33 IMIN | A HISTÓRIA DE OBACHAN

Em homenagem ao Dia da Imigração Japonesa, que lembra o  18 de junho de 1908, data da chegada da primeira leva de imigrantes japoneses ao Brasil, publicamos um capítulo do livro infanto-juvenil “A camisa amarela da seleção brasileira”. de Gilson Yoshioka e Myriam Chinalli.

A caminho do prédio de sua avó, próximo ao metrô Liberdade, com um pedaço de bolo preparado pela mãe, Marcelo encontrou as ruas mais vazias do que de costume.

Logo ao chegar à praça da Liberdade, o garoto se impressionou com a sua beleza. Era a época do Tanabata Matsuri, o Festival de Estrelas. O espaço estava repleto de grandes bambus com os tanzaku, papéis coloridos em que os visitantes escreviam pedidos. Além disso, havia outros enfeite pendurados nas luminárias e em postes.

Marcelo pegou um folheto que explicava a antiga lenda japonesa:

“Próximo à via Láctea, a linda Orihime, a princesa tecelã, foi apresentada ao belo Kengyu, o jovem tecelão, segundo uma antiga lenda. Os dois passaram a viver apenas em função de seu romance, enquanto todas as obrigações eram deixadas de lado. Furioso, o pai de Orihime obrigou os jovens a morar em lados opostos da Via Láctea. Após ver o sofrimento da filha, o pai permitiu que o casal se encontrasse somente uma vez por ano, no sétimo dia do sétimo mês. Porém, havia uma condição: que eles atendessem a todos os pedidos dos habitantes da Terra nessa data.

Marcelo vibrou com a sorte de ter escolhido aquele sábado para a visita. Aproveitou para escrever um pedido e pendurar num dos bambus. Andou um pouco e logo avistou a obaachan fazendo ginástica e alongamento entre um grupo de idosos.

Seguindo as ordens gravadas em japonês  em meio a uma música suave, os participantes executavam movimentos harmoniosos do radio taissô.

– Obaachan! – gritou Marcelo.

Surpresa, a avó se despediu rapidamente dos colegas e foi abraçar o neto. Nunca tinha recebido uma vista tão cedo, e isso merecia u  café da manhã caprichado! Assim, teriam tempo para conversar.

Enquanto a avó punha a mesa, Marcelo via da janela do apartamento o mar de conreto do centro da cidade.

– Obaachan, radio taissõ quer dizer “ginástica do rádio”?

– Isso mesmo, Marcelo!

– A senhora pratica todos os dias?- Sim, praticamos os exercícios todas as manhãs bem cedo e, assim, ficamos mais alegres e dispostos. Aqui usamos gravações, mas no Japão, a transmissão é feita diariamente por uma rádio do governo japonês.

Enquanto tomavam ban-chá, o chá verde japonês, e comiam o bolo trazido pelo menino, ele e a avó falavam sobre a escola e as pessoas da família. Em certo momento da conversa, ela lhe perguntou delicadamente:

– Marcelo, me conte o que fez você vir tão cedo me visitar.

O garoto foi aos poucos contando sobe o aniversário do Fernandito. E a avó ouvia com o olhar atento e interessado a narração do neto.

Depois de alguns momentos de silêncio, ela disse:

– Não ligue para essas brincadeiras de mau gosto, o importante é que você soube se defender.

Marcelo sentiu, então, que poderia colocar as dúvidas, os questionamentos, as reflexões em dia.

– Por que a senhora veio para o Brasil ?

A avó deu um sorriso e, percebendo que a conversa seria longa, se preparou para contar a história de sua vida. Explicou que o Japão e o mundo inteiro estavam em crise, e a solução encontrada foi trabalhar com agricultura no Brasil. Ela e a família chegaram em 1931, alguns anos após o início da imigração japonesa ano Brasil, em 1908.

No porto de Kobe, no Japão, ela e o ojiichan Goro, o avô de Marcelo, suas quatro crianças e uma tia embarcaram no navio La Plata Maru e, após sessenta dias de viagem, chegaram ao porto de Santos, no litoral de São Paulo. O governo brasileiro exigia que cada família estrangeira tivesse pelo menos três adultos para trabalhar na lavoura.

– Os imigrantes queriam ficar alguns anos, juntar dinheiro e voltar para o Japão, mas isso não deu muito certo – contou a obaachan.

– Não imaginávamos as dificuldades seriam tão grandes. A língua, a comida, o clima, os costumes eram totalmente diferentes. Além disso, ganhávamos muito pouco. Fomos explorados em algumas fazendas.

– Como a família conseguiu aguentar, obaachan?

– Alguns de nossos parentes mudaram de cidade várias vezes até conseguir condições mais justas. Também, com o início da Segunda Guerra munidal, em 1939, a situação ficou mais difícil para os japoneses e os filhos deles…

A obaachan explicou que, na época, o Brasil apoiava os Estados Unidos, que estavam em guerra contra o Japão, a Itália e a Alemanha. Os descendentes de japoneses, italianos e alemães estavam proibidos de falar o próprio idioma no Brasil. Nesse momento, esses imigrantes, principalmente os japoneses e seus descendentes, por serem facilmente identificados, sofreram muito preconceito.

– Obaachan, por que a senhora resolveu ficar para sempre no Brasil?

– O Japão se rendeu após os Estados Unidos lançarem as bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki. O país foi destruído, e não teríamos oportunidades por lá. Assim, os filhos dos imigrantes japoneses começaram a estudar português para se adaptar melhor à sociedade e contribuir para o desenvolvimento do Brasil.

Avó e neto se abraçaram felizes após aquela long conversa. Marcelo percebeu a grande força vital de sua obaachan e estava orgulhoso da história de sua família. Voltou para casa mais feliz do que nunca e , agora, com mais um sonho: escrever, no futuro, um livro sobre a história da imigração japonesa.

O garoto se sentiu mais fortalecido para enfrentar certas situações de humilhação como aquela do aniversário. Percebeu que algumas crianças, ignorantes da própria história e das dificuldades de seus antepassados, precisavam conhecer e respeitar mais a diversidade de raças, etnias e culturas do povo brasileiro.

(“A camisa amarela da seleção brasileira”, de Gilson Yoshioka e Myriam Chinalli. Ilustrações de Rafael Anton. Editora Gaivota, 2014).

 

32 SOCIEDADE | CASARÃO DO CHÁ DE MOGI É RESTAURADO

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Monumento histórico da imigração japonesa de Mogi das Cruzes é restaurado. Foto; divulgação.

Neste domingo (01), a partir das 10 horas, acontece a reabertura do Casarão do Chá de Mogi das Cruzes. O Casarão, um ícone arquitetônico na história da imigração japonesa em São Paulo, foi restaurado pela Associação Casarão do Chá e apoio dos governos federal, estadual e municipal. O lugar é um patrimônio cultural nacional, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (CONDEPHAAT).
*Apresentação de música tradicional japonesa com Miwakai (Koto) e Shinzankai (percussão).

O Casarão de Chá tornou-se um centro cultural e na festa de reabertura abrirá dois  eventos. Um deles é  a 1º Mostra Sul Americana do Miksang Institute of Contemplative Photography realizada pelo Fotoclube do Alto Tietê e o outro, a Feira de Cultura e Lazer do Casarão do Chá (artesanato, comida, plantas ornamentais e animais diversos).

O Casarão do Chá de Mogi das Cruzes foi originalmente uma fábrica de chá, projetada e construída em 1942 pelo arquiteto e carpinteiro japonês Kazuo Hanaoka. Por quase três décadas, este edifício abrigou uma linha de produção de chá preto para exportação,  empregando imigrantes japoneses. Com as dificuldades do mercado de exportação de chá no Brasil, a fábrica encerrou suas atividades e se tornou um depósito, e com o passar dos anos se desgastou naturalmente.

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Telhado kara hafu, típico de construções japonesas. Foto: divulgação.

O Casarão do Chá é uma construção única no país. Como escreveu o professor Kunikazu Ueno, no relatório “Casarão do Chá”, apresentado à Fundação Japão de São Paulo, em 1999,  Hanaoka o construiu de acordo com técnicas japonesas,  exceto pelo emprego de treliças no lugar de vigas horizontais. No pórtico de entrada do edifício está o estilo de telhado chamado “kara-hafu”, não comum nas fábricas de chá. Os telhados “kara-hafu” são comuns no Japão, e provavelmente Hanaoka o adotou para mostrar a sua maestria e habilidade.

Há outras estruturas de construção típicas do Japão, como o formato de telhado “irimoya” e os beirais superiores da entrada, o “ougi-daruki”. O beiral segue o estilo zen no Japão, ou seja, os cachorros de beiral não são paralelos, mas dispostos como as varetas de um leque japonês. Na estrutura do pórtico de entrada, da porta do Escritório e no corrimão da escada, Hanaoka empregou troncos de árvores no seu formato original.

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Detalhe do uso de madeira de eucalipto na estrutura. Foto: di ulgação.

Outro detalhe que mostra a miscigenação de técnicas arquitetônicas é o uso de eucaliptos para confeccionar a estrutura de madeira. No Brasil, este tipo de madeira não é muito usado na construção civil. A madeira da espécie é dura e de difícil corte, desfavorável à construção de juntas e encaixes. Mas a árvore cresce aprumada e é resistente para trabalhar, é  boa  para as estruturas de edificações. 

O Casarão do Chá fica em na ESTRADA DO CHÁ, cx 05, acesso pela Estrada do Nagao, km 3,Cocuera, Mogi das Cruzes, Telefone: (11) 4792-2164.

 

 

30 KINEMA | OSCAR NAKASATO ESCREVE SOBRE "TOKIORI"

Foto: divulgação.
Foto: divulgação.

por Oscar Nakasato

O documentário Tokiori – dobras do tempo, de Paulo Pastorelo, inicia com a voz off de um narrador que revela um olhar externo às histórias que serão contadas.  Não é, porém, a simples curiosidade que leva ao contar. O olhar é de alguém profundamente aderido ao tema e às dezenas de personagens que vão surgindo e revelando os sucessos e os dramas que resumem a aventura do imigrante japonês e seus descendentes no Brasil.

O filme conta as histórias de famílias que se instalaram na década de 1930 no bairro rural de Graminha, município de Oscar Bressane, no oeste paulista. Depoimentos  constituem um painel dos primeiros anos dos imigrantes no país, desvelando uma época em que a tradição e os costumes trazidos do Japão eram bastante presentes. Lembrando a sua juventude, a imigrante Yoshie Yanai  conta que se casou pressionada pela família. Ela não queria se unir  ao  futuro esposo porque sabia que não teria sua própria casa, já que ele era o primogênito e, obedecendo aos costumes, seguiria morando com os pais após o matrimônio.   Os diversos casamentos entre os membros das famílias pioneiras resultaram numa colônia em que todos se tornaram parentes. O documentário conta a trajetória desses  homens e mulheres que atravessaram décadas cultivando a terra. A partir dos anos 1980, alguns deles, impelidos pela crise econômica brasileira, participaram  do processo inverso impetrado por seus pais ou avós: foram trabalhar como decasséguis nas indústrias do Japão.

As diversas estratégias usadas para contar essas histórias dão dinamismo ao filme. Após uma indefinida voz off da leitura de uma carta, ilustrada com fotografias e cenas de filmadoras caseiras, assistimos ao depoimento de um parente que ficou no Japão, ao qual se segue outra voz em off, agora da imigrante anciã. Em algumas passagens, as imagens silenciosas são suficientes para dizer. Por fim, o espectador vê cenas de imigrantes em um navio e, depois,  em um trem, enquanto ouve a mesma indefinida voz off das cartas revelando anotações de um diário sobre a longa viagem do Japão ao Brasil (a morte de uma criança a bordo do navio, a qual é lançada ao mar em um saco com pedaços de ferro; as aulas de língua “brasileira”;  a realização de undokai – gincana esportiva – no convés), a chegada ao porto de Santos e o deslocamento de trem até a Hospedaria dos Imigrantes, em São Paulo.

O entrecruzamento de vozes e imagens colhidas no Brasil e no Japão vai conduzindo o espectador por uma senda descontínua, num vai-e-vem no tempo. Estabelecer as redes de relações familiares é tarefa desse espectador,  o qual,  talvez acostumado a documentários  realistas, tenha alguma dificuldade em compreender a obra autoral  e poética de Pastorelo.

O filme também encanta pela fotografia sensível.  Em mais de uma cena, fotografias em preto e branco impressas em tecidos pendurados em varais balançam ao vento: metáfora de histórias  que se desdobram através do tempo  e se anunciam no título do filme. Em outro momento,  a câmera parece enquadrar a solidão na imagem do velho imigrante, sentado numa cadeira, de costas, o andador ao lado, em frente a um horizonte limpo, quase monocromático,  dizendo de seu desejo de morrer no Brasil e ser enterrado no cemitério de Oscar Bressane: “Minha pai tá lá, minha esposa tá lá…” E na cena mais bonita do filme, compartilhamos o olhar que, de dentro do automóvel, segue a estrada em direção ao sol poente , que mancha o horizonte de amarelo-laranja. Estradas, aliás, são recorrentes no filme, lembrando as travessias dos personagens do Japão para o Brasil, no Brasil e do Brasil para o Japão.

A obra de Pastorelo é feita de imagens, vozes, violão, viola caipira e músicas japonesas. Mas o silêncio também é protagonista em algumas passagens. No final do filme, a voz off que inicia a narração de Tokiori – dobras do tempo retorna:  “(…) me contentei com o silêncio que ele deixou quando partiu, o mesmo silêncio que habitava as fotografias (das famílias dos imigrantes japoneses) que me fascinaram desde o começo…”. Na sequência, fotografias mudas   em preto e branco  finalizam o filme, reafirmando a eloquência da imagem e do silêncio.

29 KINEMA | "TOKIORI" ESTREIA EM CIRCUITO COMERCIAL

Crédito: divulgação.A partir dessa sexta-feira (22), o documentário Tokiori  – As dobras do tempo, de Paulo Pastorello, estreia em circuito comercial no  Espaço Itaú de Cinema, em São Paulo.    A produção,  finalizada em 2011, já foi exibida  na capital paulistana no evento Travessias  em conflito e no Festival É tudo Verdade, em 2012. A partir de 04/12, também entrará no Espaço Itaú de Cinema, em Curitiba.

O filme  conta a história de cinco famílias de imigrantes japoneses que se instalaram na comunidade rural de Graminha, na cidade de Oscar Bessane, que fica a 500 quilômetros a Oeste de São Paulo. Em japonês, a palavra  Toki significa  tempo e a palavra Ori, do verbo Oru, dobrar. Graminha agrupa pequenos sítios tocados por famílias de origem japonesa . Yoshie Sato chegou no Brasil em 1929, aos nove anos de idade, acompanhada dos pais, quatro irmãs e o irmão mais velho. Depois da vida de colono numa fazenda de café na região da Mogiana, chegaram na Graminha por volta de 1936, onde ela e suas irmãs foram o pivô de uma série de casamentos que uniram, em laços de parentesco, as principais famílias japonesas fundadoras do bairro: os Yanai, Yoshimi, Funo e Okubo. Atualmente, a Graminha conta com pouco mais de vinte pessoas, e é difícil de encontrar alguém que não seja  parente próximo. Aos 90 anos, Yoshie é viúva e vive no sítio com a família do seu filho mais velho.Três gerações reunidas sob o mesmo teto.

Para tentar se aproximar dessa experiência de travessia, Tokiori se articula em torno de cinco viagens entre o Japão e o Brasil, realizadas entre 1927 e 1992. Essas idas e vindas, vivenciadas por um ou outro membro dessas famílias, acontecem em períodos específicos nos quais mudanças de ordem econômica e política nos dois países tiveram repercussões diretas sobre suas vidas, emaranhando cada vez mais suas referências identitárias.

Pastorello tem uma ligação sentimental muito forte como o  bairro rural da Graminha, onde passava as férias, em sua infância, na fazendo do avô espanhol. Com frequência eu cruzava essas famílias de origem japonesa nas festas e quermesses da cidade, misturados aos “não- japoneses” – gaijins do município – de origem italiana, espanhola, portuguesa e “brasileira mestiça” (nordestinos e mineiros, sobretudo), conta. Como lugar de memória dessas famílias de imigrantes japoneses, a história da Graminha é inerente à sua identidade mais profunda. Ao mesmo tempo em que elas estão “integradas” à vida cotidiana “brasileira” do município, elas não deixam de delimitar fronteiras móveis, fazendo com que terra natal e terra estrangeira se confundam, como se a Graminha não fosse nem no Brasil nem no Japão, e ambos ao mesmo tempo.

Pastorelo é arquiteto e mestre em Estudos Cinematográficos e Audiovisuais pela Universidade de Paris 3. Começou a carreira de documentarista com  Vale o Homem seus Pertences (52min), coprodução com a Sesc TV que foi ao ar em 2005. Em 2006 foi pesquisador e diretor de Elevado 3.5, e em 2010 , dirigiu o documentário Paisagens da Memória – Vila Nova Cachoeirinha (26min). Atualmente leciona cinema para os alunos do 5o (São Paulo) no quadro do projeto Le cinéma, centans de jeunesse coordenado pela Cinemateca Francesa.

Criada em 2006, a Primo Filmes é  produtora de filmes como  O Cheiro do Ralo ( Heitor Dhalia), Fabricando Tom Zé ( Décio Matos  Júnior)   a série No Estranho Planeta dos Seres Audiovisuais, criada por Cao Hamburger e exibida no  Canal Futura, Trago Comigo, (Tata Amaral) , entre outros. O filme está sendo distribuído pela Lumes Filmes, fundada no ano 2000 pelo cineasta Frederico Machado, responsáve pela distribuição de mais de 200 títulos no mercado brasileiro. Entre eles  David Lynch, Luis Buñuel, Yasujiro Ozu, , R.W. Fassbinder, Kenji Mizoguchi, Claude Chabrol, Akira Kurosawa, entre muitos outros que fazem parte deste que é o maior acervo de DVDs de filmes autorais do país.

O Espaço Itaú  de Cinema, em São Paulo fica no Shopping Frei Caneca  – 3º Piso – Rua Frei Caneca, 569 – Consolação. E em Curitiba, no Shopping Crystal,  Piso L1, na Rua Comendador Araújo, 731 – Batel.

28 KINEMA | MOSTRA DE CINEMA NIKKEI : POLÍTICA

Okuhara filma Hidaka. Foto: divulgação.
Okuhara filma Hidaka. Foto: divulgação.

Na terça-feira (29), a MOSTRA DE CINEMA NIKKEI,  a ser exibida no Cine Guarani, no Portão Cultural, em Curitiba, apresenta dois documentários sobre a segunda fase da  imigração japonesa ao Brasil.  Depois dos primeiros anos  trabalhando nas lavouras de café no interior de São Paulo e do Paraná, muitos arrecadaram um pé-de-meia e mudaram para centros urbanos maiores. Foi o caso da maioria dos que foram se instalar na capital paulista. O documentário “Gamabarê ou Liberdade”, de José Carlos Lage, mostra apresenta  a história do maior ponto de concentração da comunidade nipo-brasileira, o bairro da Liberdade, em São Paulo,  principal ponto de referência comercial e de costumes orientais para a comunidade japonesa no Brasil.

José Carlos Lage é formado em Publicidade e Propaganda, com pós-graduação em comunicação e marketing pela ESPM. Em 1992,  trabalhou em Nova York ,  realizando videoclipes para artistas como: George Michael, Natalie Cole e Tonny Benett. Produziu e dirigiu filmes publicitários para as principais agências de São Paulo: DPZ, Peraltastrawberryfrog, Ogilvy, Sunset Comunicação entre outras Dirigiu os documentários Paulista(2003)  e Um dia de lobo (2005)..

Yami no ichi nichi

Nessa segunda fase da imigração, com o propósito inicial de “preservar os costumes e cultura japonesa”, foram criadas muitas associações de nipo-brasileiros. Se algumas tiveram como objetivo apenas o entretenimento, outras tiveram viés mais político, como foi o caso da Shindo Renmei – a Liga do Caminho dos Súditos. A organização ultranacionalista defendia que os japoneses não havia perdido a guerra –  eram os kachigum, os vitoristas –  e atacavam os que defendiam tese contrária  dos makegumi, os derrotistas.

O documentário Yami no ichi nichi, o crime que abalou a colônia japonesa no Brasil, de Mario Jun Okuhara, traz a versão da história  de Tokuichi Hidaka, que, em 1946, aos 19 anos de idade, foi um dos autores do assassinato do coronel Jinsaku Wakiyama, líder dos “derrotistas” em São Paulo. Hidaka entregou-se à polícia com o restante do grupo e cumpriu 15 anos de prisão. Em liberdade, sofreu a punição da colônia japonesa: foi discriminado, condenado ao ostracismo, sem oportunidade para contar a sua versão. Décadas mais tarde, Hidaka inicia uma busca por amigos e pessoas desse período para reconstruir a memória da época e encontrar o sentido da sua vida no Brasil. Nesta nova versão do documentário, integrantes da família Wakiyama falam do papel exercido por Jinsaku na comunidade nipo-brasileira paulista dos anos 1940 e expõem seu ponto de vista sobre os fatos.

Desdobramentos

O documentário de Okuhara ganha relevância, pois graças a ele, foram ouvidos depoimentos de nipo-brasileiros presos na Ilha de Anchieta, para onde foram levados os envolvidos com a Shindo Renmei. Os presos relataram casos de tortura e violação de direitos humanos.  A presidente da Comissão Nacional da Verdade, Rosa Cardoso, pediu desculpas pelo tratamento racista e detenção de vários membros da comunidade durante a segunda guerra , abrindo caminho para uma retratação pública oficial .

Não houve só presos por crimes,  também foram fichadas no Dops (Departamento de Ordem Pública e Social) e presas pessoas que apenas guardavam livros escritos em japonês, em casa, e agricultores foram expropriados de suas terras, no área costeira brasileira, acusados de ser espiões dos japoneses O governo também fechou escolas, proibiu jornais em língua japonesa e também qualquer tipo de reunião pública na comunidade.

O pedido de desculpas será encaminhado no relatório final da Comissão da Verdade ao governo brasileiro. Os imigrantes japoneses sofreram com os preconceitos desde que chegaram ao Brasil, em 1908. As restrições foram aumentando até culminar no verdadeiro estado de sítio imposto pelo Governo Vargas. Para  Okuhara, as desculpas da CNV são um marco histórico, o início do reconhecimento da violência sofrida pelos japoneses no Brasil.

28 KINEMA | MOSTRA DE CINEMA NIKKEI : YPÊ NAKASHIMA

Cena do filme Ypê Nakashima.
Cartazete do filme Ypê Nakashima.

Nos anos 70, o imigrante japonês  Ypê Nakashima fez o primeiro longa metragem  colorido em animação do Brasil.  Piconzé  é um filme com 80 minutos desenhados à mão livre, quadro a quadro rascunhados, traçados, refeitos e pintados.  O processo artesanal do filme, que contou com uma equipe de produção não-profissional, chamou a atenção dos pesquisadores para a persistência de Nakashima.

O animador nasceu em 5 de junho de 1926, na província de Oita, na extremidade sul do arquipélago japonês. Quando tinha 17 anos, entrou na Escola de Belas Artes de Kyoto. Aos 19, foi forçado a interromper os estudos, convocado a prestar serviços na guerra. Foi designado a servir em Nagassaki. Terminada a guerra, voltou aos estudos. Trabalhou para  jornais  Mainichi Shimbum; Assahi Shimbum; Yomiuri Shimbum, fazendo charges, tiras, e ilustrações.Viveu cerca de dez anos em Kyoto.

Em 1956,  já casado e com o filho Itsuo,  embarca para o Brasil. Em São Paulo, Ypê se inteirou  com a colônia japonesa. Prestou serviços para Nippak Shimbum, São Paulo Shimbum, Cooperativa Agrícola de Cotia. Começou a pesquisar cinema de animação, associando-o à fascinação pelas lendas e folclore brasileiros. Criou o personagem Papa-Papo, um papagaio, com o qual fez inúmeros curtas-metragens, nunca exibidos em qualquer circuito.

Em 1966, faz contato com o Japão para começar a  produção de um longa metragem, que finalizou em 6 anos. Piconzé estreou em 1972 e recebeu o prêmio Coruja de Ouro do Instituto Nacional do Cinema (INC). Em 6 de abril de 1974, Ypê Nakashim morreu, com 47 anos de idade. Em  25 de maio de 1975, Ypê Nakashima recebeu postumamente, o prêmio – GOVERNADOR DO ESTADO – entregue a seu filho Itsuo,  no Palácio dos Campos Elíseos.

PICONZÉ e DOCUMENTÁRIO

Piconzé  foi filmado em negativo colorido, 35 mm, acumulou 25 mil acetatos, igual quantidade de animação e intervalação, 300 cenários.  O personagem-titulo  vive na pacata vila do Vale Verde, com seu amigos   Louro Papo, Chico Leitão. Gustavo Bigodão e seu bando passaram a roubar Vale Verde. Num assalto, Bigodão rapta Maria Esmeralda, a namorada do Piconzé. Piconzé e sua turma partem para salvá-la. Depois de muitas aventuras,  encontram um ermitão que ensina Piconzé  a lutar para enfrentar o Bigodão. Piconzé consegue salvar Maria Esmeralda. No fim,  a paz e tranqüilidade voltam a Vila Verde.

Itsuo Nakashima vivia contando as histórias de seu pai para família e amigos. Um dia, contou para o cineasta Hélio Ishii e este resolveu fazer um filme sobre o animador, com o título de seu personagem. Em 2007, o cineasta  lançou  o documentário Ypê Nakashima, baseado no depoimento de  Itsuo   e da  netas Larissa e Lorena, que nunca  tendo tido contato com o avô.  O testemunho de Itsuo divulga para um público  mais amplo passagens curiosas da vida de Ypê Nakashima. Apesar de ter combatido na Segunda Guerra mundial,  na artilharia antiaérea em Nagasaki,  o animador parece não ter sido abalado por  traumas.m tinha um  espírito alegre e descontraído.

A MOSTRA DE CINEMA NIKKEI apresenta os filmes Piconzé e Ypê Nakahsima no domingo (29) , no Cine Guarani, no Portão Cultural  – Avenida República Argentina, 3430.

28 KINEMA | MOSTRA DE CINEMA NIKKEI: CURTAS CONTEMPORÂNEOS

Cena de "O samurai de Curitiba".
Cena de O samurai de Curitiba.

Na próxima sexta-feira (25), a MOSTRA DE CINEMA NIKKEI, promovida pelo MEMAI com o apoio do Consulado Geral do Japão em Curitiba e Fundação Cultural de Curitiba abre com uma sessão de curta-metragens dos cineastas Olga Futemma, Rodrigo Grota, Roberval Machado e Edson Takeuti.

De Olga Futemma, a mostra apresenta Retrato de Hideko e Chá verde e arroz. Retrato de Hideko trata do mito da boneca perdida típica à mulher do dia-a-dia, quatro gerações da mulher japonesa: a luta pela sobrevivência, o culto às tradições, a adaptação à cidade e a diluição cultural. Chá verde e arroz tem como tema o cinema ambulante japonês nas comunidades do interior paulista, no final da década de 50. Ex-benshi (narrador de filmes japoneses) e seu assistente visitam uma pequena cidade e promovem uma sessão. Tudo é acompanhado por Jo, um garoto que adora cinema.

De  Rodrigo Grota, serão exibidos Haruo Ohara e Satori Uso.  O primeiro é uma biografia lírica do Biografia do fotógrafo japonês radicado em Londrina, Haruo Ohara (1909-1999). O diretor remonta algumas cenas de fotografias que se tornaram famosas na obra de Haruo, como a do lavrador empunhando a enxada para o céu e a da menina saltando de sombrinha. Já Satori Uso simula, em ambientação de filme noir, um documentário sobre um poeta que nunca existiu apresentado por um cineasta imaginário: Jim Kleist. Inspirado na obra poética de Rodrigo Garcia Lopes (autor dos haicais).

De José Roberval Machado, o documentário O samurai de Curitiba, sobre o roteirista e desenhista Claudio Seto, com enfoque na sua produção de histórias em quadrinhos publicadas nas editoras Edrel e Grafipar entre os anos 60 e 80. Seto dedicou-se a diversos estilos de histórias, como de samurais, de terror, policiais e eróticas. Além dos enredos, foi um dos pioneiros do estilo mangá no Brasil, através da revista O Samurai, publicada na década de 60 pela Edrel. O filme também aborda a questão da censura, já que a publicação dos quadrinhos ocorria durante o governo militar e a maioria das histórias possuía teor erótico.

O Gralha  – O ovo ou a galinha, de Edson Takeuti (Tako-x)  presta homenagem aos super-heróis americanos, de forma irreverente  e com cor local.  Mais uma aventura do super-heroi curitibano em luta eterna contra seu inimigo mortal, O Craniano. O filme foi feito em 2002, depois de Tako-x participar de um curso com Tizuka Yamasaki. Ele escreveu e dirigiu um “live-action” , um filme com atores representando personagens de HQ.  Tako-x fez  mais 2 curtas: O Gralha e o Oil-Man – Um Encontro Explosivo e”O Apêgo.

NOTÍCIA | INÍCIO DAS COMEMORAÇÕES IMIN 105 ANOS

22noticiaimagem08A partir de 17 de maio o Bunkyo-SP  começa  as comemorações dos  105 anos de imigração japonesa no Brasil (comemorados no dia 18 de junho). A entidade promove o evento Nihon no Bi – Beleza do Japão, que acontece nos dias 17 a 19 de maio, e traz  exposições, música e arte, além do lançamento de um livro.

Exposição de ikebana,  demonstração da cerimônia do chá e recital de koto, shamisen e shakuhachi. A cerimônia de abertura do evento acontece no dia 17 de maio, às 19h, quando também será realizado o lançamento do livro Hana – A Flor na Natureza e nos Campos do Japão, em português, publicado pelo Centro de Chadô Urasenke do Brasil.

Nihon no Bi – Beleza do Japão (Entrada Franca)
Abertura: dia 17, às 19h, com lançamento do livro “Hana – A Flor na Natureza e nos Campos do Japão”
Data/hora: 18 e 19 de maio, sábado e domingo, das 10h às 18h
Local: Hall do Grande Auditório e Salão Nobre do Bunkyo
Rua São Joaquim, 381 – Liberdade – São Paulo – SP
Informações: (11) 3208-1755

Realização: Bunkyo – Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social
Apoio
Fundação Kunito Miyasaka
Associação de Ikebana do Brasil
Centro de Chadô Urasenke do Brasil
Associação Brasileira de Música Clássica Japonesa
Comissão de Artes Plásticas e Comissão de Arte Craft do Bunkyo

NOTÍCIA | O JAPÃO É AQUI. OU NÃO?

Torii do Parque do Centenário da Imigração Japonesa, em Mogi das Cruzes.
Torii do Parque do Centenário da Imigração Japonesa, em Mogi das Cruzes.

Desde que os imigrantes japoneses chegaram ao Brasil, em 1908, multiplicam-se réplicas do Japão no Brasil. Toriis (o portal xintoísta),  templos budistas e pontes e esculturas com símbolos japoneses proliferam em lugares  públicos, como mostra esse artigo enfocando cidades do interior de São Paulo, onde se fixou  grande parte dos imigrantes.

O slideshow é muito bem feito, com  imagens de Suzano, Mogi das Cruzes e Bastos, colhidas de vários blogues. Porém, mostra algumas incorreções nas informações .  Na primeira foto de  Suzano, por exemplo, o texto diz que no   Templo Budista Daigozan Jomyoji há uma estátua budista mas mostra uma lanterna de jardim japonês.

Em Mogi, há uma foto do  ponto final do Expresso Turístico Mogi das Cruzes (a partir da Estação da Luz), que faz a viagem pelos trilhos da antiga Estrada de Ferro Central do Brasil, construída ainda no tempo do Brasil Império. Essa foto, que aparentemente nada tem a ver com o tema “japonês”,  remete à importância que esse meio de transporte teve para os imigrantes. .  As linhas mogiana e sorocabana passavam por várias colônias japonesas no interior de São Paulo. O trem era tão importante que  é citado nos  haicais do poeta-lavrador  Nempuku Sato.

Ainda nas imagens de Mogi, o texto da fotos do  Parque Centenário da Imigração Japonesa diz que lá existem  dois toriis  e mostra a foto de uma ponte japonesa.  O torii, na verdade, é o portal vermelho que aparece na primeira imagem do slideshow (foto acima). O outro torii não fica no parque. Estava instalado na estrada Mogi-Dutra e foi removido em março desse ano pela prefeitura local, por questões de segurança.

A referência mais interessante para os pesquisadores da história da comunidade nipo-brasileira talvez seja a citação do Museu Histórico Regional Saburo Yamanaka, fundado em 1975, em Bastos.  A cidade, junto com a pequena Tupã, foi palco do episódio mais sangrento da comunidade, a Shindo Renmei. Em Bastos, Ikuta Mizobe, o  primeiro makegumi (imigrante japonês que aceitava a derrota japonesa na Segunda Guerra) foi assassinado, no dia 7 de Março de 1946. Quem não conhece a cidade e se interessa pela comunidade nikkei fica curioso em conhecer esse museu.

Outra citação de uma comunidade já mítica  dentro da comunidade nikkei é Yuba, que fica na cidade de Mirandópolis, a 600 km da capital paulista. A comunidade agrícola foi uma utopia criada por Isami Yuba, em 1924, na Fazenda Aliança. Além de criar uma comunidade meio anarquista, que sobrevivesse de  agricultura,  Isami inspirou a coletividade a  cultivar o espírito artístico, construindo um teatro onde os jovens pudessem apresentar o que tivessem aprendido em aulas de balé e  música clássica – nem sempre japonesa. Também criou ateliês de cerâmica japonesa. O Balé Yuba se tornou famoso e já fez várias apresentações em eventos e festivais brasileiros, mostrando a diversidade cultural típica (e que foge do padrão folclórico)  de uma comunidade nikkei.

NOTÍCIA | CONTOS EXTRA-ORDINÁRIOS DA IMIGRAÇÃO

21noticiaimagem12A partir dessa sexta-feira (12) começa a série Extra-ordinários, apresentações cênicas coordenadas pelo  Núcleo Hana de Criação e Pesquisa teatral. São 10 histórias de vida de imigrantes japoneses e seus descendentes no Brasil (nikkeis), relatadas pelos próprios protagonistas. As peças fazem parte da segunda e última etapa do Projeto Travessias em Conflito, que discute questões pouco conhecidas da imigração japonesa do Brasil.

A proximidade com a realidade é potencializada pelo Biodrama, formato criado pela diretora argentina Vivi Tellas, que transforma experiências reais em cenas dramáticas. Além de sua colaboração, a fundadora do núcleo Alice K coordena as apresentações cênicas da programação da segunda quinzena de abril.

Cada apresentação consiste em três relatos. Confira a sinopse das histórias a serem compartilhadas com o público, tal como o calendário de apresentações. A entrada é gratuita. As dramatizações serão feitas em três lugares: Associação Cultura Cachuera, Oficina Cultural Osvald de Andrade e Sociedade Cultural  Hiroshima Kenjinkai do Brasil.

Associação Cultural Cachuera

12/04 , 21 horas

Contratempo com  Edson Kameda e Akira Ueno. Dois amigos cinquentões, um ator e Akira, integrante do grupo de musica paulista Rumo, revivem suas escolhas do passado.

O psicólogo com Ulisses Sakurai e Marcos Suguiura. O ator e bancário Ulisses decide fazer terapia.

Miss Saigon, Miss Paraná e Miss Sakurá com Keila Fuke e Francine Missaka.
Os bastidores de musicais revelados por uma atriz e uma cantora.

13/04, 21 horas – Associação Cultural Cachuera!

Festa de Aniversário  com: Ligia Yamaguti, Rafael Massuda e Eva Santos.
Os mestiços Ligia e Rafael trocam confidências sobre a ausência do pai em suas vidas.

Um conto de fadas com Marcos Miura e Akemi Matsuda. Marcos em uma aula de japonês com a professora e Lolita Akemi.

Lucia quer ir ao baile com Luana Tanaka e Lucia Hiroko Tanaka. Mãe e filha em fuga.

Dona Emília faz Teatro com Ricardo Oshiro e Emília Hirakawa.
Dona Emília seria mais uma daquelas senhoras, praticantes da Cerimônia do Chá́, comprando seus produtos japoneses na Liberdade. Mas, um dia ela resolve fazer uma aula de teatro.

14/04, 21 horas

Lua e Memórias , com Cristina Sano, Yugo Sano Mani e Lúcia Hiratsuka.
Um gesto, um acorde e um traço revelados por uma atriz, seu filho músico e uma escritora-ilustradora.

Os três sobreviventes com Rogerio Nagai, Takashi Morita, Junko Watanabe e Kunihiko Bonkohara.Três sobreviventes da bomba atômica de Hiroshima relatam suas histórias de vida, da Segunda Guerra Mundial, a imigração para o Brasil, até os dias de hoje.

Dois nisseis contra a ditadura com Alexandre Kishimoto, Jorge Okubaro e Mário Ozava (Mário Japa). Dois ex-colegas de escola se reencontram após quarenta anos, trazendo à tona memórias da militância política dos nikkeis.

•    Dias 18, 19 (quinta e sexta, 20h), 20/4 (sábado, 16h)
Oficina Cultural Oswald de Andrade 

•    Dias 26 (sexta, 21h) e 27/4 (sábado, 18h)
Sociedade Civil Hiroshima Kenjinkai do Brasil (R. Tamandaré, 800)