47 HAICAI – O JAPÃO NO FEMININO – HAIKU

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Kitagawa Utamaro. “Três belezas de nossos dias”, 1793.

No ocidente, só conhecemos Bashô, Buson, Issa e Shiki, os quatro grandes mestres do haicai. Mas as mulheres também escreveram haicai, e algumas foram contemporâneas dos mestres.  Nas mais antigas antologias japonesas, raramente está registrada qualquer obra feminina ou, quando aparece, é omitido o nome da autora aparecendo como única identificação a do marido – “esposa de Nitsusada”, como acontece em 1663.

Durante muito tempo se pensou que o haiku era uma prática exclusivamente masculina. Nos séculos IX a XI, o  tanka tornou-se uma forma feminina por questões ideológicas. Como os homens escreviam poemas chineses, as mulheres dominaram o tanka. Assim, esta forma poética passou a ser conhecida como  feminina. Contrastava por ser  uma escrita solitária e individual, enquanto o haiku era parte de uma atividade em grupo. A partir do século XVII, mais mulheres começaram a compor haiku.

Os poemas a seguir foram traduzidos para o português lusitano por Luísa Freire, a partir de um antologia organizada por Makoto Ueda, Far Beyond the Field: Haiku by Japanese Women.

ao romper do dia,
à conversa com as flores,
uma mulher só

enomoto seifu [1732-1815]

na sombra das flores
um besouro a rastejar –
súbita chuvarada

takeshita shizunojo [1890-1946]

cachos de glicinia –
retém em si a chuva
até onde podem

hashimoto takako [1899-1963]

suas vidas duram
só enquanto estão a arder –
mulher e pimenta

mitsuhashi takajo [1899-1972]

o japão no feminino – haiku – séculos xvii a xx  – organização e tradução, luísa freire.assírio e alvim, 2007.

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