47 SOCIEDADE – A MORTE PARA OS JAPONESES

Costumes japoneses no ritual de morte surpreendem ocidentais.

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Túmulo do cineasta Yasujiro Ozu.

No Brasil, no Dia dos Mortos, até há alguns anos, era comum  famílias de descendentes de japoneses deixar um prato de comida ou bebidas diante de túmulos dos antepassados. Os nikkei ofereciam refeições (comida e bebida) aos mortos, seguindo a tradição xintoísta. Embora a prática ainda se mantenha no Brasil, hoje é condenada no Japão, considerada anti-higiênica. O pratinho de comida continua a ser oferecido no Hotokesama, o santuário doméstico em reverência aos antepassados.

Nas Escrituras Budistas lê-se que um dia o monge Mokuren viu a mãe morta sofrendo de fome nas profundezas do inferno. A oferta de uma tigela de arroz ajudou a aliviar a dor dela. A tradição de oferecer comida e bebida aos mortos vem daí. A prática foi proibida pelo governo japonês, por atrair corvos aos cemitérios.
Aos imigrantes, o governo japonês recomendava não expor o hotokesama na sala de estar. A cautela era para que a diferença de crenças não chocasse os brasileiros. O santuário era colocado no quarto de dormir. A clandestinidade favoreceu o ecumenismo. Assim, a maioria dos descendentes de japoneses no Brasil, além de batizados com nomes cristãos, aderiu ao catolicismo, mas não esqueceu de prestar reverências aos ancestrais.
JAPÃO
O culto aos ancestrais é disseminado nas corporações japonesas. Grandes empresas mantêm mausoléus para homenagear funcionários. São os monumentos empresariais, construídos pela Panasonic, Mitsubishi e Sony, entre outras, para cultuar os “soldados da empresa”. Hirochika Nakamaki, antropólogo do Museu Nacional de Etnologia da Universidade de Osaka, que estudou estes monumentos, conta que as construções   fúnebres  começaram a ser erguiaos a partir dos anos 50 no Monte Koya, no sul de Osaka, onde estão sepultados daymios (senhores feudais) históricos.
Diante de memoriais empresariais, pede-se votos de prosperidade nos negócios, prevenção de acidentes de trabalho e reconhecimento da preferência do consumidor. As empresas japonesas mais conceituadas são as que criam e mantêm memoriais para funcionários.
Nakamaki diz que os memoriais são uma extensão de relações entre executivos e funcionários, que reproduzem laços entre daymios e samurais. Ele sustenta que as multinacionais nipônicas adotaram o modelo do clã feudal e adaptaram rituais religiosos nas organizações para sobreviver no mundo dos negócios.
“Trazendo os santuários xintoístas, símbolo dos laços territoriais e os templos, dos laços sanguíneos para as organizações, os daimiyos capitalistas transferiram os laços de sangue e territoriais para as empresas. Assim carregaram símbolos budistas e xintoístas com valores mercadológicos, inserindo aspectos religiosos no ambiente de trabalho para transferir sentimentos familiares aos funcionários”, diz Nakamaki.

Os orientais não têm a mesma visão da morte que os ocidentais. A morte, tanto para chineses, japoneses, tibetanos e indianos, influenciados pela cultura budista, é ocasião de júbilo. O budista chora quando nasce uma criança e ri quando se vai um morto. Acreditam que morte é renascimento. Em vez de preto, usa branco para celebrar o luto.

O Dia dos Mortos no Japão é celebrado a 15 de agosto (O-bon). O-bon é uma festa budista em que é permitido aos espíritos mortos visitar as casas de familiares vivos para comemorar o encontro com eles. Acendem-se lanternas nas portas de entrada das casas para guiar os espíritos. No fim do festival (Tooro Nagashi) acendem-se lanternas nos rios, de onde os fantasmas retornariam ao mundo sobrenatural, após visitar os parentes durante vários dias.
O mais antigo registro sobre a comemoração do O-bon é de 657 e faz parte da história da Rota da Seda. Na época, a cidade de Asuka (hoje uma vila da cidade de Nara) era pólo da efervescência política e cultural, povoada por chineses, coreanos e persas que faziam a rota da seda, entre Pequim e arredores.
A origem da palavra vem de rituais persas de crença dos zoroastros: uruvan(urabon, em japonês): campo de energia ligando vida e morte. O zoroastrismo atingiu o Japão através da Rota da Seda fundiu-se com festivais budistas, que se tornaram populares a partir do ano 538.
Em Tóquio o Dia dos Mortos ainda é celebrado em julho, mas em outros lugares é em agosto – sétimo mês do calendário lunar, ainda considerado pela agricultura tradicional como época de plantio e colheita. As danças japonesas conhecidas em festivais japoneses como Bon-odori são originárias dos rituais fúnebres. Uma das funções das danças é espantar os maus espíritos, que também são reanimados na época.

47 SOCIEDADE – HAMAMATSU NO FUTSUU

Inspirado pelo texto do D Design Shizuoka (Shizuoka no Futsuu) sobre a vida cotidiana em Shizuoka, decidi apontar algumas das minhas impressões sobre Hamamatsu, considerada a Capital da Música do Japão e cidade que morei no passado. Retornando depois de 3 anos, fui tomado por um feixe de sensações que são difíceis de descrever para quem nunca esteve na cidade. Como me disse uma amiga, moradora na cidade há mais de 10 anos, é como se tivesse tirado férias e retornado para casa.

Yaramaika! Um dos motes mais famosos da cidade (e presente só nos guias turísticos), Yaramaika se refere ao estado de espírito livre de se tentar fazer as coisas sem a preocupação de algo dar errado ou o que seja. Dizem que esse espírito livre está presente em momentos específicos na cidade, como no famoso festival de Hamamatsu, cujo céu fica abarrotado de pipas. Mas hoje quero falar de música, algo que tempos atrás era algo tão entranhado no meu cotidiano nipônico que você acaba esquecendo, ignorando ou tratando como algo corriqueiro. Foi só mudar de cidades que, pronto, você percebe que está tudo lá. Mesmo.

Hamamatsu é a Capital da Música do Japão, sede da divisão de instrumentos musicais da Yamaha, da Roland, da Kawai e da Apolo, para listar as mais famosas. Lá se produz alguns dos instrumentos musicais mais famosos e cobiçados do mundo, graças a sua qualidade. Desde a adolescência sempre tive uma queda pelos pianos e sintetizadores da Roland e, quem diria, anos depois, moraria na cidade que é sede e participaria de grupos de jazz com músicos da empresa. Já a Yamaha foi minha casa por semanas sem fim…

O único arranha-céu de Hamamatsu foi construído no formato de uma Harmônica gigante, hoje um complexo comercial com vários escritórios e lojas. Lá tinha uma lojinha que vendia camisetas com os dizeres “Eu amo Hamamatsu” e coisas do tipo, algo que nunca me serviu por conta da minha altura. Em frente fica o Museu de Instrumentos Musicais de Hamamatsu, famoso por manter um acervo de instrumentos do mundo inteiro.

Yamaha, Hamamatsu

Contudo, Hamamatsu não precisa de monumentos para mostrar a música no cotidiano. Você sabe quando chegou em Hamamatsu quando consegue acompanhar orquestras e gruos de bukatsu em frente à Estação JR todos os fins de semana. Em outros horários, a Estação JR e os arredores do Entetsu se tornam palco para grupos amadores de cantores e outros musicistas, disputando na habilidade um público sempre cativo portando suas câmeras. Lá eu já peguei desde bandas de J-Pop almejando um lugar ao Sol, ao lado de violinistas de flamenco em transe no dedilhado, ou grupos de Taiko da Shizuoka Bunka Geijutsu Daigaku. Desta vez, Festival do Chá Verde no Entetsu. Com música, é claro.

Você sabe quando está em Hamamatsu quando se depara com protestos contra a energia nuclear feitos por senhores de sabe lá quantos anos tocando Acordeon.

Nas proximidades ficam as salas de concerto do Act City, agora em novembro sendo palco do Festival de Ópera de Shizuoka. Agora. No próximo mês será a casa de outros concertos. E por aí vai. Bancos, esculturas e tudo mais lembram a todo momento que você está na capital da música. Não sei se o Crown Hotel, que fica em frente, ainda tem aquele piano de acrílico transparente…

Caminhando para o centro e, já perto do Yamaha Kajimachi Center e do ZaZa City, são comuns os festivais de música num espaço que eu pessoalmente lembrava como “pracinha do ZaZa”. Desta última vez, dois festivais ocorriam ao mesmo tempo, o Festival de Blues e o Festival de Artes de Outono, com músicos profissionais de toda a Província de Shizuoka e, o mais importante, dando espaço para os músicos locais totalmente desconhecidos. Bandas marciais, orquestras de metais, grupos de hip hop, salsa, bandas de rock e grupelhos saídos dos bukatsu escolares estão por ali. Os músicos participantes apareceram não para “ficarem famosos”, mas sim para garantir a existência e continuidade do evento. Era bastante comum os grupos subirem ao palco e pedirem desculpas por “estarem tentando”, que “se esforçariam ao máximo” na execução das músicas.

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Em Itayamachi estava ocorrendo outro festival, assim como embaixo da Estação Daiichidori. Tudo com música. Sempre tem coisa embaixo da Estação Daiichidori, a estação do Akaden, o “Trem Vermelho”.

Você sabe quando está em Hamamatsu quando os semáforos das ruas não tocam apenas “pin pon” como em outras cidades nipônicas, mas sim melodias inteiras naqueles timbres de MIDI como aviso sonoro. Dá pra ouvir o tema do Totoro atravessando a rua.

Você sabe quando está em Hamamatsu quando encontra música em situações inesperadas. Desta vez, no restaurante Mein Schloss, um quarteto de jazz de mulheres na casa dos 20 anos como forma de manter os estudos, apavoradas pelo início de carreira, todas de terno como que à espera de uma entrevista de emprego, todas com livros de Jazz Standards abarrotados de Post Its coloridos marcando as páginas de partituras.

Hamamatsu

Hamamatsu tem uma população de brasileiros tão expressiva que eles têm uma escola de samba própria. Batucada de Hamamatsu. Com direito a carnaval e tudo. E, é lógico, tem grupos de japoneses fazendo samba por lá também.

Tempos atrás vi o Festival de Decoração Natalina de Hamamatsu. Você sabe quando está em Hamamatsu quando topa com um grupo de rock ‘n roll meloso de senhores com seus 60 anos, todos trajando terno branco e cachecóis, cantando num frio de 5 graus, para serem substituídos por corais de música gospel à la japonesa, com uma platéia empolgada mesmo diante do frio. Haja Caramelo Machiatto pra esquentar!

Victor Hugo Kebbe

Publicado originalmente aqui

46 SOCIEDADE – Geisha, geiko, oiran e tayū

Essa é uma discussão antiga, lá de 2012, sobre uma possível definição de geisha, um termo que me perguntam eventualmente. Existe uma confusão bastante corriqueira entre os termos geiko, geisha, oiran e tayū, noções bastante diferentes que afetam parte da nossa percepção sobre esse lado nipônico.

Existem geisha (芸者)/geiko (芸子) e cortesãs (花魁, em alguns livros chamadas de Oiran), algo que até hoje é bastante confundido no senso comum. Os tipos de cortesãs mudaram ao longo dos anos e estão atreladas à chegada do Período Edo (1603-1868) e à instauração dos distritos de Shimabara (Kyoto), Yoshiwara (Tokyo) e Shinmachi (Osaka), sendo o nível hierárquico de cortesã mais alto o de Tayū. Nessa época, com a criação da lei de controle/delimitação de áreas de entretenimento, acabou surgindo novos nichos de atuação, sendo rapidamente ocupados pelas cortesãs. Os tipos e níveis hierárquicos das cortesãs variam conforme o treinamento e serviços oferecidos, inclusive, com cortesãs voltadas para os prazeres sexuais (aham, não são todas voltadas para isso, outro motivo de grande confusão e criação de preconceito).

Higashiyama, Kyoto

Por conta do surgimento de novas artistas do entretenimento, as geiko foram facilmente confundidas com cortesãs e até mesmo prostitutas, o que criou uma grande mancha negativa em sua imagem. O preconceito durou por anos, até que são comuns as histórias trágicas dos pais que não querem que a filha se torne geiko e tudo mais. Tudo isso virou motivo de fascínio nos Estados Unidos e Europa, com vários livros e romances dedicados ao assunto, alguns que infelizmente são preconceituosos e empobrecem o entendimento da cultura japonesa.

Vale lembrar rapidamente que geiko/geisha ou “Filha das Artes”/“Praticante das Artes” é aquela mulher treinada não só na melhor etiqueta japonesa, como também em várias formas de artes e rituais, desde a Cerimônia do Chá até a prática de números artísticos, musicais, etc. Para tanto, se dedicam por anos a fio em um treino bastante rigoroso, árduo e extremamente caro.

Higashiyama, Kyoto - por P. Akiti

Com a independência feminina no Japão da década de 50 e 60 o número de geiko diminuiu drasticamente, contudo, temos notado que o interesse para se tornar geiko retornou com força nas últimas décadas. Livrando-se da imagem negativa consolidada nas décadas anteriores, as atuais geiko recuperam o prestígio de tempos passados. Já as Tayū, uma cortesã treinada e de alto nível, cumpre um papel em declínio, restando pouquíssimas no Japão.

Caminhar em Kyoto, em especial lá em Pontocho e Gion e em horários especiais, é tropeçar entre maikos (aprendizes de geiko/geisha) e também entre maiko de mentira ou fake, o que deixa a população local muito chateada.

Como já ouvi por lá, para aquecer o turismo as agências contratam jovens dispostas a se vestirem como maiko para aparecer nas fotos dos inúmeros estrangeiros que aparecem na cidade. Li uma vez a irritação de um mestre sobre o assunto, pois a prática desconsidera os vários anos de prática e estudos que são requisitos para a formação de uma geiko.

Victor Hugo Kebbe

46 SOCIEDADE – HAFU REPRESENTA JAPÃO NO MISS UNIVERSO

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Uma mestiça, Priyanka Yoshikawa, 22 anos, vai representar o Japão pelo título de Miss Universo 2016, em dezembro, em Washington. A representante da beleza nipônica neste ano é filha de pai indiano e mãe japonesa. Priyanka segue o exemplo de outra hafu (em inglês, half, metade japonês, metade ocidental), Ariana Miyamoto, filha de um pai afro-americano, que venceu o Concurso Miss Japão em 2015.

O correspondente da RFI no Japão, Frédéric Charles, conta que a eleição de Priyanka é considerada como uma pequena vitória contra os preconceitos raciais em um país fechado à diversidade. A escolha também provocou muitas discussões nas redes sociais a respeito dessas mudanças na sociedade.

Nascida em Tóquio, a nova Miss Japão prometeu continuar a luta contra o preconceito racial num país etnicamente bastante homogêneo, onde apenas 2% são mestiços. Dona de grandes olhos negros e corpo de manequim, com 1,76m, Priyanka é domadora de elefantes e pratica kick-boxing.

Em uma depoimento à AFP, ela conta que “antes de Ariana, as mestiças não podiam representar o Japão. Eu mesma não achava que isso fosse possível, mas ela nos mostrou o caminho”, disse Priyanka. Ela contou que  teve de aturar comentários maldosos na escola quando voltou ao Japão, aos dez anos, após alguns anos no exterior. “Eu era tratada como um micróbio, ninguém se atrevia a me tocar. Mas isso me tornou uma pessoa forte”, diz a Miss. “Quando estou fora do Japão, ninguém me pergunta sobre minhas origens. Espero conseguir mudar a percepção das pessoas. O número de mestiços só vai aumentar e é preciso aceitar isso”, acrescenta.

A palavra hafu (ハーフ, hāfu) surgiu na década de 1970 no Japão e é agora é mais comumente utilizado e preferido com auto-afirmação. Tem sido crescente o aparecimento de hāfus na mídia japonesa. Ele estão em capas de revistas de moda como Non-no, Can Can e Vivi e são vistos nas telas de TV com frequência como jornalistas ou celebridades. A atriz Anna Tsuchya (americana-japonesa), protagonista do filme Sakuran,  a tarento Becky (britânica/japonesa), a apresentadora Christel Takigawa (francesa/japonesa) e as modelos Kaela Kimura (britânica/japonesa) e Anna Umemiya (americana/japonesa) são algumas delas. Há um site totalmente dedicado aos hafus, aqui.

Os hafus estão conseguindo vencer os preconceitos, enfrentados pelos ainoko (合の子), filhos de uniões interétnicas. Ainokos eram realcionados nos anos 1940, à  pobreza, impureza racial e a discriminação. A palavra foi então substituída na década de 1950 pelo termo konketsuji (混血児) que significa, literalmente, um filho de sangue misturado. Isso foi utilizado numa tentativa de separar os meio-japoneses dos japoneses “puros”. Alguns pais de crianças hāfus que falam inglês preferem o termo double (duplo).

41 SOCIEDADE – PIADAS RACISTAS E YELLOWFACE GERAM POLÊMICA

O rito do impeachment de Dilma, no último domingo, gerou não apenas uma batalha entre governistas e oposionistas. Uma postagem nas redes sociais viralizou ao publicar a imagem do deputado federal Hidekazu Takayama votando. A foto tinha como legenda a conhecida piada do “pastel de flango”, linguajar atribuído a brasileiros descendentes de orientais. A comunidade se manifestou em peso contra o racismo.

por Marilia Kubota

O rito de admissibilidade do impeachment da presidente Dilma pelo Congresso Nacional,  no último domingo, gerou não apenas uma batalha entre governistas e oposionistas. Uma postagem no Twitter, compartilhada no Facebook, em páginas como  Ajudar o povo de humanas a fazer miçangas e  “É por isso que eu amo a internet, viralizou ao publicar um “meme” com a imagem do deputado federal Hidekazu Takayama votando:

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A postagem foi compartilhada em vários blogues e páginas de grupos de descendentes de asiáticos,como Outra ColunaPerigo Amarelo e Asiáticos pela Diversidade. Muitos de seus membros entraram nas páginas que compartilharam o meme para  protestar. Na página Ajudar o povo de humanas a fazer miçangas, por exemplo, depois de algumas discussões, a adminstradora Dominique  Vargas, apagou a postagem e publicou um pedido de desculpas pessoal, dizendo que havia reproduzido o meme “sem maldade” e por humor. Ela pediu ajuda à página Asiáticos pela Diversidade para entender a polêmica, e os administradores da página explicaram didaticamente os motivos do racismo. 

Mas a polêmica não acabou. Na última quarta-feira (20), a página Suki Desu voltou a publicar a piada do pastel de flango, explicando as diferenças entre as línguas japonesa e chinesa. Diz que porque  no Idioma japonês não existe a letra “L”,e os japoneses  falam o “R” no lugar do “L”. E recomenda: Essa piada só funciona com chineses, se forem fazer piadas que façam direito, ou melhor: NÃO FAÇAM!. O adminsitrador destaca que O post em nenhum momento diz que japoneses não gostam de ser confundidos com chineses ou vice versa, apenas diz a diferença entre as linguagens, que no alfabeto japonês não há o “L” e no chinês há.

Mais racismo

A notícia de que Luis Mello fará yellowface gerou indignação,
Notícia de que Luis Mello fará yellowface em novela da Globo gerou indignação,

As redes sociais continuam reproduzindo o estereótipo de que o imigrante de etnia oriental fala errado. Mas a discriminação  mais grave não está nos canais da internet, e sim na grande mídia. Um artigo  compartilhado  há uma semana na página do MEMAI com a notícia de que o ator Luís Mello interpretaria o patriarca de uma família japonesa na próxima novela das 18 horas, na Rede Globo, veiculada pelo blog televisivo de Patrícia Kogut, teve recorde de visualização: mais de 4.300 pessoas alcançadas.

O protagonista da novela é um patriarca japonês que imigra para o Brasil na década de 60. Ele e suas filhas vão viver as mais loucas aventuras e dramas com pares brancos, na vila fictícia do Arraial do Sol Nascente. Das 30 pessoas cotadas e/ou confirmadas para o elenco, apenas 4 são de fato amarelas (Dani Suzuki, Carol Nakamura, Geovanna Tominaga e Miwa Yanagizawa). O recurso empregado pela Globo não é novidade, com um heroi branco,  histórias “étnicas” tornam-se mais palatáveis ao  público geral (lembre-se do enorme sucesso de “Escrava Isaura”, adpatado do romance de Bernardo Guimarães). De acordo com Fábio Ando Filho, administrador do blogue Outra coluna, “As narrativas tradicionais constroem arquétipos bem definidos nos quais as pessoas possam se espelhar, fabricando modos de vida moral e subjetiva que se enquadrem nas expectativas de normalidade. Por outro lado, histórias “étnicas” só encontram serventia enquanto representarem aquilo que for exótico e diferente, desviante e até ridículo.”

O pesquisador diz que  esse fenômeno é conhecido como whitewashing, recurso da construção civil e do design de interiores que consiste em jogar uma tinta branca barata feita de cal por cima de uma parede colorida. “O termo é utilizado também para descrever o embraquecimento das narrativas das minorias étnico-raciais”, destaca Fábio. Como consequência, há a invisibilidade e esquecimento de histórias diferentes do padrão. Em geral, “a história das minorias políticas é homogeneizada, pasteurizada e apresentada da forma que melhor convir”, completa. Isto provoca o silenciamento e apagamento do grupo étnico, com sua falta de representação nos meios de comunicação, na cultura e na política.

 

 

32 SOCIEDADE | CASARÃO DO CHÁ DE MOGI É RESTAURADO

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Monumento histórico da imigração japonesa de Mogi das Cruzes é restaurado. Foto; divulgação.

Neste domingo (01), a partir das 10 horas, acontece a reabertura do Casarão do Chá de Mogi das Cruzes. O Casarão, um ícone arquitetônico na história da imigração japonesa em São Paulo, foi restaurado pela Associação Casarão do Chá e apoio dos governos federal, estadual e municipal. O lugar é um patrimônio cultural nacional, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (CONDEPHAAT).
*Apresentação de música tradicional japonesa com Miwakai (Koto) e Shinzankai (percussão).

O Casarão de Chá tornou-se um centro cultural e na festa de reabertura abrirá dois  eventos. Um deles é  a 1º Mostra Sul Americana do Miksang Institute of Contemplative Photography realizada pelo Fotoclube do Alto Tietê e o outro, a Feira de Cultura e Lazer do Casarão do Chá (artesanato, comida, plantas ornamentais e animais diversos).

O Casarão do Chá de Mogi das Cruzes foi originalmente uma fábrica de chá, projetada e construída em 1942 pelo arquiteto e carpinteiro japonês Kazuo Hanaoka. Por quase três décadas, este edifício abrigou uma linha de produção de chá preto para exportação,  empregando imigrantes japoneses. Com as dificuldades do mercado de exportação de chá no Brasil, a fábrica encerrou suas atividades e se tornou um depósito, e com o passar dos anos se desgastou naturalmente.

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Telhado kara hafu, típico de construções japonesas. Foto: divulgação.

O Casarão do Chá é uma construção única no país. Como escreveu o professor Kunikazu Ueno, no relatório “Casarão do Chá”, apresentado à Fundação Japão de São Paulo, em 1999,  Hanaoka o construiu de acordo com técnicas japonesas,  exceto pelo emprego de treliças no lugar de vigas horizontais. No pórtico de entrada do edifício está o estilo de telhado chamado “kara-hafu”, não comum nas fábricas de chá. Os telhados “kara-hafu” são comuns no Japão, e provavelmente Hanaoka o adotou para mostrar a sua maestria e habilidade.

Há outras estruturas de construção típicas do Japão, como o formato de telhado “irimoya” e os beirais superiores da entrada, o “ougi-daruki”. O beiral segue o estilo zen no Japão, ou seja, os cachorros de beiral não são paralelos, mas dispostos como as varetas de um leque japonês. Na estrutura do pórtico de entrada, da porta do Escritório e no corrimão da escada, Hanaoka empregou troncos de árvores no seu formato original.

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Detalhe do uso de madeira de eucalipto na estrutura. Foto: di ulgação.

Outro detalhe que mostra a miscigenação de técnicas arquitetônicas é o uso de eucaliptos para confeccionar a estrutura de madeira. No Brasil, este tipo de madeira não é muito usado na construção civil. A madeira da espécie é dura e de difícil corte, desfavorável à construção de juntas e encaixes. Mas a árvore cresce aprumada e é resistente para trabalhar, é  boa  para as estruturas de edificações. 

O Casarão do Chá fica em na ESTRADA DO CHÁ, cx 05, acesso pela Estrada do Nagao, km 3,Cocuera, Mogi das Cruzes, Telefone: (11) 4792-2164.

 

 

26 SOCIEDADE | CULTURA JAPONESA TROPICAL

Por Victor Hugo Kebbe

Tanabata Matsuri já existia no período Edo - aqui, retratado por Hiroshigue.
No Japão, o Tanabata Matsuri  existe há mais de mil anos – aqui, retratado por Hiroshigue, no período Edo.

Pouco antes das comemorações para o Centenário da Imigração Japonesa no Brasil fiz uma breve visita ao Tanabata Matsuri de São Paulo, na Liberdade. Bairro pelo qual tenho uma grande afeição desde minha infância, o Tanabata era uma das poucas festividades locais que me era difícil poder comparecer, até aquele fatídico ano de 2008. Chegando bem cedo, pude acompanhar os preparativos para o festejo de final de semana, com vários descendentes pendurando infinitos bambus e lanternas pelas calçadas. Várias fotos foram tiradas, vários ângulos, vários momentos. Grupos de dança e taiko chegavam de todas as partes e se preparavam na “concentração” em frente ao Ikezaki, na Galvão Bueno, todos ansiosamente aguardando pela chamada ao palco, em plena Praça da Liberdade, sim, aquela da estação do Metrô, aquela da Rádio Taissô.

Logo uma amiga com quem tinha combinado de me encontrar havia chegado e aí pudemos almoçar e passear pelo bairro, apinhado de visitantes de todas as partes do Estado de São Paulo. Famílias inteiras de descendentes vindos de cantos distantes disputavam espaço lado a lado com japoneses “do Japão”, entre tantos não-descendentes que faziam questão de estar presentes na celebração de origem mitológica. Acompanhamos a abertura do Tanabata ao tradicional modo xintoísta, debaixo de um Sol brasileiro, imenso, debaixo daquele torii brasileiro, igualmente imenso – o pórtico xintoísta tão famoso de gravuras e fotos do que se entende de “Japão” – e, com uma câmera digital bem modesta, continuei registrando as minhas imagens e impressões.

Cheguei em casa naquele dia e a primeira coisa que fiz foi enviar estas fotos para uma amiga minha, japonesa, residente em Nagóia e um pouco mais velha que eu (mas não muito), sobre o tal do “Festival Tanabata de São Paulo”, um dos símbolos da “cultura japonesa” no Brasil. Muito intrigada e bastante educada, me respondeu: “nossa, isso é impressionante… parece algo do tempo dos meus avós. Apesar de ser algo japonês, é diferente.” Congelado no tempo, o Tanabata Matsuri de São Paulo era um símbolo de uma “cultura japonesa” um pouco diferente da “cultura japonesa” praticada no Japão. Tinha em mãos não uma “cultura japonesa”, mas “culturas japonesas”, no plural, sobre “Japões” absurdamente próximos e, ao mesmo tempo, paradoxalmente distantes.

Como já disse em outras oportunidades, apesar da similaridade fenotípica e a proximidade de alguns costumes e hábitos, são visíveis as “diferenças culturais” ou, como insistem alguns dos meus entrevistados, de “mentalidade”. Dadas as particularidades destas duas chaves culturais, não é à toa que acadêmicos tanto do Brasil quanto Japão se debruçam sobre o tema: como percebe Nobuko Adachi, os “japoneses” do Brasil são de fato diferentes do japoneses do Japão, estando as diferenças vinculadas aos esquemas ou estoques culturais de cada país.

Não pretendo me alongar ou “cair” numa discussão sobre “cultura” ou mesmo “cultura japonesa”, afinal, discutir “Cultura” não é e nunca será tarefa fácil, gerando tantas definições –  imprecisas – quanto possível. Seria um trabalho hercúleo e fadado ao fracasso tentar delimitar fronteiras para definir uma “cultura japonesa”, assim como seria igualmente tenebroso pensar em uma cultura brasileira, americana, francesa, etc. Nestas horas prefiro recorrer à sabedoria do antropólogo francês Claude Lévi-Strauss em sua própria “incapacidade” (esta fruto de profunda reflexão crítica) de alocar a “cultura japonesa” como algo distinto de qualquer outra cultura. Num mundo humano de contatos e trocas culturais constantes, seria uma ilusão “cairmos” no erro de acreditar na especificidade (e com ela a falácia da inferioridade ou superioridade) desta ou daquela cultura. E daí que muitos estudos “caem” por terra que, senão tomados por razões ideológicas quaisquer, são por vezes resultado de perspectivas unilaterais sobre a mesma coisa, oras, a experiência humana. Paremos de cair, por favor.

Contudo, é possível tecer algumas palavras sobre certos marcadores da “cultura japonesa” praticada no Brasil, contanto que tenhamos em mente que cultura é sempre um sistema dinâmico de símbolos e valores que podem sempre… mudar. Isso rapidamente coloca em tensão qualquer noção de cultura como algo estático e rígido que recai sobre os indivíduos, “vítimas” de um bloco de símbolos e valores desta ou daquela região. Assim fica fácil: apesar de praticada no Brasil com este nome, a tal da “cultura japonesa” daqui é bastante diferente (obviamente) da “cultura japonesa” de lá.

Quanto à “cultura japonesa” à brasileira, basta observarmos que itens e símbolos japoneses encontrados no Brasil são fruto de um complexo diálogo e síntese entre duas chaves culturais distintas, lembrando aqui do poderoso aporte teórico do antropólogo norte-americano Marshall Sahlins. Preste um pouco mais de atenção ao sushi de manga ou  salame, o temaki recheado com maionese, cream cheese, o temaki doce, servido em um cone de sorvete. Todos estes são produtos que, apesar de serem vendidos no Brasil como itens da “cultura japonesa”, sofreram processos intensos de significação e ressignificação ao entrarem em contato com um contexto cultural… diferente.

O mais curioso destes processos de significações e ressignificações de mundo é que eles ainda chocam muita gente, em especial quando tratam da “cultura japonesa” enquanto algo único, homogêneo e enganosamente “original”, percepção ideológica que tem raízes nas políticas educacionais do Japão em fins de Período Meiji até pouco antes da Segunda Guerra Mundial. Os que gritam em altos brados sobre a homogeneidade do povo e da “cultura japonesa” se esquecem que os caracteres que usam em seus cartazes e teorias foram importados da China, assim como vários costumes, leis e histórias, para não falarmos então da importância da Coréia na formação do bojo cultural nipônico, isso há muito tempo, quando a Coréia não era Coréia e quando o Japão não era o Japão que conhecemos hoje.

Como apontei à exaustão no meu Mestrado, o Centenário da Imigração Japonesa no Brasil atuou como um poderoso catalisador de mudança e, justamente, de significações e ressignificações de mundo, cujos ecos nós podemos sentir facilmente nos dias de hoje. Enquanto um interstício bastante particular do tempo, o Centenário obrigou os descendentes a se olharem novamente, atravessando não só o tempo (pelas várias gerações que envolveu nas festividades) como o espaço (pois evidentemente estamos falamos de Brasil e Japão). Naquele momento eu comentei sobre a produção de múltiplas “identidades nipo-brasileiras” (ao contrário de uma só, como dizem muitos por aqui), gerando infinitas japonesidades e percepções diferentes de identidade, “comunidade nikkei”, “cultura japonesa” e consequentemente, Japão.

Gostaria de apontar para alguns símbolos nipônicos que foram incorporados no imaginário da “comunidade nikkei”, muitos deles transpostos e ressignificados em um contexto diferente, o brasileiro, subvertendo em parte a lógica e significados originais.

Primeiramente, não podemos deixar de lado a chegada triunfal e pelo visto permanente do torii como símbolo da “presença japonesa” nas cidades que receberam imigrantes. Presentes no imaginário popular sobre o Japão, os pórticos são originalmente associados à esfera religiosa do xintoísmo, atuando como demarcadores do espaço sagrado/espaço profano no Japão. Em poucas palavras (e bem poucas, mas prometo escrever algo mais elaborado futuramente), o torii separa o espaço de uma divindade, kami, da nossa dimensão mundana, sendo um marco de transição da nossa realidade com um mundo “mágico”, do “invisível” e que não pode ser visto pelos nossos olhos humanos.

No Brasil o torii virou símbolo da “presença japonesa” em várias cidades, inclusive a minha, São Carlos, São Paulo. Alocados em praças públicas, rotatórias ou até mesmo entradas de restaurantes de “comida japonesa”, os torii perdem a sua conotação original para dar espaço ao imaginário do que temos do Japão. Não quero me alongar numa discussão sobre o Orientalismo de Edward Said ou algo do tipo, mas fica evidente a ressignificação do portal para algo que vai além de uma mera commodity, visão que, inclusive, empobrece o nosso entendimento da questão.

Longe de ser apenas uma “mercadoria” ou algo que simplesmente “encaixa” o pórtico dentro de uma lógica muito particular de mercado, o torii também incorpora e transborda um feixe de impressões sobre Japão, como que intrinsecamente carregado de mana ou algum poder mágico que traz, como o miraculoso teletransporte de Jornada nas Estrelas, um pouco do imaginário nipônico para perto de nós. Aqui e dentro deste contexto cultural híbrido e consequentemente singular, prefiro acreditar que, ao contrário de “perder” a sua conotação religiosa original, o torii “ganha” e acumula novas conotações e sentidos, atuando como um pára-raio de “orientalidades” (para emprestar uma categoria análitica da minha amiga pesquisadora Michiko Okano) e também como um demarcador de espaços diferentes, não o sagrado e o profano apenas, mas o brasileiro e o “japonês” (ou pelo menos o que as pessoas acreditam ser “japonês”).

Outro objeto bastante antigo que chegou com força no Brasil em tempos de Centenário foi o taiko, o famoso tambor japonês. Item também associado à dimensão religiosa e, segundo alguns, na lógica da guerra, no Brasil o taiko acabou sendo ressignificado como outro símbolo poderoso da “presença japonesa” e, por que não, igualmente carregado de “orientalidade”. Agora envoltos na dimensão da performance, do concerto e do show artístico, os grupos de taiko são indispensáveis nos festivais japoneses em todo o país, os famosos “matsuri” (aliás, outro tipo de festejo de origem religiosa, xintoísta, que aqui vira sinônimo de “festival japonês”, sim, aquele que frequentamos para comer yakisoba-sushi-e-temaki), sendo muitas vezes as apresentações mais esperadas pelos espectadores, descendentes e não-descendentes.

Talvez um dos símbolos mais curiosos da “cultura japonesa” praticada no Brasil é o Bon Odori, festejo nipônico similar ao nosso Dia de Finados e que aqui ganhou renome pelas danças circulares alegres (algumas, inclusive, associadas na dimensão da performance tal qual o taiko), geralmente praticadas pelas senhoras e senhores mais velhos da “comunidade nikkei”. O maior exemplo da capacidade de transformação e, justamente, no dinamismo desta “cultura japonesa” é o Matsuri Dance, uma atualização do Bon Odori praticado pelos jovens em alguns estados do país. Contudo, ao contrário de ser algo recente ou “mais novo”, não é encontrado no Japão dos dias de hoje, mostrando a particularidade da “cultura japonesa” à brasileira.

Tais diferenças de historicidade entre os japoneses “do Japão” e os japoneses “do Brasil” não só evidenciam o poder do diálogo e interlocução destes esquemas ou estoques culturais em contextos diferentes, como permitem que minha amiga japonesa diga, repleta de razão e em alto e bom som, que a “nossa cultura japonesa” é bastante diferente da “cultura japonesa do Japão”, cedendo espaço à capacidade de invenção enquanto algo positivo. Como um alerta extremamente importante aos japanólogos e também bastante produtivo se encararmos a questão de modo crítico, vemos a dificuldade em definir a “cultura japonesa” como algo estanque, carregada de uma ilusória territorialidade, ancestralidade biológica ou mesmo cristalizada pelos discursos políticos, acadêmicos, “intelectuais”, etc., como uma caixa lacrada de símbolos que só podem ser acessados por membros muito específicos de um clube mais específico ainda. Afinal, essa “cultura japonesa” tanto aqui quanto acolá é produzida (e só assim pode ser produzida) diante do contato, do diálogo e das trocas culturais. Essa não é a tal da diversidade?

22popimagem02Victor Hugo Kebbe é Doutor em Antropologia Social pela UFSCar. Além de realizar pesquisas sobre a comunidade nikkei no Brasil, se dedica ao estudo de parentesco japonês e famílias decasséguis no Japão. Foi Fellow da Japan Foundation, pesquisador associado da Faculdade de Educação da Shizuoka University e do Instituto de Antropologia da Nanzan University, Nagóia. É autor do blog Japanologia.