17 GASTRONOMIA | PARA BRINDAR O ANO-NOVO

Chegamos a mais um final de ano, o mundo não acabou e agora iniciam-se as comemorações oficiais deste período. Comemorar é possível o ano todo, porém este é o momento mais evidente de reflexão sobre o ano que passou e das novas possibilidades no futuro. No Japão esta é época do oosouji(大掃除) traduzida como “a grande limpeza” anual. Para além do ato de arrumar a casa, o trabalho, os ambientes de convivência tem o  sentido mais profundo de arrumar e rever atitudes e pensamentos que são desnecessários ou prejudiciais a pessoa no prosseguimento da sua vida. Época de renovar e permitir-se para novas experiências, atitudes e sensações frente à vida.

Seguindo esta lógica de novas sensações quero presentear os leitores com duas receitas especiais de final de ano, de inspiração japonesa sem dúvida, mas com um toque de inovação e de refrescância brasileira. Dose dupla para rechear o final do ano!

O Somen (そうめん) é um prato típico do verão úmido e quente japonês, muito refrescante e saboroso para o verão não menos quente do Brasil. A possibilidade de variar as combinações de molhos e condimentos é ampla e é possível provar outras combinações deliciosas.

E uma receita para brindar o oshogatsu (Ano Novo) criada a partir da união de ingredientes festivos e ingredientes típicos japoneses. Apresento o drink  Noite de verão (夏の夜) acompanhado de boas energias e felicitações aos leitores e de um sincero doumo arigatou (muito obrigada) a todos!

 Yoi otoshi wo! Feliz Ano Novo!

Itadakimasu (いただきます)!

RECEITAS

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RECEITAS | SOMEN DE VERÃO & DRINK NOITE DE VERÃO

Crédito: Cozinha japonesa – Yasuo Fukuoka – Editora Marco Zero.
Somen de Verão
  • 400g de macarrão somen seco
  • 5 ou 6 folhas de shiso(*) ou 1 punhado de manjericão fatiados finos
  • 575ml de Tsuyu (caldo)
  • cebolinha picada a gosto
  • 2,5cm de gengibre sem casca ralado
  • wasabi a gosto

Preparo:

Em uma panela grande coloque 2 litros de água para ferver. Coloque o macarrão na água fervente borbulhando. A água irá parar de borbulhar quando o macarrão for colocado. Quando a água começar a borbulhar novamente, derrame rapidamente cerca de 100ml de água fria na panela. Quando a água voltar a borbulhar, tire do fogo. Isso levará cerca de 4-5 minutos. Escorra o macarrão cozido em uma peneira e enxaáue sob água fria corrente, virando delicadamente com as mãos até que esfrie. Escorra uma vez e transfira para uma tigela de água fria. Deixe assim por um tempo. Coloque as folhas de shiso na tigela com o macarrão. Pegue cerca de 20 fios de macarrão e enrole em volta do dedo indicador para fazer um rolinho. Vá arrumando os rolinhos prontos em um prato. Derrame o tsuyu em 4 tigelas individuais para acompanhar e sirva o macarrão com a cebolinha picada, o gengibre ou o wasabi.

 (*) As folhas de shisô são difíceis de serem encontradas no Brasil, é possível substituí-las por folhas de espinafre.

 Tsuyu -Caldo

  • 100ml de saquê mirin
  • 100ml de shoyu
  • 20g de kezuri bushi (bonito seco)

Preparo do Caldo:

 Coloque o saquê mirin em uma panela grande, deixe ferver por 10 segundos e reduza para o fogo baixo. Adicione o shoyu e o kezuri bushi. Mexa a panela em vez de misturar os ingredientes. Adicione 400ml de água e coloque para ferver. Deixe o molho borbulhar por 3-4 minutos e então retire do fogo e coe com uma peneira fina. Utilize o caldo a temperatura ambiente ou frio.

 Rendimento: serve 4 pessoas.

Drink Noite de Verão

Fonte: Lu Noguchi
  • 50 ml de licor de umê (ameixa japonesa)
  • 100ml de espumante “Brut” gelado
  •  Umeboshi para decorar

Preparo:

Em uma taça própria para espumante despeje a dose de licor de umê no fundo da taça. Delicadamente insira o espumante. Espete uma ou duas umeboshi e coloque na taça como num martini. Sirva.

 Rendimento: 1 taça.

 

17 KINEMA | FILME REVÊ A HISTÓRIA DA SHINDO RENMEI

Tokuchi Hidaka, protagonista de Yami no ichinichi. Foto: divulgação.

A Shindo Renmei, mais famosa organização nacionalista japonesa ativa no pós-guerra, no Brasil, mais uma vez é tema de um filme. No documentário   Yami no Ichinichi (Um dia de trevas) – O Crime que abalou a Colônia Japonesa no Brasil, o  cineasta  Mario Jun Okuhara propõe uma revisão da história da Liga do Caminho dos Súditos . O filme  traz o depoimento de Tokuichi Hidaka, que, em 1946, aos 19 anos de idade, foi um dos autores do assassinato do coronel Jinsaku Wakiyama, em crime atribuído à organização ultranacionalista Shindo Renmei.

Depois de cometer o crime, com mais três amigos, Hidaka entregou-se à polícia e cumpriu 15 anos de prisão.   Quando saiu, foi discriminado pela comunidade nipo-brasileira. O documentário é a oportunidade de Hidaka contar a sua versão da história.  Ele volta à Ilha de Anchieta para gravar cenas e relembrar  suas memórias. O filme traz também depoimentos de  integrantes da família Wakiyama, de historiadores e políticos, e  uma conversa do escritor Fernando Morais, autor do livro Corações Sujos,  com a historiadora Célia Oi.

Fora os testemunhos  de Hidaka e da família Wakyama, os depoimentos  de historiadores e jornalistas reforçam a pressão em que viveu a comunidade nipo-brasileiros entre os anos 1935 e 1945, e também no pós-guerra.

Presídio da llha de Anchieta, a 240 Km de São Paulo, desativado em 1952. Foto: divulgação.

Devido ao apoio aos países aliados, durante a década da Era Vargas, os imigrantes japoneses, alemães e italianos  estabelecidos no país  foram  considerados inimigos. As várias restrições impostas, como a proibição do uso da língua japonesa, a circulação de jornais e transmissão de rádio e as reuniões públicas, isolaram a comunidade.  Esse contexto de dificuldade em receber informações sobre o Japão foi ideal para o surgimento de facções nacionalistas.  As seitas manipulavam  informações, chegando a forjar documentos e jornais, afirmando que o Japão havia ganho a guerra.  A comunidade dividiu-se entre  derrotistas (makigumi) e vitoristas (kachigumi) e a oposição começou a desencadear tumultos internos, com uma série de assassinatos.

O documentário levou 11 anos para ser finalizado. O interesse pelo tema começou em 1997, com estudos de Okuhara com o professor Michiro Motoda e acentuou-se com o lançamento do livro de  Fernando Morais , em 2000.  O cineasta  quis tomar partido , embora o documentário seja dominado pelo ponto de vista de Hidaka.

Okuhara é repórter e produtor, iniciou sua carreira em documentários no Programa Imagens do Japão no ano de 1997, com temas culturais. “Uma vida pelo Beisebol”, “Batyan” e “Shamisen para Sempre” são títulos de documentários exibidos na TV brasileira.

Idealizador do Projeto ABRANGÊNCIAS para discussão sobre Representatividade, Participação Política, Direito à Verdade e à Memória, Okuhara dedicou 12 anos de pesquisa para resgatar os episódios do conflito vitorista-derrrotista no pós-guerra e sobre a brutal repressão contra japoneses e descendentes na ditadura do presidente Getúlio Vargas.

O documentário pode ser assistido  aqui.

NOTÍCIA | MOSTRA DE FILMES JAPONESES INFANTOJUVENIS EM SÃO PAULO

Imagem: divulgação.

A  Fundação Japão de São Paulo promove a Mostra de Filmes Japoneses Infantojuvenis , em parceria com o Sesc Carmo.  A programação estende-se até o dia 20 de dezembro.

Nove filmes (dos quais quatro são animações) fazem parte da mostra. Todos serão exibidos com áudio original e legendas em português. Os filmes abordam o Japão pós-guerra e foram produzidos a partir do ano 2000. Programação e  mais informações  aqui. 

NOTÍCIA | ENVIE UMA BALEIA DE ORIGAMI

Desde 2009, o grupo ambientalista Greenpeace criou uma campanha para protestar contra a caça às baleias, atividade em que o Japão é líder   mundial.  A caça à baleias é  proibida por tratados internacionais, mas é financiada pelo governo japonês. Sob alegação de executar pesquisas  científicas, mil baleias são abatidas por ano pelos japoneses, em todo o mundo.   Neste site você pode criar uma baleia virtual, simulando um origami. A meta do site é  enviar 250 mil baleias de origami para entregar uma petição para  o Primeiro-ministro japonês, pedindo o fim da caça.  Já foram enviados mais de 186 mil emails.

NOTÍCIA |CONCURSO DE HAICAI PARA JOVENS

Grêmio Haicai Ipê, o mais tradicional grupo de estudos e prática de haicai no Brasil, promove o 12º Concurso Brasileiro de Haicai Infanto-juvenil com o intuito de incentivar e difundir a prática do haicai entre as crianças brasileiras. Podem participar estudantes com menos de 15 anos, nas categorias infantil e juvenil.

O tema do concurso será “Férias de verão”. Regulamento e ficha de inscrição do concurso podem ser acessados aqui. O concurso termina no dia 06 de julho de 2013.

Serão conferidos certificados (diplomas) aos autores dos 20 melhores trabalhos e seus  professores, em cada categoria. Os poemas serão avaliados por uma comissão formada por membros do Grêmio Haicai Ipê, tendo como coordenadora a haicaista  Teruko Oda.Informações pelos e-mails  concurso@kakinet.com ou  teruko.oda@uol.com.br

16 PALCO | MAWACA RECRIA CANÇÕES JAPONESAS

 

Mawaca no Ibirapuera. Foto: divulgação.

Mawaca no Ibirapuera. Foto: divulgação.

Depois de namorar as canções tradicionais japonesas em vários CDs, o grupo Mawaca lança um DVD apenas com músicas folclóricas japonesas: Ikebanas musicais. Treze canções tradicionais japonesas têm  um novo arranjo, fundidas ao cancioneiro de outras partes do mundo. A diretora do grupo, Magda Pucci, tem a liberdade de misturar  os ritmos da canção Kazoe Uta a  Se esta rua fosse minha ou de Hotaru koi e uma canção dos índios Gavião. Instrumentos musicais orientais, como koto, shamisen, sakuhachi e  taiko dialogam  com a flauta transversal, o acordeom, o saxofone, o vibrafone e demais  instrumentos ocidentais.

Os músicos  Tamie Kitahara (koto e shamisen), a dupla de taiko Daniella e Deborah Shimada e o flautista Shen Ribeiro (shakuhachi) têm  participações especiais. A artista plástica Érica Mizutani colabora com ilustrações que compõem  o projeto cenográfico do show, com imagens de várias facetas do Japão moderno e antigo.

Para conhecer mais sobre o trabalho do grupo, clique aqui, para ouvir  a releitura das canções  Asadoya Yunta Sakura, Sakura. E aqui você pode comprar os CDs e DVDs do Mawaca.

O grupo

O Mawaca  é um grupo que pesquisa e recria a música étnica do mundo todo.  Seu repertório é formado por canções  da  Irlanda, Finlândia, Japão, Indonésia, entre outros países. A esses ritmos diversos  contrapõem-se a música brasileira.

Formado por sete cantoras e seis músicos, o Mawaca interpreta canções em vários  idiomas, misturando instrumentos tradicionais e clássicos  – como acordeom, violoncelo, flauta e sax soprano, contrabaixo, com os típicos de cada cultura: tablas indianas, derbak árabe, djembés africanos, berimbau, vibrafone e pandeirões do Maranhão.

Desde sua criação, em 1995, já foram produzidos seis CDs, dois DVDs e um livro. Seu último trabalho lançado em CD e DVD é Rupestres Sonoros, um delicado e profundo entrelaçamento entre os cantos indígenas de povos da Amazônia e a arte rupestre brasileira.

Em 2013, o MAWACA lança  o show Inquilinos do Mundo, uma viagem musical pelo universo dos povos nômades, ciganos e refugiados .