34 RECEITA | COMPOTA DE LARANJA

Moti com calda de doce de laranja. Foto: Luiza Freire.

Moti com calda de doce de laranja. Foto: Luiza Freire.

 INGREDIENTES

  • 1 Kg de laranja sanguínea
  • 1 ½ a 2 litros de água
  • ½ limão siciliano fatiado sem sementes
  • ½ Kg de açúcar refinado

MODO DE PREPARO

Lave todas as laranjas em água morna com sabão. Escorra bem, enxague e retire os cabinhos. Corte cada uma delas em quatro partes, retire as sementes e fatie os pedaços. Acomode as fatias em uma travessa e cubra com a água. Neste ponto,  é preciso deixar as fatias descansando por 24 horas ou mais, para que o amargor da casca seja reduzido. No outro dia, passe as fatias da laranja para uma panela alta e de fundo grosso e cozinhe em fogo baixo por aproximadamente 45  minutos ou até as fatias ficarem amolecidas. Adicione o açúcar e mexa bem,por pelo menos 10 minutos para que o açúcar derreta bem. Mantenha o fogo baixo e cozinhe por aproximadamente 1, 5 hora, quando a calda engrossar e estar com aspecto de doce em calda. Não se espante, porque a receita reduz muito no cozimento. Para armazenar o preparo, separei vidros de outros doces que acabaram e reaproveitei para guardar esta compota. Depois de bem lavados esterilizei os vidros e as tampas em água fervente por vinte minutos. Este processo garante que o doce fique conservado por mais tempo e reduz os riscos de contaminação por bactérias. Espere o doce amornar um pouco e acomode nos vidros aguarde esfriar e leve à geladeira, bem fechados eles podem ser consumidos em seis meses.

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29 GASTRONOMIA | CONHEÇA A HISTÓRIA DO INARIZUSHI

Foto: http://www.tinyurbankitchen.com/2009/08/inarizushi.html
Foto: http://www.tinyurbankitchen.com/2009/08/inarizushi.html

Inarizushi é uma espécie de sushi recheado com arroz avinagrado dentro de sacos de  tofu frito. Foi inventado em Tóquio, por um chefe em  1848, que  anunciou sua criação com o emblema do templo da deusa Inari . O tofu frito é a comida preferida das raposas, que segundo a tradição japonesa, são mensageiros da  Princesa Ugatama, a deusa japonesa do arroz.  Como conta a lenda, uma raposa macho branca e uma raposa fêmea marrom fizeram seus abrigos perto do primeiro templo dedicado á deusa Inari e foram considerados mensageiros da deusa do arroz. O nome “Inari” vem das palavras  “crescimento do arroz”, porque é dito que arroz crescia no estômago da Princesa Ugatama.

Esse primeiro templo dedicado à deusa Inari foi construído na cidade de Fushimi, em Kioto. Diz a lenda que no  início do século VIII,  um nobre teria lançado uma flecha em direção a um alvo: um pedaço de mochi (bolinho de arroz). O mochi  teria se transformado num cisne, que voou em direção ao Monte Inari, situado em Kioto. Esse fato teria motivado a construção de um templo xintoísta dedicado à divindade, considerada a protetora dos alimentos (ou da agricultura) e  venerada por agricultores

Hoje, em todos os templos de  Inari no  Japão, estátuas de raposas esperam pelas ordens da deusa do arroz. Com frequência, uma raposa carrega uma chave em sua língua. Esta é a chave para o depósito de arroz. A outra raposa carrega uma bola, que representa o espírito da deusa. Ou será um pedaço de inarizushi? Visitantes dos templos Inari frequentemente deixam os sushi para as estátuas das raposas.

RECEITA

Tome um pacote de abura aguê triangular. Corte ao meio. Cozinhar com um molho feito de hondashi, (1x), açúcar mascavo (3 colheres ) e uma colher de shoyu. Quando o sabor estiver penetrado no aguê, reservar. Cozinhar 1/2 cenoura em fatias fininhas no molho que sobrou do aguê. Mistar a cenoura no arroz (2-3 xícaras) Abrir o abura aguê (que é o tofu frito em fatias finas e que fica oco) e rechear com o arroz. Come-se com picles de gengibre adocicado.

A receita é de Maria Cristina Wiechmann Fukushima, autora do livro Uma receita …puxa outra (insight, 2010).

Gostou do Inarizushi com cara dos personagens Totoro e Doraemon da foto ? Veja como fazer aqui.

 

26 GASTRONOMIA | FRESCOR DE PRIMAVERA

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Revista com receitas de kanten ( Foto: Luiza Freire).

Por Luiza Freire

A ascensão da primavera traz consigo um intenção de leveza e mudança de perspectivas e sentimentos que movem nossas vidas. Intenções que remetem à beleza do desabrochar das flores nesta estação e que indicam a possibilidade de renascimento e de despertar para a vida, após a intensidade de um período frio e de recolhimento do inverno. Sensação de liberdade e de estar ao ar livre com companhias agradáveis, leves e divertidas. Estas mudanças climáticas são muito perceptíveis e definidas no Japão, onde as estações e o clima referente a cada uma delas é muito peculiar. Desde a Antiguidade os japoneses se preocupam com a utilização de ingredientes e os alimentos apropriados de cada estação. A alteração é completa dos sabores à louça e as cores destes utensílios e as receitas que vão à mesa japonesa. Uma preocupação estética muito própria e muito intensa e que tem seu esplendor na gastronomia, um ápice da celebração à passagem do tempo. As receitas têm elementos bem próprios da estação como o desabrochar das cerejeiras e as louças de inverno escuras e de desenhos fortes são substituídas por louças mais finas, claras e com gravuras que remetem às flores e a brisa leve. A primavera tanto no Japão como no Brasil é uma época propícia aos preparos menos calóricos, mais coloridos e de sabor delicado assim como o clima e as sensações que esta estação evidencia aos olhos e ao paladar.

Há tempos procurava alguma publicação japonesa que indicasse o preparo de receitas mais leves, menos calóricas e mais primaveris. Foi numa das andanças no bairro da Liberdade em São Paulo atrás de referências e ideias para meus pratos que cheguei a uma revista japonesa inusitada: aplica o conceito de receitas de até oitenta calorias e/ou diet. Uma publicação repleta de receitas dedicadas à utilização do ágar-ágar (gelatina de algas), as chamadas gelatinas japonesas ou kanten, que particularmente gosto muito e que possuem além de alto valor protéico e de vitaminas, um valor calórico muito reduzido.

Há uma infinidade de possibilidades de sabores, cores e texturas que podem ser preparadas com este ingrediente e na revista fiquei surpresa com as preparações salgadas com a gelatina, todas muito leves e práticas para o dia-a-dia. Considerei como um ingrediente muito convidativo à primavera e preparei, especialmente para esta edição, um kantendoce e variado com sucos e frutas numa sobremesa que é rápida, leve, refrescante e especialmente light.  Uma combinação colorida, bela, saborosa e renovadora como as sensações propiciadas pelas mudanças da nova estação.

Itadakimasu (いただきます)!

RECEITA

 

Luiza  Freire nutre desde a infância a paixão pela cultura e a gastronomia japonesas. Quando não está cozinhando, é pesquisadora na área de educação e políticas educacionais brasileiras.

26 RECEITA | KANTEN FLORIDO

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Kanten florido. (Foto: Luiza Freire / Cerâmica: Alice Yamamura)

Nesta receita optei por fazer uma mix de kanten. Duas coloridas opções com sucos (maracujá e groselha) dando um leve sabor doce ao prato aos kanten de lichia em calda e morango com kiwi. A apresentação foi preparada utilizando cortadores de alimentos de formatos variados e dispostos sobre o prato de cerâmica mais claro para evidenciar as intensas cores do kanten. Rápida e de preparo descomplicado esta receita é perfeita para os dias mais quentes e agradáveis da primavera e do verão.

 Ingredientes:

  • 25g de ágar-ágar em pó
  • água para dissolver conforme as instruções do fabricante da gelatina
  • 280 ml (2 copos) de suco
  • 1 lata de lichia em calda (*)
  • 1 bandeja de morangos cortados em cubos
  • 3 kiwis cortados em cubos

Preparo:

Dissolva o ágar-ágar conforme as instruções da embalagem. Para a gelatina de morangos e kiwis utilize dez gramas do pó e após esfriar disponha as frutas picadas. No kanten de sucos, dissolva cinco gramas do pó para cada dois copos de suco concentrado e reserve. Para o kanten de lichia dissolva cinco gramas do pó em água fria e somente após esfriar quase completamente, adicione as lichias em calda picadas e o caldo da lata. Após o kanten estar firme e frio corte-o conforme sua preferência utilizando cortadores de formatos variados e sirva. Pode ser levado à geladeira e tem validade de três a sete dias.

(*)Além da lichia é possível utilizar pêssego, abacaxi, cerejas ou figos em calda.

Rendimento: 16 porções.

24 RECEITA | BANANINHA DE COSTELA NO MISSÔ APIMENTADO

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  • 400g de bananinha da costela (bovina)
  • 2 colher (sopa) de shiro missô
  • ½ cebola picada
  • 1 dente de alho picado
  • 3 pimentas dedo de moça, sem sementes, fatiadas.
  • 450 ml de água fria
  • arroz branco e salada para acompanhar

Preparo:

Doure a carne na panela de pressão, com a cebola e o alho. Após este processo, refogue a pimenta e dissolva as duas colheres do shiro missô na água. Misture bem com a carne, tampe a panela de pressão e cozinhe por 10 minutos (até pegar pressão) em fogo alto, reduza o fogo e cozinhe por mais 10 minutos. Espere sair toda a pressão e sirva com acompanhamentos.

 

NOTÍCIA | CULINÁRIA JAPONESA É TEMA DA NIPONICA

Capa da Nipônica no. 8.
Capa da Nipônica no. 8.

A mais nova edição da Revista Niponica (8), publicada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão, através da Embaixada do Japão no Brasil, aborda o Japão delicioso, explicando vários aspectos do  washoku – a comida tradicional japonesa. A revista explica como se desenvolveu a culinária japonesa ao longo da história , trazendo informações, curiosidades e pinturas que tratam do tema e a etiqueta à mesa.. Detalha  a culinária inspirada pelas quatro estações do ano, muito bem definidas no arquipélago, além de costumes registrados na língua, como as expressões  “itadakimasu” (“Estou recebendo algo especial”) e “gochisosama” (“Obrigada por preparar essa refeição”), ditas antes e depois das refeições.

Quem mora  no Distrito Federal e nos estados de Goiás e Tocantins podem pedir a revista em inglês através do email .Quem mora em outros estados deve pedir  ao consulado de sua área de jurisdição, A versão em versão PDF (sem imagens) , traduzida para o português pode ser acessada aqui.

23 GASTRONOMIA | COM AÇÚCAR, COM AFETO

Por Lu Noguchi

Crédito: http://sweetblogchria.com.br/novo/?p=1676
Crédito: http://sweetblogchria.com.br/novo/?p=1676

Neste mês, o texto da coluna de gastronomia é suave, leve  e encantador como os versos entoados atualmente pela Fernanda Takai  quando canta “(…)com açúcar, com afeto/ fiz seu doce predileto  / para você parar em casa (…)”, uma ode ao ato de cozinhar e para  além disso preservar e rememorar bons momentos ao redor da mesa com  quem se ama.

O mês de junho tornou-se  um mês especial dentro da minha lista de alegrias anuais. Há um ano  iniciava esta coluna aqui no MEMAI, em meio a uma profusão de  incursões e imersões tanto na gastronomia japonesa e, especialmente,  na confeitaria e patisserie mundial. Foi uma fase  doce e de muito  trabalho, e o  resultado final é fruto de muitas e intermináveis tentativas até a obtenção do sabor, consistência,  aroma e aparência ideais.

Este olhar sobre a gastronomia  como ponto de despertar os sentidos e as sensações vai ao encontro  do retorno da corrente de uma culinária mais afetiva, a comfort food, termo norte-americano cunhado para designar a  sensação de relacionar o alimento às sensações psíquicas e do  tempo onde foram vividas e de evidenciar os momentos à mesa e os prazeres  do processo como um todo, desde a escolha das receitas, ao preparo e  à degustação propriamente dita. Das diversas obras da gastronomia  japonesa que tive contato até hoje, mais da metade delas dedicavam-se  a valorizar o conceito de cozinhar por amor e/ou afeto. Os japoneses,  desde a antiguidade, dedicam-se a valorização do ato de  cozinhar e preparar seu alimento.

Aliado a esta condição  da gastronomia oriental como representação do carinho e da afetividade  de quem prepara os pratos e a condição da incansável perfeição  na busca pelo quarteto (sabor, consistência, aroma e aparência), deleguei  o mês de junho como o “mês amoroso” na minha agenda daqui em diante.

Compartilho com vocês  deste sentimento leve, adocicado e por que não apaixonado na receita  a seguir uma preparação comfort food feita para comemorar um ano de MEMAI e meu retorno  às aulas de língua japonesa. Como modo de confraternizar com meus tomodachi,  celebrando a vida e os bons momentos. Uma fofinha, delicada e rápida  combinação de sabores, os cupcakes de baunilha com recheio de Boston  Cream e cobertura de ganache de chocolate 55 %  puro cacau fizeram sucesso. Bolos são presentes para os japoneses e  aqui no Brasil,  são sinônimo de acolhida, de “casa da avó”.  Presenteei estas pessoas queridas com a minha especialidade e aquilo  que é a minha comfort food, ou seja, a comida que traz conforto e lembranças  e cupcakes/bolos sempre rendem ótimas recordações.

 Itadakimasu (いただきます)!

RECEITA

Lu Noguchi nutre desde a infância a paixão pela cultura e a gastronomia japonesas. Quando não está cozinhando, é pesquisadora na área de educação e políticas educacionais brasileiras