45 ARTES – CALIGRAFIA JAPONESA EM CURITIBA

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O caligrafista japonês Tairiku Teshima abrirá a exposição ” A dinâmica arte do Shosho – Caligrafia Simbólica do Japão”, nesta quarta-feira (17), a partir das 16 h, no Espaço Cultural BRDE ( Palacete dos Leões), em Curitiba. O Espaço Cultural BRDE fica na Avenida João Gualberto, 530/570, no bairro Alto da Glória.

Embora a  caligrafia tenha uma longa tradição no Japão, foi só a partir do uso oficial da escrita chinesa (kanji) que se tornou uma arte, não variando até a Segunda Guerra Mundial. A partir de então, é desenvolvida a arte do Shosho, a caligrafia artística, muitas vezes usando apenas um ideograma, em vez de vários. Esta arte influenciou outros campos e escolas artísticas, como a pintura do Expressionismo Abstrato.

Esta exposição tem o apoio do Consulado Geral do Japão em Curitiba, Museu Hikaru, Câmara do Comércio Brasil-Japão, Instituto Cultural e Científico Brasil-Japão, Emadel Engenharia e Obras.

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Tairiku Teshima nasceu em 1947, em Tóquio, Japão. Tairiku criou e aperfeiçoou seu estilo singular no Shosho. Ele já fez  demostrações da caligrafia no Japão e em outros países, em concursos e outros eventos. Ele já veio ao Brasil por ocasião da Comemoração dos 100 anos da Imigração Japonesa, e também se apresentou na Venezuela, México, Peru, Bolivia, Chile e Argentina, além da China (Universidade de Shangai), em Londres e Paris. Na França, recebeu a Medalha Dourada por Influência  Cultural (Médaille du Rayonnement culturel) pela Renaissance Francaise. A obra “Kan” é agora parte do acervo do Museu Guimet, em Paris.

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44 ARTES – AS VÁRIAS FACES DAS ARTE NIPO-BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA

A história da arte nipo-brasileira começa com a atuação do grupo Seibi, que reuniu artistas como Tomie Ohtake, Manabu Mabe e Tomoo Handa, de 1935 a 1972.A primeira geração prezava pela pintura figurativa, a segunda geração preferia a abstrata. A atual é formada por artistas que usam as mais diversas linguagens artísticas.

Instalação "Nagoya", criada para Fernanda Takai. Foto: Taewaki Nio.
Instalação “Nagoya”, criada para Fernanda Takai. Foto: Taewaki Nio.

A arte nipo-brasileira já tem uma história, graças à atuação do grupo Seibi, que reuniu vários artistas de 1935 a 1972.  Faziam parte do grupo artistas como  Tomie Ohtake, Manabu Mabe e Tomoo Handa,  contribuindo para o desenvolvimento da arte abstrata e dando continuidade às ideias da Semana da Arte Moderna. A primeira geração de artistas nipo-brasileiros prezava pela pintura figurativa. A segunda geração preferia a pintura abstrata. A atual é formada por artistas que usam as mais diversas linguagens artísticas. Muitos artistas com sobrenomes japoneses se projetarm na arte nacional a partir da década de 50, quando surgiu o Salão do Grupo Seibi, com a realização de 14 edições até a década de 70. Vários estrearam na Bienal de Artes de 51.

Na exposição “Olhar Incomum – Japão Revisitado”, vemos um pouco da pesquisa dos artistas nipo-brasileiros contemporâneos. Muitos mantèm ainda profunda conexão com a arte japonesa, tanto na forma como no conteúdo (como Sandra Hiromoto). Outros usam apenas as formas japonesas (como Alice Shintani, Erika Kobayashi e Mai Fujimoto). As artes japonesas tradicionais, como a gravura japonesa (ukiyo-e), a Cerimônia do chá, o haiku e tanka, a arte de colar peças com ouro (kintsugui) fazem parte do repertório destes artistas.  Ou então, há citações sobre os hábitos da vida dos imigrantes japoneses, como o baralho de flores (hanafuda) e o ofuro (banho japonês). Um terceiro grupo usa apenas o tema japonês (como Fernanda Takai) e há aqueles que se desconectaram do Japão, como James Kudo e Alline Nakamura.

Os mapas de Erica Kaminishi. Foto: Tatewaki Nio.
Os mapas de Erica Kaminishi. Foto: Tatewaki Nio.

Entre os brasileiros que já estiveram no Japão, temos Fernanda Takai, que compôs a canção” Nagoya”, em ritmo de bossa-nova para maior terceira maior cidade japonesa, depois de Tóquio e Osaka.  Há três artistas que fizeram estudos de pós-graduação no Japão: Erica Kaminishi, Fernando Saiki e Yukie Hori. Kaminishi trabalha com o mapa e relevo do Japão, colocando as várias ilhas japonesas em destaque.  Saiki, além de apropriar-se da técnica de ukiyo-e, também faz referência á técnica de amarração erótica shibari, usada para prender mulheres e que atualmente é usada para  tingir tecidos.  Usando o e-maki (rolos de imagens,  no qual se ilustravam narrativas), Hori faz citações de fotógrafos japoneses famosos, como Hiroshi Sugimoto.

Shibari, a técnica japonesa de amarração de nós, na gavura deFernando Saiki. Foto: Tatewaki Nio.
Shibari, a técnica japonesa de amarração de nós, na gravura deFernando Saiki. Foto: Tatewaki Nio.
Yukie Hori: citações de artistas japoneses famosos. Foto: Tatewaki Nio.
Yukie Hori: citações de artistas japoneses famosos. Foto: Tatewaki Nio.

A invisibilidade parece não ter nada a ver com o dragão colorido, pintado numa das paredes do museu por Atsuo Nakagawa.  Atsuo nasceu na cidade de Quioto e  faz uma pintura mural onde está presente o ícone de várias culturas do oriente, desde os mongóis, passando pelos chineses e japoneses. No grafite de  Atsuo, o dragão tem composição sinistra com caveiras e cruzes, lembrando a predileção destes símbolos pelo movimento punk. Ao mesmo tempo, do animal mitológico saem muitos pássaros. Aí, a citação é de Sun Tzu. O estrategista chinês conta em seu livro que venceu uma batalha ao montar um exército com espantalhos no alto da montanha, e uma equipe de guerreiros que faziam muito barulho atrás. Através de tal estratégia, conseguiu aterrorizar o inimigo e vencer a batalha.

O dragão de Atsuo Nakagawa. Foto: Tatewaki Nio.
O dragão de Atsuo Nakagawa. Foto: Tatewaki Nio.

A gravação em laca japonesa, cuja técnica é conhecida como charão, feita por Takako Nakayama é um trabalho que exige paciência. Num workshop oferecido no MON, a artista explicou que a gravação pode ser feita com tinta dourada ou prateada para sobressair no fundo negro. A filosofia de esconder-se, ou entremostrar-se continua presente. Para que as imagens se tornem visíveis, a gravadora precisa de horas e horas de trabalho.

Laca japonesa (charão) é a técnica usada por Takako Nakayama. Foto: Tatewaki Nio.
Laca japonesa (charão) é a técnica usada por Takako Nakayama. Foto: Tatewaki Nio.

Tatewaki Nio, nascido em Kobe, compõe grandes painéis fotográficos da cidade de São Paulo, trazendo as rúinas da metrópole, com um olhar japonês. Embora as fotos retratem construções abandonadas da métropole, o artista estudou a composição para integrar os prédios na paisagem. Desta maneira, as edificações monstruosas – incluindo a ponte espraiada – tornam-se parte de uma estética, que joga com a simetria (buscando um ângulo ocidental) e a assimetria (ângulo japonês) das formas. O trabalho de Nio foi colocado pelo jornal New York Times como de excelência internacional, ao lado de Miguel Rio Branco e outros 7 brasileiros.

Série "Escultura do Inconsciente", de Nio. Foto: Tatewaki Nio.
Série “Escultura do Inconsciente”, de Nio. Foto: Tatewaki Nio.

Na obra “Carapaça”, de Futoshi Yoshizawa, o que se vê é o olhar japonês: um objeto que parece uma grande vagem com frestras. Pela abertura não se vê nada, mas tal proposta lembra o caminho até os templos japoneses. Para entrar nos templos,  é preciso vencer várias barreiras com cordões até chegar ao lugar mais profundo (oku), onde se localizar o santuário. Tal “carapaça” representa com exatidão uma cultura que prefere esconder-se a mostrar, como descreve o escritor  Jun-ichiro Tanizaki em seu livro de ensaio lírico “Em louvor da sombra”. O artista fez uma performance de shodô (caligrafia japonesa) na abertura da exposição, apontando a mistura das culturas brasileira e japonesa: “no ipê-amarelo / florescem com orgulho / as cerejeiras”.

Carapaça, de Futoshi. Foto: Tatewaki Nio.
Carapaça, de Futoshi Yoshizawa. Foto: Tatewaki Nio.

Há um grupo de artistas que aparentemente não fazem referência ao Japão, nem na técnica nem na obra, Para estes, a natureza se impõe como um elemento essencial.  James Kudo usa adesivos para compor um painel que denuncia a transformação social de pequenas cidades, como sua cidade natal, Pereira Barreto, no interior de São Paulo, através da construção de barragens. A composição em módulos, entretanto, é um processo muito japonês, que lembra a técnica de montagem, presente na composição dos ideogramas e no planejamento da casa japonesa.

Série "Puxadinho", de James Kudo. Footo: Tatewaki Nio.
Série “Puxadinho”, de James Kudo. Footo: Tatewaki Nio.

Yasushi Taniguchi denuncia a devastação ecológica, ao expor desenhos de árvores sobre lâminas de motosserras. Alline Nakamura expõe desenhos e fotos cuja tônica é o deslocamento do olhar, retratando a pequena cidade com traços de urbanização. Vistos de longe, a “escrita da luz” (fotografia)  assemelha-se a outros  tipos de escritas.Marta Matsushita traz uma obra em que propõe um jogo com  resíduos de insetos e de pássaros, inseridos num contexto urbanizado. Cesar Fujimoto fala de um outro tipo de casa, as habitações populares, que se assemelham a caixas de correio.

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Instalação criada por Yasushi Taniguchi.   Foto: Taewaki Nio.
Os ninhos de Marta Matsushita. Foto: Tatewaki Nio.
Os ninhos de Marta Matsushita. Foto: Tatewaki Nio.
Deslocamento no olhar urbano, de Alline Nakamura. Foto: Tatewaki Nio.
Deslocamento no olhar urbano, de Alline Nakamura. Foto: Tatewaki Nio.
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Instalação criada por César Fujimoto.  Foto: Taewaki Nio.

Com grandes blocos de pedra,  Julia Ishida propõe um jogo para descobrir representações eróticas  no claro e o escuro de uma caverna. Num grande painel, Erica Mizutani se refere à presença de elementais da natureza,  coloridos e disfarçados sob as substâncias químicas do cérebro, dopamina e serotonina.

Tríptico de Júlia Ishida. Foto: Tatewaki Nio.
Tríptico de Júlia Ishida. Foto: Tatewaki Nio.
"Dopamina e serotonina", de Érica Mizutani. Foto: Tatwaki Nio.
“Dopamina e serotonina”, de Érica Mizutani. Foto: Tatwaki Nio.
Erika Kobayashi: transgressão do ritual do chá. Foto: Taewaki NIo.
Erika Kobayashi: transgressão do ritual do chá. Foto: Taewaki NIo.

A presença do Japão pode ser confortável ou perturbadora, como na obra “Esta não sou eu”, de Erika Kobayashi. Numa performance de 15 minutos, a artista carrega uma boneca kokeshi até chegar ao lugar em que realizará o ritual da cerimônia do chá. Chegando ao lugar, Erika desveste o quimono e, de pernas à mostra, procede rigorosamente o ritual. A transgressão às regras do Chado tem um componente da modernidade feminina, substituindo a disciplina imposta pela tradição. Temos, em seu lugar uma reafirmação de identidade, mais brasileira do que japonesa.

A antropofagia na obra de Alice Shintani. Foto: Taewaki Nio.
A antropofagia na obra de Alice Shintani. Foto: Taewaki Nio.

O mesmo acontece com o hanafuda de Alice Shintani: num jogo de linguagem muito irônico, as tradicionais imagens de flor, pássaro e lua são substituídas por imagens de pontas de flecha e grafismo indígenas. O que está em jogo é a antropofagia, com a deglutição do outro externo (Japão) e outro interno (Ameríndia/Brasil).

Sandra Hiromoto propõe um jogo  de olhar a partir de tambores de latão. No pós-guerra, os latões  serviam como recipientes para o banho do ofurô – o banho é retratado na imagens de mulheres  japonesas . Através do processo alquímico, a  matéria densa – lembrar que os tambores  transportam petróleo, o precioso combustível  que fez riquezas e misérias no século XX – transmuta-se em matéria fluida. Imensos talos de bambu apontam para a expansão do universo feminino nos últimos cinquenta anos.

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Por fim, há a poesia de Marilia Kubota. Se na abertura da exposição o haicai “nesta tribo / nada é proibido / siga os sentidos” indica a liberdade de invenção que pauta uma cultura marcada pela mestiçagem, o poema ryoanji lembra o rigor do  jardim zen de Kyoto. Neste jardim , onde se estão dispostas 15 pedras de diferentes tamanhos e grupos. Diz-se que só um iluminado pode ver todas as 15 pedras ao mesmo tempo.  O poema de Marilia aponta para este aquietamento, talvez o estado de espírito  mais desejado  pelas multidões inquietas de nosso tempo.

O JAPÃO COM A COR DO BRASIL

41 HQ – STELLE FLORES E THAIS UEDA CONVERSAM EM CURITIBA

Estelle e Thais diante de seus impressos.
Estelle e Thais diante de seus impressos na Livraira Itiban.

Na última segunda-feira,  as artistas visuais Estelle Flores e Thais Ueda conversaram com seus fãs e leitores na Itiban Comics Shop,  em Curitiba. As artistas contaram um pouco sobre seus processos criativos, suas trajetórias e repertórios, até a fase de produção final de um projeto. Estelle Flores é ilustradora e artista gráfica, co-fundadora da Selva Press,estúdio independente de Risografia em Curitiba. Thais Ueda é artista visual e ilustradora, vive em São Paulo, e recentemente lançou o livro Batoquim, pela editora Lote 42.

Ambas as artistas disseram que unem artes da cultura pop, como história em quadrinhos, grafite e tatuagem a processos tecnológicos avançados. Estelle Flores, por exemplo, usa a risografia, que é uma técnica inspirada na gravura japonesa, em que as cores são impressas separadamente por uma máquina semelhante ao mimeógrafo.  De acordo com ela, há bem poucos artistas que se interessam pela técnica no mundo, por isto eles trocam muitas informações , em grupos fechados na internet.  Seu estúdio recebe tantos serviços de artistas quanto comerciais.

Um dos últimos trabalhos impressos pela Selva Press.
Um dos últimos trabalhos impressos pela Selva Press.

Thais, que há pouco tempo se aventura a pintar murais em São Paulo, disse que quando não conhecia, achava que o grafite era uma arte perigosa. “Achava que só pintavam à noite. Depois eu vi que também pintavam de dia. Achava que mulheres não faziam grafite. Depois vi que havia mulheres nesta arte”, conta.

Mural de Thais Ueda em São Paulo.
Mural de Thais Ueda em São Paulo.

Thais ainda revelou que o universo da cultura pop não era novo para ela, pois na faculdade teve aulas com o quadrinista Luiz Gê.  Nas HQs, Thais está mais acostumada a desenhar a figura humana e tem mais dificuldade em compor cenários: “Muitas vezes prefiro jogar um fundo preto para resolver e não ficar pensando em detalhes”, confessa. Uma das grandes influências de seu trabalho é dos Irmãos Hernandez  (que tem trabalhos como “Love & Rockets” e “Crônicas de Palomar”).

As artistas já expuseram ou expõe em galerias, mas têm preferido criar zines, livros ou gravuras para vender em feiras ou seus canais na internet. Thaís já fez muitas ilustrações comerciais trabalhos para agências de propaganda e grandes marcas, como O Boticário,  Natura, e C&A, que se diferenciam de suas obras artísticas. “Para estas marcas, eu precisava fazer desenhos mais limpos. Em geral meu traço é mais sujo. Em geral trabalho mais em preto e branco. Para as marcas, eu precisava trabalhar com cor”, explica.

No admirável mundo novo da cultura pop, as artistas tentam sobreviver fugindo do grande circuito comercial, com várias atividades, vendendo pela internet ou em feiras de artistas. Pelo visto, estão conseguiindo, (Mariia Kubota).

40 ARTES – 'OLHAR INCOMUM' REVISITA O JAPÃO NO MON

Fernanda Takai será uma das artistas participantes da mostra. Foto: Bruno Senna
Fernanda Takai é uma das artistas participantes da mostra. Foto: Bruno Senna

O Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba, recebe a partir do dia 16 de março a exposição“Olhar InComun: Japão Revisitado”, que traz o olhar de 21 artistas contemporâneos que possuem laços sanguíneos com o país asiático. A mostra, que tem curadoria de Michiko Okano, professora de História da Arte da Ásia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), contempla múltiplas linguagens, como desenho, pintura, gravura, grafite, escultura, objeto, fotografia, cerâmica, urushi (charão), design, vídeo, música, poesia, caligrafia, instalação, intervenção, performance e a cerimônia do chá.

Participam da exposição Alice Shintani, Alline Nakamura, AtsuoNakagawa, César Fujimoto, Erica Kaminishi, Erica Mizutani, Erika Kobayashi, Fernanda Takai, Fernando Saiki, FutoshiYoshizawa, James Kudo, Júlia Ishida, Mai Fujimoto, Marcelo Tokai, Marília Kubota, Marta Matushita, Sandra Hiromoto,TakakoNakayama, TatewakiNio, Yasushi Taniguchi e YukieHori.Todos eles revisitam o Japão, cada um com sua poética particular e distinta.

Obra de James Kudo, artista nipo-brasileiro de projeção internacional.
Obra de James Kudo, artista nipo-brasileiro de projeção internacional.

Olhar nipônico

Os primeiros imigrantes japoneses chegaram no Brasil em 1908. Atualmente, o país abriga a maior comunidade nipônica fora do Japão, com cerca de 1,5 milhões de descendentes. Apesar de estar na sexta geração, o nipo-brasileiro tem uma relação bastante complexa e diversificada com sua ascendência: ora nega a origem, ora cria uma relação de paixão com o Japão ou, ainda, recria umoutro Japão dentro do Brasil.

As obras refletem estes múltiplos desdobramentos dos artistas que constroem um espaço interessante de confronto, troca e diálogo. As referências vêm tanto do Japão tradicional quanto do da atualidade. O que todas têm em comum é a visão contemporânea da arte e o território brasileiro como cenário do cotidiano.

 Obra de Sandra Hiromoto, artista paranaense que vem ganhando destaque nacional.

Obra de Sandra Hiromoto, artista paranaense que vem ganhando destaque nacional.

A partir das 18 horas haverá um bate-papo da curadora Michiko Okano com alguns artistas. A mostra tem patrocínio da Eletrofrio, governo do Paraná e é produzida por Suemi Hamasaki, produtora de eventos nipo-brasileiros em Curitiba. A artista Julia Ishida também está na equipe principal do projeto, como co-produtora e co-curadora.

39 NOTÍCIA – OFICINAS PRODUZEM LIVROS DE HAICAI EM PARANAGUÁ

Oficinas do projeto “Pontes de Cultura”, patrocinado pela lei de incentivo de Paranaguá produzirão 300 livros artesanais com poemas do tipo haicai. As oficinas orientadas por Marília Kubota e Lauro Borges finalizam o projeto, iniciado em fevereiro deste ano, com parcerias com a Fundação Municipal de Cultura de Paranaguá, Secretaria Municipal de Educação/Semedi e Associação Beneficente Cultural e Esportiva Nipo-brasileira de Paranaguá com a Revista MEMAI.

Oficina que produziu capa de livros.
Oficina que produziu capa de livros, com orientação do  artista Lauro Borges. Foto: Maria Carolina Felício.

Duas oficinas do projeto “Pontes de Cultura”, patrocinado pela lei de incentivo municipal da Prefeitura de Paranaguá produziram 300 livros artesanais com poemas do tipo haicai. As oficinas de haicai e publicação de livros, orientadas pela poeta Marília Kubota e pelo artista plástico Lauro Borges finalizam o projeto, iniciado em fevereiro deste ano, com parcerias com a Fundação Municipal de Cultura de Paranaguá, Secretaria Municipal de Educação/Semedi e Associação Beneficente Cultural e Esportiva Nipo-brasileira de Paranaguá com a Revista MEMAI.

O projeto comemorou, pela primeira vez, na cidade o Dia da Imigração Japonesa em Paranaguá, no dia 19 de junho, em alusão à data histórica da chegada dos imigrantes japoneses ao Brasil, que aconteceu no dia 18 de junho de 1908. Em 2015, o evento também comemorou os 120 anos de Tratado de Amizade e Comércio Brasil-Japão.

“Pontes de Cultura” tem como objetivo disseminar a cultura japonesa para novos públicos. As oficinas de haicai e publicação de livros aconteceram em dez escolas DE tempo integral do município, escolhidas entre as turmas de professoras que participaram dos cursos de formação (oficinas) realizadas em 19 de junho.

Uma exposição, com data ainda a ser definida, mostrará, no hall da Biblioteca Mário Lobo, os livros produzidos nas oficinas. As capas, feitas de cartolina, foram produzidas nas oficinas de publicação de livros, orientada por Lauro Borges: “Dialogar com as professoras antes e durante o contato com os alunos/crianças foi muito produtivo. Fica a certeza do quanto é benéfico o uso das linguagens artísticas nas escolas. Nossa proposta para uma construção coletiva e colaborativa de uma publicação de poesia é uma oportunidade para se tratar das muitas questões e etapas da palavra, da escrita, ilustração e leitura.” Os haicais – poesia em forma poética japonesa – foram escritos em oficinas orientadas pela poeta Marília Kubota: “Foi uma grande experiência dar oficinas de haicai para crianças pequenas em Paranaguá. A criação de livros e poemas pelas mãos das próprias crianças funciona como um estímulo às atividades de leitura e arte. Espero poder dar continuidade a esse projeto envolvendo a cultura japonesa e a comunidade nipo-brasileira”, diz.

Os livros devem ser montados no mês de novembro e estarão em exposição no Hall da Biblioteca Mário Lobo, em data ainda a ser definida.

Na oficina da poeta Marilia Kubota, as crianças escreveram haicai. Foto: Maria Carolina Felíciio.
Na oficina da poeta Marilia Kubota, as crianças escreveram haicai. Foto: Maria Carolina Felíciio.

38 NOTÍCIAS – I FESTIVAL HANAMI NA LIVRARIA CEREJEIRA

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A Livraria Cerejeira promove o I FESTIVAL HANAMI – festival de cultura japonesa, de 6 a 11 de outubro. O evento está inserido na programação dos 120 anos do Tratado de Amizade e Comércio Brasil-Japão.

Serão abertas duas exposições,  Kakure Oni, de tatuagem, dos artistas de tatto  Alan Kinuta e Marina Castro e a Exposição de Mangás,  de Glaucia Marques. Confira outra atrações:

De 6 a 9, terça à sexta-feira:
16h – Exibição de Animes

Dia 6, terça-feira:
19h – Abertura oficial

Dia 7, quarta-feira:
19h – Cinema Japonês com Nícolas Lioto – Exibição do filme “Corações Sujos” com palestra sobre imigração japonesa no Brasil em geral e durante a segunda grande guerra.

Dia 8, quinta-feira:
19h – Oficina de Desenho de Mangá, com Glaucia Marques, da Casa Artes Visuais.

Dia 9, sexta-feira:
19h – Poesia Japonesa com Marilia Kubota. Palestra intitulada: “A poesia japonesa além do haikai”.

Dia 10, sábado:
19h – Palestra de Kysy Fischer: Um Butoh vivo ou morto? Discursos sobre a imigração de uma arte “japonesa”.

Dia 11, domingo:
15h – Oficina “A arte da dobradura – aprenda a fazer origamis de elementos da cultura ” por Luana Rodrigues.
19h – Noite do Sushi Vegano** com chef Eric Ferreira.

As oficinas possuem vagas limitadas, para participar é preciso chegar ao local com antecedência. Os ingressos são por ordem de chegada e serão distribuídos meia hora antes de cada oficina.

A Noite de Sushi Vegano é o único evento pago da programação, o custo é de R$50r pessoa para desfrutar de um Buffet Livre de Sushi e outros pratos japoneses (inteiramente) veganos. O número de vagas é limitado e as inscrições serão realizadas pelo email: livrariacerejeira@gmail.com mediante pagamento realizado pessoalmente na Livraria ou envio de comprovante de pagamento a ser realizado na seguinte conta:
Andre Shizuo Hachiguti de Quadros
Banco do Brasil
Ag 3051-1
C/C 743.461-8
CPF: 044.843.319-26

Para inscrições casadas de duas pessoas ganhe bebida de brinde!

A Livraira Cerejeira fica na Rua Duque de Caxias, 119, esquina com Treze de Maio, no Centro Histórico (São Francisco), em Curitiba.  Informações pelo telefone 3053-3245

32 ARTES – "OBSESSÃO" DE YAYOI KUSAMA CHEGA A SÃO PAULO

 

"I'm Here, But Nothing" (2000-2012).
“I’m Here, But Nothing” (2000-2012).

Depois de passar pelo Rio e Brasilia, chega a São Paulo a exposição Obsessão infinita, de Yayoi Kusama no Instituto Tomie Ohtake, trazendo novidades: mais duas obras. São duas esculturas,  “Sem título”, 1962-1963 , da série “Accumulations”e Sem título” , da série “Desire for Death”[Desejo de morte], 1975-1976 “. Essa última, destaque na Tate Galery, é composta por dez pares de sapatos femininos, de salto alto, repletos de formas fálicas feitas de tecido estofado.  Já em “Desejo de Morte”,agrupamentos de apêndices,  formas excêntricas em tecido pintadas de prateado, emergem de panelas comuns e conchas de cozinha. Em ambas, objetos do cotidiano projetam obsessões particulares da artista.

Em 1973 Yayoi Kusama retornou ao Japão e, desde 1977, vive voluntariamente em uma instituição psiquiátrica. Em seus trabalhos mais recentes, a artista renovou o contato com seus instintos mais radicais em instalações imersivas e colaborativas – peças que fizeram dela, com justiça, a artista viva mais celebrada do Japão. Obsessão infinita traça a trajetória d e Yayoi Kusama do privado ao público, da pintura à performance, do ateliê às ruas.

A artista nasceu na cidade de Matsumoto, Japão, em 1929. Começou a realizar seus trabalhos poéticos  nos anos 1940, antes de iniciar sua celebrada  série “Infinity Net” (Rede Infinita), no final dos anos 1950 e no início dos 1960.  Sua mudança para New York, em 1957, foi um divisor de águas. Foi nessa época que entrou em contato com Donald Judd, Andy Warhol, Claes Oldenberg e Joseph Cornell. Sua prática de pintura abriu caminho para esculturas delicadas, conhecidas como “Accumulations” (acumulações) e, em seguida, para performances e happenings que se tornaram selos da subcultura marginal e renderam, para a artista, notoriedade e a atenção das principais correntes críticas de então.

Este evento vai do dia 22/05/2014 ao dia 27/07/2014, mas apenas Domingo, Terça, Quarta, Quinta, Sexta e Sábado
Horário: De terça a domingo, das 11h às 20h