana na página do MEMAI com a notícia de que o ator Luís Mello interpretaria o patriarca de uma família japonesa na próxima novela das 18 horas, na Rede Globo, veiculada pelo blog televisivo de Patrícia Kogut, teve recorde de visualização: mais de 4.300 pessoas alcançadas.

O protagonista da novela é um patriarca japonês que imigra para o Brasil na década de 60. Ele e suas filhas vão viver as mais loucas aventuras e dramas com pares brancos, na vila fictícia do Arraial do Sol Nascente. Das 30 pessoas cotadas e/ou confirmadas para o elenco, apenas 4 são de fato amarelas (Dani Suzuki, Carol Nakamura, Geovanna Tominaga e Miwa Yanagizawa). O recurso empregado pela Globo não é novidade, com um heroi branco,  histórias “étnicas” tornam-se mais palatáveis ao  público geral (lembre-se do enorme sucesso de “Escrava Isaura”, adpatado do romance de Bernardo Guimarães). De acordo com Fábio Ando Filho, administrador do blogue Outra coluna, “As narrativas tradicionais constroem arquétipos bem definidos nos quais as pessoas possam se espelhar, fabricando modos de vida moral e subjetiva que se enquadrem nas expectativas de normalidade. Por outro lado, histórias “étnicas” só encontram serventia enquanto representarem aquilo que for exótico e diferente, desviante e até ridículo.”

O pesquisador diz que  esse fenômeno é conhecido como whitewashing, recurso da construção civil e do design de interiores que consiste em jogar uma tinta branca barata feita de cal por cima de uma parede colorida. “O termo é utilizado também para descrever o embraquecimento das narrativas das minorias étnico-raciais”, destaca Fábio. Como consequência, há a invisibilidade e esquecimento de histórias diferentes do padrão. Em geral, “a história das minorias políticas é homogeneizada, pasteurizada e apresentada da forma que melhor convir”, completa. Isto provoca o silenciamento e apagamento do grupo étnico, com sua falta de representação nos meios de comunicação, na cultura e na política.

 

 

41 HQ – STELLE FLORES E THAIS UEDA CONVERSAM EM CURITIBA

Estelle e Thais diante de seus impressos.
Estelle e Thais diante de seus impressos na Livraira Itiban.

Na última segunda-feira,  as artistas visuais Estelle Flores e Thais Ueda conversaram com seus fãs e leitores na Itiban Comics Shop,  em Curitiba. As artistas contaram um pouco sobre seus processos criativos, suas trajetórias e repertórios, até a fase de produção final de um projeto. Estelle Flores é ilustradora e artista gráfica, co-fundadora da Selva Press,estúdio independente de Risografia em Curitiba. Thais Ueda é artista visual e ilustradora, vive em São Paulo, e recentemente lançou o livro Batoquim, pela editora Lote 42.

Ambas as artistas disseram que unem artes da cultura pop, como história em quadrinhos, grafite e tatuagem a processos tecnológicos avançados. Estelle Flores, por exemplo, usa a risografia, que é uma técnica inspirada na gravura japonesa, em que as cores são impressas separadamente por uma máquina semelhante ao mimeógrafo.  De acordo com ela, há bem poucos artistas que se interessam pela técnica no mundo, por isto eles trocam muitas informações , em grupos fechados na internet.  Seu estúdio recebe tantos serviços de artistas quanto comerciais.

Um dos últimos trabalhos impressos pela Selva Press.
Um dos últimos trabalhos impressos pela Selva Press.

Thais, que há pouco tempo se aventura a pintar murais em São Paulo, disse que quando não conhecia, achava que o grafite era uma arte perigosa. “Achava que só pintavam à noite. Depois eu vi que também pintavam de dia. Achava que mulheres não faziam grafite. Depois vi que havia mulheres nesta arte”, conta.

Mural de Thais Ueda em São Paulo.
Mural de Thais Ueda em São Paulo.

Thais ainda revelou que o universo da cultura pop não era novo para ela, pois na faculdade teve aulas com o quadrinista Luiz Gê.  Nas HQs, Thais está mais acostumada a desenhar a figura humana e tem mais dificuldade em compor cenários: “Muitas vezes prefiro jogar um fundo preto para resolver e não ficar pensando em detalhes”, confessa. Uma das grandes influências de seu trabalho é dos Irmãos Hernandez  (que tem trabalhos como “Love & Rockets” e “Crônicas de Palomar”).

As artistas já expuseram ou expõe em galerias, mas têm preferido criar zines, livros ou gravuras para vender em feiras ou seus canais na internet. Thaís já fez muitas ilustrações comerciais trabalhos para agências de propaganda e grandes marcas, como O Boticário,  Natura, e C&A, que se diferenciam de suas obras artísticas. “Para estas marcas, eu precisava fazer desenhos mais limpos. Em geral meu traço é mais sujo. Em geral trabalho mais em preto e branco. Para as marcas, eu precisava trabalhar com cor”, explica.

No admirável mundo novo da cultura pop, as artistas tentam sobreviver fugindo do grande circuito comercial, com várias atividades, vendendo pela internet ou em feiras de artistas. Pelo visto, estão conseguiindo, (Mariia Kubota).