38 KINEMA – FICBIC INCLUI MOSTRA DE CINEMA JAPONÊS

O Festival Internacional de Cinema da Bienal Internacional de Curitiba (FICBIC) abre nesta quinta-feira (05), em Curitiba, incluindo Mostra de Cinema Japonês a partir de terça-feira (10), com destaque para animes e a obra do diretor Kon Ichikawa.

Cena de Conflagration.
Cena de Conflagration. Foto: divulgação.

O Festival Internacional de Cinema da Bienal Internacional de Curitiba (FICBIC), que abre nesta quinta-feira (05), em Curitiba,  inclui uma Mostra de Cinema Japonês, promovida pela Fundação Japão e Consulado do Japão em Curitiba. A mostra terá quatro  dias (10, 11, 12 e 13) e será apresentada na Cinemateca de Curitiba, tendo como destaque animes e a obra do diretor Kon Ichikawa.

Entre os animes, os títulos são; Princess Arete, de Sunao Katabuchi, (2001), Genius Party, de Atsuko Fukushima (2007), After School Midnighters, de de Hitoshi Takekiyo (2012), MInd Game, de Masaaki Yuasa, Japão (2004), Genius Party Beyond, de Masahiro Maeda e outros (2008).

Na mostra Kon Ichikawa, os destaques são os filmes Conflagratiion (1958), Irmão mais novo (1960) e A Vingança do Ator (1973).  Nascido em 1915 no oeste do Japão, Ichikawa estudou s em Osaka, mas desde jovem era fascinado pelos shows de marionetes e desenhos animados e, a partir de 1933, passou a fazer parte do departamento de animação de J.O. Studios, em Quioto. Estreou em 1948 como diretor de cinema e, em 1956, dirigiu o épico antiguerra A Harpa da Birmânia (ou “Não Deixarei os Mortos”). Considerada sua obra-prima, o filme é baseado em um romance em que um soldado japonês desafortunado tenta convencer um grupo de colegas a se renderem após o final da Segunda Guerra Mundial.

Outros filmes: Fogos na Planície (1959,)  voltando ao tema da guerra e criando cenas de excessiva atrocidade, com necrofagia, mutilações e canibalismo; Estranha Obsessão (1960),  Olimpíadas de Tóquio (1964, documentário).  Em 1994, foi premiado pelo governo japonês  e, em 2001, o Festival de Cinema de Montreal homenageou-o com prêmio pelo conjunto da obra. Em 2006, o Festival Internacional de Tóquio lhe entregou o Prêmio Akira Kurosawa, também pelo conjunto da carreira. Fez seu último filme em 2006 –  refilmagem de The Inugami Family. Morreu aos 92 anos, vítima de pneumonia em um hospital de Tóquio.

NOTÍCIA | O CINEMA DE OZU EM CURITIBA

Foto de "Pai e filha". Divulgação.
Foto de “Pai e filha”. Divulgação.

Em parceria com o Consulado Geral do Japão em Curitiba e com a Fundação Japão, até sábado (30), em horários variados, o Paço da Liberdade,  exibe  uma breve mostra de filmes do cineasta Yasujiro Ozu . O cineasta produziu  mais de cinquenta filmes, entre eles,  Era uma vez em Tóquio (Tokio monogatari),  de 1953. Fez vários filmes mudos e  foi relutante em entrar no cinema sonoro, como demorou muito para começar a rodar filmes em cores. Seu primeiro longa-metragem com som foi rodado em 1936 (Filho Único) e seu primeiro filme em cores data de 1958 (“Flores do Equinócio”).

27 /11, 19 h – Filho Único (Hitori Musuko) – 1938, PB, 84 min, 16mm
Sinopse: Primeiro filme falado de Ozu. Uma mãe solteira, operária numa fábrica, sofre para poder criar o filho. Anos mais tarde, este já adulto, se muda para Tóquio para cursar medicina. Após ter se formado, sua mãe resolve ir visitá-lo, esperando encontrar um médico de sucesso, mas encontra um filho desempregado, casado e morando nos subúrbios.

28/11, 20 h – Pai e Filha (Banshu) – 1949, PB, 108 min, 16mm
Sinopse: Somiya é um velho professor viúvo que pensa em casar sua jovem filha Noriko que, de acordo com a sociedade, está na idade de casar. Mas Noriko não quer casar para poder ficar cuidando do pai. Somiya então finge estar se casando novamente para que a filha não sinta-se culpada em se casar.

29/11, 19 h – Fim de Verão (Kohayagawa-ke no Aki) – 1, COR, 103 min, 16mm
Sinopse: Seguimos o curso dos últimos dias de outono da família Kohayagawa. Várias histórias paralelas, como as brincadeiras dos netos e uma nora que deseja recasar, mas o foco principal é no patriarca Banpei, que secretamente mata serviço no seu modesto negócio familiar para visitar sua família alternativa, composta de uma ex-amante e sua filha altamente materialista.

30/11. 16h – A Rotina tem seu Encanto (Samma no Aji) – 1962,  COR, 113 min, 16mm
Sinopse: O viúvo Shuhei Hirayama leva uma vida tranqüila graças a seus filhos Kazuo e Michiko. Durante uma festa com seus antigos colegas e seu professor Sakuma, descobre que a filha deste se tornou amarga e triste por nunca ter se casado para poder ficar tomando conta do pai. Isso leva Shuhei a pensar sobre sua própria filha, que já está com 24 anos, e começa a arquitetar um plano para casá-la.

O Sesc Paço da Liberdade fica na  Praça Generoso Marques, 189, Curitiba – e-mailpacodaliberdade@sescpr.com.br – telefone (41) 3234-4200.

28 KINEMA | MOSTRA DE CINEMA NIKKEI : YPÊ NAKASHIMA

Cena do filme Ypê Nakashima.
Cartazete do filme Ypê Nakashima.

Nos anos 70, o imigrante japonês  Ypê Nakashima fez o primeiro longa metragem  colorido em animação do Brasil.  Piconzé  é um filme com 80 minutos desenhados à mão livre, quadro a quadro rascunhados, traçados, refeitos e pintados.  O processo artesanal do filme, que contou com uma equipe de produção não-profissional, chamou a atenção dos pesquisadores para a persistência de Nakashima.

O animador nasceu em 5 de junho de 1926, na província de Oita, na extremidade sul do arquipélago japonês. Quando tinha 17 anos, entrou na Escola de Belas Artes de Kyoto. Aos 19, foi forçado a interromper os estudos, convocado a prestar serviços na guerra. Foi designado a servir em Nagassaki. Terminada a guerra, voltou aos estudos. Trabalhou para  jornais  Mainichi Shimbum; Assahi Shimbum; Yomiuri Shimbum, fazendo charges, tiras, e ilustrações.Viveu cerca de dez anos em Kyoto.

Em 1956,  já casado e com o filho Itsuo,  embarca para o Brasil. Em São Paulo, Ypê se inteirou  com a colônia japonesa. Prestou serviços para Nippak Shimbum, São Paulo Shimbum, Cooperativa Agrícola de Cotia. Começou a pesquisar cinema de animação, associando-o à fascinação pelas lendas e folclore brasileiros. Criou o personagem Papa-Papo, um papagaio, com o qual fez inúmeros curtas-metragens, nunca exibidos em qualquer circuito.

Em 1966, faz contato com o Japão para começar a  produção de um longa metragem, que finalizou em 6 anos. Piconzé estreou em 1972 e recebeu o prêmio Coruja de Ouro do Instituto Nacional do Cinema (INC). Em 6 de abril de 1974, Ypê Nakashim morreu, com 47 anos de idade. Em  25 de maio de 1975, Ypê Nakashima recebeu postumamente, o prêmio – GOVERNADOR DO ESTADO – entregue a seu filho Itsuo,  no Palácio dos Campos Elíseos.

PICONZÉ e DOCUMENTÁRIO

Piconzé  foi filmado em negativo colorido, 35 mm, acumulou 25 mil acetatos, igual quantidade de animação e intervalação, 300 cenários.  O personagem-titulo  vive na pacata vila do Vale Verde, com seu amigos   Louro Papo, Chico Leitão. Gustavo Bigodão e seu bando passaram a roubar Vale Verde. Num assalto, Bigodão rapta Maria Esmeralda, a namorada do Piconzé. Piconzé e sua turma partem para salvá-la. Depois de muitas aventuras,  encontram um ermitão que ensina Piconzé  a lutar para enfrentar o Bigodão. Piconzé consegue salvar Maria Esmeralda. No fim,  a paz e tranqüilidade voltam a Vila Verde.

Itsuo Nakashima vivia contando as histórias de seu pai para família e amigos. Um dia, contou para o cineasta Hélio Ishii e este resolveu fazer um filme sobre o animador, com o título de seu personagem. Em 2007, o cineasta  lançou  o documentário Ypê Nakashima, baseado no depoimento de  Itsuo   e da  netas Larissa e Lorena, que nunca  tendo tido contato com o avô.  O testemunho de Itsuo divulga para um público  mais amplo passagens curiosas da vida de Ypê Nakashima. Apesar de ter combatido na Segunda Guerra mundial,  na artilharia antiaérea em Nagasaki,  o animador parece não ter sido abalado por  traumas.m tinha um  espírito alegre e descontraído.

A MOSTRA DE CINEMA NIKKEI apresenta os filmes Piconzé e Ypê Nakahsima no domingo (29) , no Cine Guarani, no Portão Cultural  – Avenida República Argentina, 3430.

28 KINEMA | MOSTRA DE CINEMA NIKKEI: HIKOMA UDIHARA

Hikoma Udihara. Foto: divulgação.
Hikoma Udihara. Foto: divulgação.

O primeiro cineasta do Norte do Paraná foi um  imigrante japonês Hikoma Udihara. Amador e intuitivo, apaixonado por fotografia e filmagens, fotografava e gravava tudo o que via: as visitas de conterrâneos a Londrina, visitas de políticos, autoridades, personalidades e dirigentes, inaugurações de lojas. Gravou mais de 100 filmes em preto e branco e mudos, em 16 mm.

De acordo com o pesquisador de sua obra, Caio Cesaro, sua primeira câmera foi comprada em 1927, em São Paulo.   Mostrava seus filmes em clubes, festas, encontros e, em algumas ocasiões comemorativas, marcava reuniões com os moradores dos lugarejos, vilas e cidades para que vissem as imagens. Os filmes eram projetados em paredes ou em lençóis esticados. Só parou de gravar em 1969, quando sofreu um derrame cerebral e ficou paralítico. Faleceu em São Paulo, em 1972, pouco antes de completar 90 anos Suas gravações, hoje, são consideradas documentários da colonização e  desenvolvimento do norte do Paraná, especialmente de Londrina.

Hikoma Udihara nasceu em  Kami-Yakawa,  província de Kochi, no Japão, em 1882. Chegou ao Brasil em 1910, indo trabalhar nas lavouras de café  no interior de São Paulo.   Depois de dois anos,  mudou para a capital. No início dos anos 20, Udihara começou outra atividade: corretagem de terras em novas fronteiras agrícolas no noroeste de  São Paulo e no norte do Paraná. Devido a sua facilidade em falar português, foi contratado pela Companhia de Terras do Norte do Paraná para essa função.

De janeiro de 1930 a 4 de março de 1955, quando se desligou da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná (sucessora da CTNP), fundou 31 núcleos de colonização japonesa no norte do Paraná. Em junho de 1956, pouco depois de se desligar da CTNP/CMNP, publicou História da minha vida e de minhas atividades no Japão e Brasil, uma brochura autobiográfica.

Um episódio resgatado por Caio Cesaro revela a importância histórica de seus registros fílmicos. A colônia japonesa produzia hortaliças, frutas e grãos (café, arroz, milho e feijão), mas tinha dificuldades de comercializar o excedente da produção. E esses japoneses não tinham para onde mandar a produção, não havia estrada para lugar nenhum. Nem para Curitiba, nem para São Paulo. Os potenciais compradores – os grandes mercados consumidores – ficavam muito distantes. As estradas eram precárias, sem qualquer tipo de pavimentação. O transporte rodoviário era uma aventura cara, demorada e incerta Udihara resolveu filmar a situação e com o material em mãos viajou para Curitiba para mostrar às autoridades. Como o filme era mudo,  ficou toda apresentação ao lado das imagens narrando. A ação surtiu efeito e estradas foram construídas. Muito se afirma que o desenvolvimento da região tem a influencia desse fato, ele continuou a realizar essa tarefa de denunciar problemas ao mesmo tempo em que fazia propagandas publicitárias para a venda de terras, ele afirmava que era necessário para custear os caros equipamentos e materiais de filmagem.

Udihara sensibilizou e revelou 128 rolos de pelìculas fílmicas. Todos os filmes são silenciosos, sem banda sonora. As imagens foram tomadas à velocidade de 18 quadros por segundo. O tempo de duração de cada filme é relativamente curto, os mais longos atingem entre 13 e 14 minutos de imagens em movimento, ou seja, a capacidade média de um rolo de película fílmica para o formato 16mm à época. Ao todo, os filmes somavam cerca de 10 (dez) horas de imagens.

Em 1979,  seu filho Issao Udihara, doou o acervo do pai ao Museu Histórico de Londrina Padre Carlos Weiss. Em 1983 a UEL encaminhou o acervo para recuperação à Cinemateca Brasileira, em São Paulo.

A MOSTRA DE CINEMA NIKKEI exibe os documentários de Hikoma Udihara recuperados pela Cinemateca Brasileira no próximo sábado (26), no Cine Guarani, no Portão Cultural – Avenida República Argentina, 3430 – Portão – Curitiba – PR.

28 KINEMA | MOSTRA DE CINEMA NIKKEI: CURTAS CONTEMPORÂNEOS

Cena de "O samurai de Curitiba".
Cena de O samurai de Curitiba.

Na próxima sexta-feira (25), a MOSTRA DE CINEMA NIKKEI, promovida pelo MEMAI com o apoio do Consulado Geral do Japão em Curitiba e Fundação Cultural de Curitiba abre com uma sessão de curta-metragens dos cineastas Olga Futemma, Rodrigo Grota, Roberval Machado e Edson Takeuti.

De Olga Futemma, a mostra apresenta Retrato de Hideko e Chá verde e arroz. Retrato de Hideko trata do mito da boneca perdida típica à mulher do dia-a-dia, quatro gerações da mulher japonesa: a luta pela sobrevivência, o culto às tradições, a adaptação à cidade e a diluição cultural. Chá verde e arroz tem como tema o cinema ambulante japonês nas comunidades do interior paulista, no final da década de 50. Ex-benshi (narrador de filmes japoneses) e seu assistente visitam uma pequena cidade e promovem uma sessão. Tudo é acompanhado por Jo, um garoto que adora cinema.

De  Rodrigo Grota, serão exibidos Haruo Ohara e Satori Uso.  O primeiro é uma biografia lírica do Biografia do fotógrafo japonês radicado em Londrina, Haruo Ohara (1909-1999). O diretor remonta algumas cenas de fotografias que se tornaram famosas na obra de Haruo, como a do lavrador empunhando a enxada para o céu e a da menina saltando de sombrinha. Já Satori Uso simula, em ambientação de filme noir, um documentário sobre um poeta que nunca existiu apresentado por um cineasta imaginário: Jim Kleist. Inspirado na obra poética de Rodrigo Garcia Lopes (autor dos haicais).

De José Roberval Machado, o documentário O samurai de Curitiba, sobre o roteirista e desenhista Claudio Seto, com enfoque na sua produção de histórias em quadrinhos publicadas nas editoras Edrel e Grafipar entre os anos 60 e 80. Seto dedicou-se a diversos estilos de histórias, como de samurais, de terror, policiais e eróticas. Além dos enredos, foi um dos pioneiros do estilo mangá no Brasil, através da revista O Samurai, publicada na década de 60 pela Edrel. O filme também aborda a questão da censura, já que a publicação dos quadrinhos ocorria durante o governo militar e a maioria das histórias possuía teor erótico.

O Gralha  – O ovo ou a galinha, de Edson Takeuti (Tako-x)  presta homenagem aos super-heróis americanos, de forma irreverente  e com cor local.  Mais uma aventura do super-heroi curitibano em luta eterna contra seu inimigo mortal, O Craniano. O filme foi feito em 2002, depois de Tako-x participar de um curso com Tizuka Yamasaki. Ele escreveu e dirigiu um “live-action” , um filme com atores representando personagens de HQ.  Tako-x fez  mais 2 curtas: O Gralha e o Oil-Man – Um Encontro Explosivo e”O Apêgo.

24 POP | MIYAZAKI E O SONHO DE VOAR

Personagem Jiro Horikoshi, inspirado no criado do avião "Zero".
Personagem Jiro Horikoshi, inspirado no criado do avião “Zero”.

Grande é a expectativa para o lançamento no Brasil do mais novo filme de Hayao Miyazaki,  Kaze Tachinu (The Wind Rises), já liberado em 20 de julho, no Japão. O filme traz a  biografia  do engenheiro Jiro Horikoshi, que projetou o famoso avião de caça Zero Fighter, devastadoramente eficaz nos primeiros dias da Segunda Guerra Mundial. A narrativa aborda  a infância de Jiro , que sonha em voar, e depois segue para seus primeiros anos de juventude, no Curso de Engenharia, e depois trabalhando para a empresa Mitsubishi, onde tem  chance de realizar seu sonho de projetar aviões.Detalhes da técnica de animação perfeccionista do Studio Ghibili podem ser visto nos desenhos de redemoinhos de fumaça e sombras dançantes. Há também uma sequência impressionante de 1923 do Grande Terremoto de Kanto e cenas panorâmicas de cidades em madeira apertadas e lotadas.

Basicamente, a história é de um homem que trabalha duro em seu empreendimento. O filme funciona melhor durante a primeira hora, com Jiro como um menino e, em seguida, um jovem que  fantasia a realidade e a faz  misturar em seus sonhos inocentes. Vemos como ele sobe pelo ar e é guiado pelas conversas com seu herói, o designer italiano Caproni. Mesmo nessas cenas, a sombra da guerra é uma nuvem escura no horizonte. Um dos sonhos de Jiro é interrompido por um esquadrão de monstros negros disformes atacando suas aventuras aéreas e deste ponto em diante a presença de militares aumenta.

Apesar dos voos frequentes em fantasia Kaze Tachinu é realista, o que pode torná-lo uma luta para o público mais jovem.  O filme tenta contornar o tema da guerra com personagens que insistem em suas ambições que são apenas em projetar belos aviões. Os adultos, japoneses e estrangeiros, verão um Japão nostálgico, correndo sobre trilhos de marias-fumaça e trajes à francesa.  Como de hábito, Miyazaki faz uma reverência à memória japonesa e ao poder da fantasia em contornar as cruezas da realidade.  O diretor realiza aqui o ápice de suas fantasias, pois em todos os filmes anteriores aparece o sonho de voar: Sofia viaja pelos ares em O  Castelo Animado, Totoro se transforma num ônibus voador, Kiki tem sua vassoura mágica,  e por aí afora. Por isso, a nova animação promete.

Veja o trailer do filme aqui.  Com informações do Studio Ghibili Brasil.

NOTÍCIA | MOSTRA DE CINEMA POLICIAL EM SP

Recanto secreto (Himitsu no Hanazono), de Shinobu Yaguchi
Recanto secreto (Himitsu no Hanazono), de Shinobu Yaguchi

Com o apoio da Fundação Japão, a Cinemateca Brasileira apresenta, entre os dias 14 e 22 de maio, um ciclo de filmes policiais japoneses, gênero narrativo que ocupa lugar de destaque na cinematografia do JapãoLançada entre os anos 1990 e 2000, a maioria das produções foi premiada em festivais dentro e fora do país. Serão exibidos Recanto secreto (1997), de Shinobu Yaguchi, aventura policial sobre uma jovem que tenta reaver o dinheiro de um roubo a banco, Muita adrenalina(1999), também de Shinobu Yaguchi, comédia policial sobre um casal de jovens que se envolve numa trama de perseguição; Sequestro (1997), de Takao Okawara, filme de suspense sobre o sequestro de um alto executivo; Verão negro – falsa acusação (2000), de Kei Kumai, suspense sobre dois estudante que procuram desvendar os mistérios do ataque com gás sarin ocorrido em 1994 no Japão, uma produção exibida no Festival de Berlim de 2001. O destaque do ciclofica por conta da exibição de Sonatine – Adrenalina máxima (1993)de Takeshi Kitano. Um dos pontos altos da carreira do cineasta, comediante, ator e apresentador de televisãoSonatine – Adrenalina máxima narra a história de um grupo de gangsteres que se refugia numa praia depois de sofrer uma emboscada. O filme concorreu à Palma de Ouro do Festival de Cannes de 1993.

Confira programação e sinopses dos filmes no site da CINEMATECA BRASILEIRA. A Cinemateca fica no Largo Senador Raul Cardoso, 207,
próximo ao Metrô Vila Mariana. Outras informações: (11) 3512-6111 (ramal 215)

19 KINEMA | OS CINEMAS JAPONESES DO BAIRRO DA LIBERDADE

Cine Jóia, a sala mais precária, que exibia filmes de maior qualidade.
Cine Jóia, a sala mais precária, que exibia filmes de maior qualidade.

“Um circo”. “Uma aventura mágica”. Essas são as palavras que definem a projeção de filmes japoneses nos cinemas de São Paulo a partir de 1946. No início,  o cinema era ambulante, projetado por cinemasha, como Kimiyashu Hirata. Em 1953, foi inaugurada a primeira sala de cinema do bairro da Liberdade, o Cine Niterói. No ano seguinte foi inaugurado  o Cine Tokyo (que se tornou Nikkatsu), em 1959 o Cine Nippon e  o Cine Jóia. As quatro salas exibiam filmes de cineastas como Masaki Kobayashi, Akira Kurosawa e Kenji Mizoguchi, para um público muito diversificado, não apenas de nikkeis.

A cineasta nikkei Olga Futema e o produtor cultural Jo Takahashi eram assíduos frequentadores dos cinemas da Liberdade.  Os filmes japoneses também se tornaram uma paixão para o monge budista Ricardo Gonçalves, que se tornou tradutor de cinema japonês e para José Fioroni Rodrigues , que aprendeu japonês ali e  se tornou crítico de cinema.  Os cineastas  Walter Hugo Khouri (1909- 2003) e Carlos Reichenbach (1945-2012), o escritor João Antonio (1937-1996) e Claudio Willer  foram outros cinéfilos  que frequentaram a Liberdade em busca de filmes de Yasujiro Ozu e Shohei Imamura.

Quem conta a  história das salas é o antropólogo social Alexandre Kishimoto, no livro Cinema Japonês na Liberdade (Estação Liberdade). As salas de cinema paulistanas, além de difundir o  cinema japonês para o público brasileiro desempenharam uma função importante de conciliar a comunidade nipo-brasileira após a Segunda Guerra Mundial.  As restrições de liberdade de expressão  impostas pelo governo brasileiro impediram a exibição de filmes  japoneses.  No pós-guerra, a  comunidade estava dividida entre os kachigumi (vitoristas), que acreditam na vitória do Japão na guerra, e os makegumi (derrotistas), que pregavam a derrota. O cinema foi um ponto de convergência entre os adeptos das duas facções.

Além da função política, os cinemas da Liberdade ajudaram a expandir o bairro japonês em São Paulo. Em seu entorno cresceram restaurantes, lojas de produtos japoneses,   hotéis e templos.  Muitos frequentadores não nikkeis, além de ver os filmes, também iam a esses lugares, chegando até a praticar meditação zen-budista.

De 1948 a 1988 foram exibidos mais de 2.500 filmes japoneses nas quatro salas. Obras como o pioneiro Rashomon, de Kurosawa, que tornou o cinema japonês universal,  7 Samurais, Tora-san, Balada de Narayama, Harakiri e outros, eram comentadas por críticos de cinema em grandes jornais. Rubem Biáfora, por exemplo, em sua coluna sobre cinema, sempre indicava um japonês.

O fim das salas japonesas foi determinado por um decreto do governo que exigia um porcentagem de exibição de filmes nacionais em cada espaço. As salas foram transformadas em igrejas evangélicas ou casas de show. Mas o cinema japonês não ficou órfão em São Paulo. Muitas mostras de cinema japonês continuaram a ser promovidas na cidade, que já tinha um público formado, graças à existência daquelas salas. (MK)

NOTÍCIA | MOSTRA DA NIKKATSU EM CURITIBA

Cena de Kokoro, de Kon Ichikawa
Cena de Kokoro, de Kon Ichikawa

Em 1912, quatro grandes empresas do setor cinematográfico do Japão de então se uniram para formar a “Nihon Katsudou Syashin Kabushi Kaisha”, a empresa de produção e divulgação de filmes mais antiga do Japão, conhecida como “Nikkatsu” em abreviação.

A Nikkatsu sobreviveu a épocas conturbadas como o Grande Terremoto de Kanto, a Guerra do Pacífico (a segunda guerra mundial) e o pós-guerra. Em um século produziu mais de 7000 filmes, lançou atores e diretores que tiveram seus nomes marcados para sempre na história do cinema japonês.

A Nikkatsu realizou poucos filmes sobre samurai e dramas épicos, mas em 1960 decidiu investir seus recursos para produzir dramas urbanos  envolvendo jovens, comédias, filmes de ação e de gângsters. De  1950 a 1971 eram reconhecidos pelos grandes orçamentos para filmes de ação planejados para o público jovem.   A produtora foi a responsável pelo lançamento dos diretores da nouvelle vague japonesa : Shohei Imamura, Ko Nakahira e Seijin Suzuki.  Empregou astros como  Yujiro Ishihara, Akira Kobayashi, Joe Shishido, Tetsuya Watari, Ruriko Asaoka, Chieko Matsubara,  Meiko Kaji e  Tatsuya Fuji. (Da redação).

MOSTRA DE CINEMA JAPONÊS 100 anos Produtora Nikkatsu

De 1 a 10 de março de 2013 na Cinemateca de Curitiba

PROGRAMAÇÃO

  • 01/03 sex

16 Megane (Óculos)  – Diretor / Roteiro: Naoko Ogigami
19 Arashi wo Yobu Otoko (O homem que chama tempestades) – Diretor: Umetsugu Inoue

  • 02/03 sáb

16 Nihon Retto (Ilhas do Japão) – Diretor: Kei Kumai
19 Ashita no Watashi no Tsukuri Kata (Como me tornar eu mesma) – Diretor: Jun Ichikawa

  • 03/03 dom

16 Gaityu (Inseto)- Diretor: Akihiko Shiota
19 Taiheiyo Hitori Bocchi (Sozinho no Oceano) – Diretor: Kon Ichikawa

  • 04/03 seg

16  Jibun no Ana no Naka de (Dentro do seu próprio buraco) – Diretor: Tomu Uchida
19 Hyakuman Yen to Nigamushi Onna (A garota de 1 milhão de Ienes) – Diretor / Roteiro: Yuki Tanada

  • 05/03 ter

16 Ketto Takadanobaba( Duelo em Takadanobaba) – Hiroshi Inagaki e Masahiro Makino

19 Kokoro (Coração) – Diretor: Kon Ichikawa

  • 06/03 qua

16 Nihon Retto ( Ilhas do Japão) – Diretor: Kei Kumai
19 Gaityu (Inseto) – Diretor: Akihiko Shiota

  • 07/03 qui

16 Ashita no Watashi no Tsukuri Kata (Como me tornar eu mesma) – Diretor: Jun Ichikawa
19 Arashi wo Yobu Otoko (O homem que chama tempestades)- Diretor: Umetsugu Inoue

  • 08/03 sex

16 Taiheiyo Hitori Bocchi (Sozinho no Oceano ) –  Diretor: Kon Ichikawa
19 Jibun no Ana no Naka de (Dentro do seu próprio buraco)  – Diretor: Tomu Uchida

  • 09/03 sáb

16 Kokoro (Coração)- Diretor: Kon Ichikawa
19 Megane (Óculos) – Diretor / Roteiro: Naoko Ogigami

  • 10/03 dom

16  Hyakuman Yen to Nigamushi Onna (A garota de 1 milhão de Ienes)
19  Ketto Takadanobaba (Duelo em Takadanobaba)

Sinopses dos filmes disponível aqui.

Local: Cinemateca de Curitiba
Rua Carlos Cavalcanti, 1174 – São Francisco
(41)3321-3252 / (41)3321-3270
Todos os filmes serão exibidos em japonês com legendas em português.

 

 

18 KINEMA | MORRE NAGISA OSHIMA, DE "O IMPÉRIO DOS SENTIDOS"

No último dia 15 de janeiro morreu o cineasta Nagisa Oshima, que  ganhou fama como diretor do filme “O Império dos Sentidos” (1976) e “Furyo, em nome da honra” (1983). Ele  morreu aos 80 anos em um hospital de Kanagawa, ao sul de Tóquio, por causa de uma pneumonia.

O cineasta Nagisa Oshima, em filmagem.
O cineasta Nagisa Oshima, em filmagem.

Oshima pertenceu ao  novelle vaugue (nova onda, termo cunhado para designar os novos cineastas, na França, nos anos 50 e 60)  japonês e  tornou-se um dos nomes mais importantes do cinema de seu país. Outras obras de seu acervo: “Tabu” (1999) – seu último longa –, “Koshikei” (1968) e “O império da paixão” (1978).

Nascido em Okayama em março de 1932,  Oshima estudou Direito na Universidade de Kioto, onde se destacou por seu ativismo de esquerda e desenvolveu seu gosto pela literatura e pelo teatro. Ao concluir seus estudos, entrou para uma produtora local, mas poucos anos depois, desencantado, criou sua própria companhia, que fracassaria comercialmente e o obrigaria a trabalhar para a televisão.

Oshima surgiu em 1954, como diretor, no estúdio Shochiku. Em 1960, saiu da companhia e formou seu próprio estúdio independente, Sozosha, em 1965. Com outros cineastas japoneses ( Masahiro Shinoda, Shôhei Imamura and Yoshishige Yoshida), reagiu contra o predomínio dos ícones YasujirôOzu, Kenji Mizoguchi e Akira Kurosawa. Os filmes de Oshima tendem a expor o materialismo que predominou na sociedade japonesa após a Segunda Guerra Mundial. Consolidou-se como uma das figuras mais críticas da sociedade e da política de seu tempo, que denunciava em filmes que frequentemente tinham como protagonistas personagens rebeldes ou criminosos.

Cena de "O império dos sentidos".
Cena de “O império dos sentidos”.

O filme pelo qual é mais conhecido no Ocidente,  O Império dos Sentidos,  destaca um obsessivo relacionamento sexual. Como outros filmes de Oshima, potencializa-se por ser baseado em fatos reais. O filme foi censurado no Japão e rejeitado no Festival de Cinema de Nova York, mas obteve o Prêmio Internacional do Festival de Cinema de Cannes e um amplo reconhecimento internacional.

Já “Furyo, em nome da honra” (Merry Christmas, Mr. Lawrence ) traz o astro David Bowie em grande performance, além de Ryuichi Sakamoto e Takeshi Kitano. A história é baseada nas vivências de Laurens van der Post durante a Segunda Guerra Mundial como um prisioneiro de guerra.  Bowie, que interpreta um major neozelandês, despertará a atração de do rigoroso oficial japonês (Sakamoto) que mantém prisioneiros ingleses na Ilha de Java.  Sakamoto também compôs a trilha musical e vocal “Forbidden Colours”, com David Sylvia. O filme concorreu no  Festival de Cannes em 1983.

As obras do cineasta japonês foram objeto de homenagem em vários certames, entre eles o Festival de Internacional de Cinema de San Sebastián, que em novembro do ano passado anunciou que em sua próxima edição Oshima será objeto de uma retrospectiva que reunirá todos seus longas-metragens para o cinema.