47 HAICAI – O JAPÃO NO FEMININO – HAIKU

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Kitagawa Utamaro. “Três belezas de nossos dias”, 1793.

No ocidente, só conhecemos Bashô, Buson, Issa e Shiki, os quatro grandes mestres do haicai. Mas as mulheres também escreveram haicai, e algumas foram contemporâneas dos mestres.  Nas mais antigas antologias japonesas, raramente está registrada qualquer obra feminina ou, quando aparece, é omitido o nome da autora aparecendo como única identificação a do marido – “esposa de Nitsusada”, como acontece em 1663.

Durante muito tempo se pensou que o haiku era uma prática exclusivamente masculina. Nos séculos IX a XI, o  tanka tornou-se uma forma feminina por questões ideológicas. Como os homens escreviam poemas chineses, as mulheres dominaram o tanka. Assim, esta forma poética passou a ser conhecida como  feminina. Contrastava por ser  uma escrita solitária e individual, enquanto o haiku era parte de uma atividade em grupo. A partir do século XVII, mais mulheres começaram a compor haiku.

Os poemas a seguir foram traduzidos para o português lusitano por Luísa Freire, a partir de um antologia organizada por Makoto Ueda, Far Beyond the Field: Haiku by Japanese Women.

ao romper do dia,
à conversa com as flores,
uma mulher só

enomoto seifu [1732-1815]

na sombra das flores
um besouro a rastejar –
súbita chuvarada

takeshita shizunojo [1890-1946]

cachos de glicinia –
retém em si a chuva
até onde podem

hashimoto takako [1899-1963]

suas vidas duram
só enquanto estão a arder –
mulher e pimenta

mitsuhashi takajo [1899-1972]

o japão no feminino – haiku – séculos xvii a xx  – organização e tradução, luísa freire.assírio e alvim, 2007.

45 ARTES – CALIGRAFIA JAPONESA EM CURITIBA

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O caligrafista japonês Tairiku Teshima abrirá a exposição ” A dinâmica arte do Shosho – Caligrafia Simbólica do Japão”, nesta quarta-feira (17), a partir das 16 h, no Espaço Cultural BRDE ( Palacete dos Leões), em Curitiba. O Espaço Cultural BRDE fica na Avenida João Gualberto, 530/570, no bairro Alto da Glória.

Embora a  caligrafia tenha uma longa tradição no Japão, foi só a partir do uso oficial da escrita chinesa (kanji) que se tornou uma arte, não variando até a Segunda Guerra Mundial. A partir de então, é desenvolvida a arte do Shosho, a caligrafia artística, muitas vezes usando apenas um ideograma, em vez de vários. Esta arte influenciou outros campos e escolas artísticas, como a pintura do Expressionismo Abstrato.

Esta exposição tem o apoio do Consulado Geral do Japão em Curitiba, Museu Hikaru, Câmara do Comércio Brasil-Japão, Instituto Cultural e Científico Brasil-Japão, Emadel Engenharia e Obras.

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Tairiku Teshima nasceu em 1947, em Tóquio, Japão. Tairiku criou e aperfeiçoou seu estilo singular no Shosho. Ele já fez  demostrações da caligrafia no Japão e em outros países, em concursos e outros eventos. Ele já veio ao Brasil por ocasião da Comemoração dos 100 anos da Imigração Japonesa, e também se apresentou na Venezuela, México, Peru, Bolivia, Chile e Argentina, além da China (Universidade de Shangai), em Londres e Paris. Na França, recebeu a Medalha Dourada por Influência  Cultural (Médaille du Rayonnement culturel) pela Renaissance Francaise. A obra “Kan” é agora parte do acervo do Museu Guimet, em Paris.

41 ARTES – YAYOI KUSAMA É UMA DAS 100 MAIS INFLUENTES DO MUNDO

A artista Yayoi Kusama, 87, foi indicada como uma das mais 100 pessoas mais influentes no mundo pela Revista Times.

Yayoy Kusama iem seu esúudio, en Shinjuku. Tóquio, 6/4/2016.
Yayoy Kusama iem seu esúudio, en Shinjuku. Tóquio, 6/4/2016.

rtista Yayoi Kusama, 87, foi indicada como uma das mais 100 pessoas mais influentes no mundo pela Revista Times. “Esta é uma mulher que tem estado aí por um longo tempo, que tem feito coisa realmente radicais no mundo”, escreveu na última quinta-feira o designer de moda americano  Marc Jacobs, na revista de atualidades, que todos os anos premia as personalidades globais de maior destaque.

Nascida em  Matsumoto, na Prefeitura de Nagano, Kusama é conhecida pelas pinturas em que usa pontos e redes como temas. Ela diz que as obras são inspiradas em alucinações que ela experimentou quando criança. Entre 1957 e 1973,  a pintora de vanguarda envolveu-se numa ampla variedade  de atividades artísticas nos Estados Unidos, incluindoa produção de escultura, cinema,  novelas e poemas.

Jacobs descreveu o encontro com Kusama em seu estúdio, em Tóquio, em 2006. Ele a encontrou  usando perucas coloridase um vestido que parecia um  kaftan, decorado com sua marca registrada , e na conversa ficou repetindo algumas frases.

“Passamso umas poucas horas juntas, e cada vez que eu tentava ir embora, ela puxava-me de volta. Isto fazia sentido com a arte que ela criava — a intesnidade, a repetição. Ela apenas sente com a incorporação do que faz”, escreveu Jacobs.

O Japão premiou Kusama com o Mérito de Personalidade Cultural em 2009. A Revista Time diz  que ela é mais velha pessoa da lista. Outras pessoas foram distinguidas com a indicação este ano, como o Papa Francisco, o juiz brasileiro Sérgio Moro. Os asiáticos mais famosos da lista são  Yayoi e o  líder norte coreano Kim Jong Un .

“De um modo ou outro eles quebram paradigmas: quebram as regra,  quebram recordes, quebram o silêncio, quebra a escravidão para revelar do que somos capazes”,  afirma a revista. Por incluir personalidades polêmicas, defende:   “As pessoas na lista, cada um de seu modo, dão lições para ensinar. Podemos discutir estas lições; criticando ou concordando com eles.” (traduzido do inglês do site Japan Times).

38 ESPÍRITO – A MORTE PARA OS JAPONESES

No Brasil, no Dia dos Mortos, até há alguns anos, era comum famílias de descendentes de japoneses deixar um prato de comida ou bebidas diante de túmulos dos antepassados. Os japoneses ofereciam refeições aos mortos, seguindo tradição xintoísta. Hoje a prática é condenada no Japão. O pratinho de comida é oferecido no Hotokesama, o santuário doméstico em reverência aos antepassados.

Bebida no túmulo do cineasta Yasujiro Ozu.

No Brasil, no Dia dos Mortos, até há alguns anos, era comum  famílias de descendentes de japoneses deixarem um prato de comida ou bebidas diante de túmulos dos antepassados. Ofereciam-se comida e bebida aos mortos, seguindo antiga tradição xintoísta. Hoje a prática é condenada no Japão, considerada anti-higiênica. O pratinho de comida é oferecido no Hotokesama, o santuário doméstico em reverência aos antepassados.

Nas Escrituras Budistas lê-se que um dia o monge Mokuren viu a mãe morta sofrendo de fome nas profundezas do inferno. A oferta de uma tigela de arroz ajudou a aliviar a dor dela. A tradição de oferecer comida e bebida aos mortos vem daí. A prática foi proibida pelo governo japonês, por atrair corvos aos cemitérios.

Aos pioneiros imigrantes, o governo japonês recomendava não expor o hotokesama na sala de estar. A cautela era para que a diferença de crenças não chocasse os brasileiros. O santuário era colocado no quarto de dormir. A clandestinidade favoreceu o ecumenismo. Assim, a maioria dos descendentes de japoneses no Brasil, além de batizados com nomes cristãos, aderiu ao catolicismo, mas não esqueceu de prestar reverências aos ancestrais.

O culto aos ancestrais é disseminado nas corporações japonesas. Grandes empresas mantêm mausoléus para homenagear funcionários. São os monumentos empresariais, construídos pela Panasonic, Mitsubishi e Sony, entre outras, para cultuar os “soldados da empresa”. Hirochika Nakamaki, antropólogo do Museu Nacional de Etnologia da Universidade de Osaka, que estudou estes monumentos, conta que estes monumentos começaram a ser erguidos a partir dos anos 50 no Monte Koya, no sul de Osaka, onde estão sepultados daimios (senhores feudais) históricos.

Diante de memoriais empresariais pede-se votos de prosperidade nos negócios, prevenção de acidentes de trabalho e reconhecimento da preferência do consumidor. As empresas japonesas mais conceituadas são as que criam e mantêm memoriais para funcionários.

Nakamaki diz que os memoriais são uma extensão de relações entre executivos e funcionários, que reproduzem laços entre daimios e samurais. Ele sustenta que as multinacionais nipônicas adotaram o modelo do clã feudal e adaptaram rituais religiosos em suas organizações para sobreviver no mundo dos negócios.

“Trazendo os santuários xintoístas, símbolo dos laços territoriais e os templos, dos laços sanguíneos para as organizações, os daimiyos capitalistas transferiram os laços de sangue e territoriais para as empresas. Assim carregaram símbolos budistas e xintoístas com valores mercadológicos, inserindo aspectos religiosos no ambiente de trabalho para transferir sentimentos familiares aos funcionários”, diz Nakamaki.

JAPÃO

Ritual Tooro Nagashi em Hiroshima.

Os orientais não têm a mesma visão da morte que os ocidentais. A morte, tanto para chineses, japoneses, tibetanos e indianos, influenciados pela cultura budista, é ocasião de júbilo. O budista chora quando nasce uma criança e ri quando se vai um morto. Acreditam que morte é renascimento. Em vez de preto, usa branco para celebrar o luto.

O Dia dos Mortos no Japão é celebrado a 15 de agosto (O-bon). O-bon é uma festa budista em que é permitido aos espíritos mortos visitar as casas de familiares vivos para comemorar o encontro com eles. Acendem-se lanternas nas portas de entrada das casas para guiar os espíritos. No fim do festival (Tooro Nagashi) acendem-se lanternas nos rios, de onde os fantasmas retornariam ao mundo sobrenatural, após visitar os parentes durante vários dias.

O mais antigo registro sobre a comemoração do O-bon é de 657 e faz parte da história da Rota da Seda. Na época, a cidade de Asuka (hoje uma vila da cidade de Nara) era pólo da efervescência política e cultural, povoada por chineses, coreanos e persas que faziam a rota da seda, entre Pequim e arredores.

A origem da palavra vem de rituais persas de crença dos zoroastros: uruvan (urabon, em japonês): campo de energia ligando vida e morte. O zoroastrismo atingiu o Japão através da Rota da Seda fundiu-se com festivais budistas, que se tornaram populares a partir do ano 538.

Em Tóquio o Dia dos Mortos ainda é celebrado em julho, mas em outros lugares é em agosto – sétimo mês do calendário lunar, ainda considerado pela agricultura tradicional como época de plantio e colheita. As danças japonesas conhecidas em festivais japoneses como Bon-odori são originárias dos rituais fúnebres. Uma das funções das danças é espantar os maus espíritos, que também são reanimados na época.

(Publicado originalmente em micropolis, em 31/10/2004)

38 PALCO – BAN’YU INRYOKUTRAZ `TEATRO TOTAL’ EM SÃO PAULO

O grupo teatral japonês Ban’yu Inryoku retorna ao BRASIL para celebrar os 120 Anos do Tratado de Amizade, apresentndo a peça “Nuhi Kun” (Instruções aos Criados), uma retrospectiva de Shuji Terayama, um dos artistas mais importantes da vanguarda que continua sendo o mestre do grupo e de seu diretor, J.A. Seazer.

O grupo teatral japonês Ban’yu Inryoku retorna aos palcos brasileiros após 20 anos. Na primeira visita, em 1995, o grupo apresentou o espetáculo “Suna”, no Teatro Sesc Anchieta e no Sesc Santos, por ocasião das comemorações dos 100 Anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação Brasil-Japão. Desta vez, para celebrar os 120 Anos do Tratado de Amizade, o grupo apresentará “Nuhi Kun” (Instruções aos Criados). Trata-se de uma nova montagem e também uma retrospectiva de Shuji Terayama, um dos artistas mais importantes da vanguarda que foi e continua sendo o inspirador e mestre do grupo e de seu diretor, J.A. Seazer.

Grupo esteve no Brasil em 1995 para celebrar os 100 Anos do Tratado e volta agora para os 120 Anos (Foto: Yuji Kussuno)

A agenda prevê uma série de apresentações. A primeira será no dia 13 de novembro, no Teatro Yuba, em Mirandópolis (SP), que recentemente recebeu o dançarino Yoshito Ohno, filho e herdeiro artístico de Kazuo Ohno (1906-2009) um dos fundadores do butô.

Nos dias 21 e 22 de novembro, o espetáculo será apresentado no Teatro Sesc de Santos. O grupo encerrará sua mini turne na capital paulista, com duas apresentações no Teatro Sesc Pinheiros, nos dias 28 e 29 de novembro.

Crítica define trabalho do grupo como “teatro total” (Foto: Yuji Kussuno)

Com 1h40 de duração, “Instruções aos Criados”, de Jonathan Swift (adaptado e dirigido originalmente por Shuji Terayama e, agora, por J.A. Seazer) já foi apresentado mais de 200 vezes, sendo 154 delas fora do Japão, em países das Europa, Oriente Médio e Estados Unidos, totalizando 31 nações diferentes, sempre recebendo aclamações da crítica e do público.

Fundado há mais de três décadas, o Ban’yu Inryoku mistura elementos circenses, artes marciais, releituras de Nô e Kabuki, punk-rock, cultural popular, teatro ritual, mímica surrealismo, ópera experimental e outras referências. Não à toa, a crítica costuma classificar seu trabalho como “teatro total”.

Ban’yu Inryoku utiliza várias referências em seu trabalho (Foto: Yuji Kussuno)

O grupo, que virá com 30 pessoas, costuma utilizar linguagem visual e muita iluminação, com pouco texto, sendo, portanto, de fácil percepção”, explica o fotógrafo  e coordenador da vinda do grupo ao Brasil, Yuji Kusuno. Segundo ele, parte da estrutura do palco, de 15 níveis, virá especialmente do Japão.

Grupo japonês Ban’yu Inryoku traz ao país o ‘teatro total’ (Foto: divulgação)

Com organização do Sesc, o espetáculo conta com apoio do Ministério da Cultura do Japão, Comissão Organizadora Nacional dos 120 Anos do Tratado de Amizade, Comércio e Navegação Brasil-Japão, Fundação Japão, Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), Kenren (Federação das Associações de Províncias do Japão no Brasil) e jornais Nikkey Shimbun, Nippak e São Paulo Shimbun. (NOTÍCIA EXTRAÍDA DO NIPPAK SHIMBUN)

38 NOTÍCIAS – CURITIBA VÊ TEATRO NOH INÉDITO

Hagoromo. Divulgação.
Hagoromo. Divulgação.

Curitiba receberá, nos dias 8 e 9 de outubro, pela primeira vez, uma companhia  japonesa de teatro Noh, do mestre  Takayuki Kizuki, da Escola Kanze, de Tóquio. A companhia encenará duas peças, Hagoromo (Manto de Plumas) e Tshuchigumo no Guairinha. Hagoromo é uma das mais famosas peças encenadas no mundo todo, de autoria  atribuida a Zeami (1363~1443), um dos fundadores do Noh. A peça foi traduzida, em 1993,  pelo poeta Haroldo de Campos, num grande trabalho de transcriação da língua japonesa arcaica.

Na trama, o pescador Hakurijo encontra a ninfa dos céus Tennin. Ela desce para um banho aos pés do monte Fuji, deixando seu manto numa árvore. Quando encontra o artigo tão sublime, o pescador decide guardá-lo como relíquia familiar, mas logo é interpelado por Tennin. Ela chora pedindo o manto, sem o qual não pode retornar ao céu. Ele pede então que ela dance para ele, e ela aceita, mas pede o manto primeiro. Quando ele desconfia e diz que, se entregar o artigo, ela partirá sem dançar, a ninfa sentencia: somente na Terra existe a mentira. Envergonhado, Hakurijo entrega o manto e assiste à dança maravilhosa enquanto o ser alado vai embora lentamente.

Tsuchigumo é um clássico em torno de um tema muito frequente: a presença de espíritos maus ou bons que definem o andamento das situações. Em sua apresentação, sobressaem os recursos tecnológicos do século 21 – as teias de aranha –  visualmente um espetáculo à parte, em meio ao gestual e indumentárias suntuosas e clássicas do Noh.

No intervalo das duas peças será encenado o Kyogen, uma espécie de comédia japonesa. A companhia traz a peça Kombu-Uri (O Vendedor de Algas),  farsa que junta um nobre arrogante   e um vendedor de algas muito esperto. Reparem nas expressões faciais, nos gestos rápidos e largos, no tom de voz que insinua situações duvidosas, na sátira inteligente e nas brincadeiras.

MÁSCARAS

No teatro Noh, os atores usam pesadas máscaras, com expressões faciais consagradas pela tradição. A principal delas é Ko-Omote, (Era Edo/ 1603-1867) , símbolo do Teatro Nô, representando a pureza feminina. “Ko” significa graça e jovialidade e “Omote”, a máscara. É amplamente utilizada nas peças divinas, como a famosa Tsuru e Kame (Cegonha e Tartaruga), oriunda da China antiga, quando se festeja o início da primavera no Palácio Imperial. É também usada em Hagoromo .

Uma Exposição de Máscaras do Teatro Noh estará aberta no Hall da Biblioteca do Clube Curitibano a partir de 17/09/15.

PROGRAMAÇÃO PARALELA

A programação paralela do evento inclui dois workshops e uma série de palestras. Na quinta-feira (8), à tarde, das 14 às 16 horas, os mestres da escola Kanze farão um workshop pago, no valor de R$ 150, incluindo o ingresso, e na sexta-feira (9) o workshop será aberto ao público em geral.  As palestras acontecem na  Reitoria da Universidade Federal do Paraná ( Rua General Carneiro, 460)  e contam com a participação dos professores  Christine Greiner (PUC – SP),  Luci Collin (UFPR), Munira Mutran e Klaus Eggensperger (UFPR) e Marcia Namekata (UFPR)

Mais informações no site do evento.

33 NOTÍCIAS | ABERTAS INSCRIÇÕES PARA BOLSAS NO JAPÃO

Universidade de Tóquio.
Universidade de Tóquio.

Continuam abertas até 30 de junho as inscrições para bolsas de estudos oferecidas pelo Ministério de Negócios Exteriores do Japão (MEXT). Estão sendo ofertadas bolsas para cursos de graduação, curso técnico superior e curso profissionalizante. As provas e entrevista são julho, mês em que também será divulgado o resultado. As bolsas são para o período de 2015 e o ano letivo começa em abril.

Os pré-requisitos são ter nacionalidade brasileira, ensino médio completo até dezembro de 2014; ter de 17 a 21 anos de idade em 1 de abril de 2015 (nascidos entre 02/04/1993 e 01/04/98), ter bom domínio da língua inglesa ou japonesa, disposição para aprender a língua japonesa e assistir aulas nesse idioma, recomendável conhecimento básico da língua japonesa.

A remuneração será no valor de 117.000 ienes, aproximadamente R$ 2.769 por mês. Dependendo da região, o valor mensal poderá ser acrescido de 2.000 a 3.000 ienes. Valores sujeitos à alteração. A bolsa arca com as passagens de ida e volta e isenção de taxas acadêmicas.

Veja especificidades sobre as bolsas oferecidas em cada modalidade:

Bolsa de Graduação

O interessado deve cursar a graduação em uma universidade japonesa, com duração de 5 anos. Inclui curso preparatório de língua japonesa e outras disciplinas durante o primeiro ano. A duração será de cinco anos (abril de 2015 a março de 2020). Para as áreas de odontologia, veterinária e medicina, a duração será de sete anos.

Bolsa de Escola Técnica

A bolsa para cursar a escola técnica no Japão, com duração de 4 anos, inclui curso preparatório de língua japonesa e outras disciplinas durante o primeiro ano. A duração é de quatro anos (abril de 2015 a março de 2019). As áreas de estudo são engenharia de materiais, engenharia mecânica, engenharia da informação, da comunicação e network, engenharia elétrica e eletrônica, engenharia marítima, arquitetura e engenharia civil.

Bolsa de Curso Profissionalizante 

O curso profissionalizante no Japão terá duração de três anos. Consiste no preparatório de língua japonesa e outras disciplinas durante o primeiro ano e, no profissionalizante, nos dois anos seguintes. As áreas de estudo serão engenharia civil, secretariado, arquitetura, administração, hoteleira, engenharia elétrica, turismo, eletrônica, moda, telecomunicação, design, nutrição, fotografia e educação infantil.

32 PESQUISA | NISHIKI ICHIBA, ALÉM DO JAPÃO EXÓTICO

Uma feira de produtos populares.

Texto e fotos por Victor Hugo Kebbe

Não posso descrever todas as sensações que senti quando visitei Kyoto pela primeira vez na minha vida. Que eu tenho uma relação especial com o Japão não sobra dúvidas. Mas Kyoto tem essa energia especial, inacreditável e indescritível, que leva todo o visitante de volta no tempo para um passado distante e, para muitos, um passado surreal, como se estivéssemos deslocados no espaço-tempo continuum.

Kyoto foi estabelecida no século VII, em uma terra chamada Yamashiro-no-kuni pelo Imperador Kammu. Estritamente seguindo a geomancia chinesa da Dinastia Tang (você pode ver pelo layout da cidade, a malha urbana e a disposição dos quarteirões), orientações do feng shui e a proteção natural oferecida pelas montanhas circundantes, Kyoto, antigamente conhecida como Heiankyō, foi a segunda capital do Japão, precedida por Heijōkyō, Nara.

Doces e alimentos em profusão
Doces e alimentos em profusão

Fortemente influenciada pela cultura chinesa, budismo, literatura, música, dança, artes e leis, Kyoto vivenciou o Período Heian, considerado por alguns como o apogeu ou a epítome da nobreza e vida na corte. Conhecida até os dias de hoje como um dos meiores centros da alta arte japonesa, Kyoto é uma cidade que ainda exala graciosidade, independente do distrito em que você esta localizado.

Se você quer itens de artesanato da melhor qualidade ou mesmo conhecer outras facetas da culinária japonesa, você deve definitivamente ir para Kyoto, um lugar obrigatório para cada visitante que aterrissa em território japonês. Sobre a culinaria japonesa, bem, venho para falar sobre um lugar especial cujas lojas tradicionais são fontes de ingredientes infinitos não apenas para o dia-a-dia, mas também para os melhores restaurantes da cidade. Hoje falarei da Cozinha de Kyoto.

Há alguns meses atrás escrevi um artigo sobre as aventuras gastronômicas de Jiro Taniguchi e Masayuki Kusumi no fantástico manga Gourmet (孤独のグルメ). Como escrevi naquele texto, uma das melhores experiências que você pode ter no Japão é encontrar tamanha diversidade e uma culinária fantasticamente saborosa, às vezes encontrando surpresas em lugares inesperados que transcendem aquela lógica de que “no Japão eles só comem sushi, sashimi e temaki.”

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Louças ou quinquilharias, de tudo se acha.

Mais uma vez, por pratos típicos japoneses, estou falando sobre o que você come no dia a dia na Terra do Sol Nascente. Não, não aquela estupidez de pensar que o Japão foi tomado por temakis. Muitos dos meus amigos ainda se surpreendem quando digo que há muito mais coisas que sushi e sashimi. Um dos melhores lugares para entender, sentir, cheirar e experimentar esta dimensão da vida cotidiana japonesa é visitando o Mercado Nishiki ou Nishiki Ichiba (市場), um lugar mágico consistindo de longos e estreitos quarteirões próximos à rua Teramachi (寺町通) e muito perto de Pontochō (先斗町).

Suas primeiras lojas tradicionais datam do século XIV, tornando-se um dos mais importantes fornecedores de peixe da cidade. Nishiki Ichiba gradualmente se transformou em um grande mercado, cujos produtos incluem não só alimentos e ingredientes para cozinha, mas também artesanato, porcelanas e outros badulaques da vida cotidiana. Ao longo de várias lojinhas de tremeliques, quitandas, lojas de arroz, peixarias, docerias e sorveterias existem vários restaurantes servindo comidas típicas. Ao final, o tour em Nishiki Ichiba pode durar por horas a fio, repletas de comida boa que é totalmente desconhecida aos estrangeiros. Com seu pé direito alto e telhas de vidro verdes, vermelhas e amarelas, Nishiki Ichiba é apinhada de gente de todo tipo, todos imersos em um mundo de cheiros e gostos infinitos.

Diversão para visitantes do Japão e fora.
Diversão para visitantes do Japão e de fora.

Na primeira vez que estive em Nishiki Ichiba estava acompanhado da presença de grandes amigos, uma delas residente de Kyoto naqueles tempos. Conhecendo para beco, viela e rua da cidade, ela me levou para um dos lugares mais impressionantes de Kyoto, um mercado que me fascinou de pronto. Convenhamos, o Japão definitivamente não é um lugar invadido por Monstros Sushi, Sashimi-zillas ou Temakis Robóticos.

Levou alguns anos para que pudesse retornar ao mercado, desta vez prestando atenção em outros detalhes que passaram despercebidos naquela vez. Antes uma profusão de sinais para todos os sentidos, agora o Nishiki Ichiba me era um lugar extremamente familiar, cujos lojistas e passantes eram todos muito gentis, que não hesitavam em trocar algumas palavras, em japonês, com um pesquisador que se sentia de volta em casa. Por um breve momento tudo parecia congelado no tempo. Ou ao menos parecia que o tempo passava mais devagar naquele mercado. Preocupe-se menos com sushis, templos, santuários e todo aquele mimimi de alta tecnologia e se permita a ser fisgado pelo estômago. Dê uma chance. Te garanto que será delicioso.

22popimagem02Victor Hugo Kebbe é Doutor em Antropologia Social pela UFSCar. Além de realizar pesquisas sobre a comunidade nikkei no Brasil, se dedica ao estudo de parentesco japonês e famílias decasséguis no Japão. Foi Fellow da Japan Foundation, pesquisador associado da Faculdade de Educação da Shizuoka University e do Instituto de Antropologia da Nanzan University, Nagóia. É autor do blog Japanologia.

32 ARTES – "OBSESSÃO" DE YAYOI KUSAMA CHEGA A SÃO PAULO

 

"I'm Here, But Nothing" (2000-2012).
“I’m Here, But Nothing” (2000-2012).

Depois de passar pelo Rio e Brasilia, chega a São Paulo a exposição Obsessão infinita, de Yayoi Kusama no Instituto Tomie Ohtake, trazendo novidades: mais duas obras. São duas esculturas,  “Sem título”, 1962-1963 , da série “Accumulations”e Sem título” , da série “Desire for Death”[Desejo de morte], 1975-1976 “. Essa última, destaque na Tate Galery, é composta por dez pares de sapatos femininos, de salto alto, repletos de formas fálicas feitas de tecido estofado.  Já em “Desejo de Morte”,agrupamentos de apêndices,  formas excêntricas em tecido pintadas de prateado, emergem de panelas comuns e conchas de cozinha. Em ambas, objetos do cotidiano projetam obsessões particulares da artista.

Em 1973 Yayoi Kusama retornou ao Japão e, desde 1977, vive voluntariamente em uma instituição psiquiátrica. Em seus trabalhos mais recentes, a artista renovou o contato com seus instintos mais radicais em instalações imersivas e colaborativas – peças que fizeram dela, com justiça, a artista viva mais celebrada do Japão. Obsessão infinita traça a trajetória d e Yayoi Kusama do privado ao público, da pintura à performance, do ateliê às ruas.

A artista nasceu na cidade de Matsumoto, Japão, em 1929. Começou a realizar seus trabalhos poéticos  nos anos 1940, antes de iniciar sua celebrada  série “Infinity Net” (Rede Infinita), no final dos anos 1950 e no início dos 1960.  Sua mudança para New York, em 1957, foi um divisor de águas. Foi nessa época que entrou em contato com Donald Judd, Andy Warhol, Claes Oldenberg e Joseph Cornell. Sua prática de pintura abriu caminho para esculturas delicadas, conhecidas como “Accumulations” (acumulações) e, em seguida, para performances e happenings que se tornaram selos da subcultura marginal e renderam, para a artista, notoriedade e a atenção das principais correntes críticas de então.

Este evento vai do dia 22/05/2014 ao dia 27/07/2014, mas apenas Domingo, Terça, Quarta, Quinta, Sexta e Sábado
Horário: De terça a domingo, das 11h às 20h

 

30 GASTRONOMIA | KURISUMASU KEEKI, O BOLO DE NATAL JAPONÊS

30gastronomiaimagem02Japonês também comemora Natal. Nos anos 80, era uma espécie de Dia dos Namorados,  incluindo  jantar em restaurante, troca de presentes e final de noite em um hotel de luxo, tudo regado a muito champanhe. Com a  desaceleração da economia japonesa, a festa de Natal se transformou em algo do tipo  do it yourself e como no Ocidente, é uma festa familiarMas na ceia, em vez de peru,  frutas e panetone, os japoneses preferem   o  karaage (frango frito, crocante e bem temperado), acompanhado pelo  kurisumasu keeki, o  bolo de Natal.

Em vez de Papai Noel, as crianças acreditam em Jizo , uma entidade xintoísta que representa o espírito do renascimento. As ruas também ficam iluminadas e as pesssoas se cumprimentam com kurisumasu Omedeto. Para quem quiser experimentar fazer uma sobremesa de natal japonesa, segue abaixo, a receita.

RECEITA

  • 3 ovos
  • 100 g açúcar
  • 90 g de farinha peneirada
  • 30 g de manteiga derretida
  • 1 colher de sopa de água
  • 400 g de creme de leite fresco gelado
  • 5 gotas de essência de baunilha
  • 3 colheres de sopa de açúcar
  • 1 caixa de morango
  • 50 ml de água
  • 50 g de açúcar
  • 1 colher de sopa de grappa italiana ou outro aguardente perfumadoPreparo :
Pão-de-ló
Bata os ovos inteiros e o açúcar em banho-maria, na batedeira elétrica ou no fouet, até a mistura atingir 45ºC (quando ao toque estiver quente, mas suportável). Retire imediatamente, continue a bater até esfriar e a mistura triplicar de volume. Coloque a colher de água e continue a bater, misturando com a espátula a farinha peneirada 3 vezes. Quando a mistura estiver bem homogênea, coloque a manteiga derretida e misture mais um pouco.
Coloque em fôrma redonda de 20 cm, untada com manteiga líquida e farinha de trigo, e vaporize a superfície da massa com água (isso evita rachaduras).
Asse em forno preaquecido (180ºC) por 25 a 30 minutos (não abra o forno durante o processo). Retire do forno, sem esquecer o teste do palito ou pressionando de leve a superfície (que deve estar firme). Sobre um pano de prato espesso, jogue de leve a fôrma de altura de 30 cm – esse pequeno choque retirará o ar e evitará que o bolo fique enrugado. Deixe esfriar sobre uma grelha por 10 minutos e desenforme sobre a grelha, até esfriar completamente.
Esse pão-de-ló fica melhor no dia seguinte. Logo que esfriar deve ser embrulhado em filme-plástico e pode ser conservado por 3 dias em temperatura ambiente, 10 dias na geladeira e 1 mês no congelador.
Cobertura
Bata o creme de leite gelado até começar a engrossar, junte o açúcar e a essência de baunilha. Ele não deve ficar muito duro. Em uma escala de 1 a 10, sendo 1 para o creme de leite sem bater e 10 para o batido até quase granular, a cobertura deve estar entre 7 e 8: quer dizer, espessa o suficiente para cobrir o bolo, mas leve e lisa, quase escorrendo.
Calda
Misture todos os ingredientes à frio, até derreter o açúcar completamente. Preencha um vaporizador com essa calda.
Montagem
Corte o pão-de-ló em 3 partes na horizontal, utilizando uma faca de serra. Vaporize com a calda todas as fatias e recheie com o chantilly e fatias de morangos cortadas ao meio, reservando os mais bonitos para decorar o bolo. Cubra o bolo com o chantilly e enfeite com os morangos. Refrigere por algumas horas antes de servir.