34 ENTREVISTA | TEIKA ITOH, UMA ARTISTA DE IKEBANA CONTEMPORÂNEO

Tekka Itoh.
A floresta artificial de Teika Itoh.

Nessa edição, entrevistamos a artista de ikebana contemporâneo  Teika Itoh. Mestre da escola Ohara Ryu, uma dass “três grandes” escolas de ikebana clássico no Japão, Teika já expôs em Londres ( 2001 Crossover /Instalação de ikebana – Mile End Park),  Nova Iorque, ( 2003 Perfection/Impermanence: contemporary Ikebana  – Wave Hill Glyndor Gallery) e em exposições relevantes no Japão, como Echigo Tsumari Art Triennial 2006 e 2009, em Niigata,  Exposición Internacional Zaragoza, no Instituto Cervantes de Tóquio, em 2008.  A artista parte dos conceitos da ikebana para criar suas instalações, usando elementos da natureza, como flores, folhas,  ramos e troncos de árvores junto com elementos artificiais, compondo uma obra singular.

Por Marilia Kubota (com apoio de Elia Kitamura)

34entrevistaimagem01O que você ensina a suas alunas nas aulas de ikebana ?

 

Na maior parte, ensino ikebana tradicional a meus alunos. Penso que o arranjo floral não é algo que se pode pensar senão que  brota a partir de um sentimento pessoal. Não obstante, para produzir ou criar minhas obras, há um trabalho muito minucioso a realizar, para o qual peço ajuda de meus alunos, com a intenção de que, com o  processo, aprendam a arte floral.

O que o ikebana pode transmitir para uma pessoa leiga?

O ikebana supõe uma nova vida para uma planta que perdeu sua raíz. Supõe um diálogo com la flor, enquanto se desfruta do momento, e como consequência,  se decora e se aporta frescura ao recinto ou espaço onde onde se cria.  A origem do  ikebana são as oferendas florais  ligadas ao shintoismo, as quais  começaram no século  .

Pode falar brevemente sobre o estilo Ohara Ryu?

Entre os séculos  XVI e XVIII se desenvolvem distintas formas de ikebana e se estabelecem distintas escolas associadas a “dichas formas”. A origem de Ohara Ryu  remonta a 1894, quando introduziu o novo conceito de “Moribana” ao ikebana. Ohara Ryu ampliou a base onde se criava o  ikebana, (que até então se limitava a uma só) a uma forma triangular, pelo que se deu começo a una ikebana no qual se decora pondo uns elementos em cima de outros. A introdução deste conceito supôs o  inicio da renovação do  ikebana.  Na atualidade, há numerosas escolas de ikebana,  mas “as três grandes” são Ikenobo, Sogetsu e Ohara ryu.

越後妻有アートトリエンナーレ in 小白倉/常設館 ’06
 

Como você teve a idéia de projetar ikebanas em instalações ?

 A capacidade de reprodução das plantas é muito alta.  Considero que limitar a expressão desta força  vital a um  suporte  (maceta) não  aproveita seu potencial. É por isso que converto a estancia ou a galería num suporte  de minha obra,  sobre la que desenvolvo a instalação de ikebana.

Quais os mais famosos artistas de ikebana no Japão e no mundo? .

Matsuda Ryusaku (estilo livre), Haa Keisen (Ryuseiha), Otsubo Kosen (Ryuseiha), Nagai Rihito (Koryu Shotokai), Senba Riho (Koryu Sotokai), Hinata Yoichi (Sogetsuryu), Katagiri Atsunobu (Kadomisasagiryu). As pessoas que nomeei são artistas contemporâneos de ikebana,  que na atualidade estão ativos na atualidade no Japão.  Quanto à escola Ikenobo, há mestres famosos, mas não se pode  considerar parte do ikebana contemporáneo e sim do clássico.

 
WaveHill in New York '03
WaveHill in New York ‘

Numa de suas obras, a sala de chá é “profanada” por instalações de ikebana . Para mim, essa obra  remete a uma cena de um filme brasileiro baseado num romance de Gabriel Garcia Marquez, chamado Erêndira. A idéia é essa, desmistificar o Chado,  origem da ikebana ?

Me vem à cabeça a obra que realizei para Echigo Tsumari Art Triennale, mas nesse evento não se tratava de uma sala de chá, mas de uma habitação em estilo japonês. É uma obra de ikebana em uma  casa tradicional japonesa, por isso não buscava romper com a etiqueta do Chado. Simplesmente quería expressar como a flora causa a erosão de um edifício tradicional japonês de madeira.

O conceito wabi sabi é bastante divulgado no Brasil quando se fala em arte japonesa. Como você explica o que é wabi sabi para um leigo?

“Wabi sabi” é um conceito japonês da beleza. Para dizer de maneira sincera, se refere à beleza simples e tranquila. É como a beleza que surge e permeia do  interior de algo antigo, incluindo o declínio.  Considero que este conceito é especialmente evidente no  Chado ou no  Haiku. No  caso de ikebana, criar uma obra num recipiente de antigo, assim como o uso de ramos mortos e folhas secas e posterior apreciacão desse tipo de beleza, supõe uma interpretacão muito japonesa do conceito de “wabi sabi”. O feito de que se use esse tipo de plantas de uma beleza repousada, junto a outros tipos mais chamativos, faz que não se possa considerar o  ikebana como uma arte totalmente imbuida do conceito “wabi sabi”.

エスパスOHARA in 青山 ’03
エスパスOHARA in 青山 ’03

Por que você usa uma flor brasileira (esponja de ouro) em suas ikebanas ? Que outras flores/plantas brasileiras você conhece e poderia usar em suas obras?

 A esponja de ouro é uma planta que poucos cultivadores japoneses oferecem. Dela me encanta, em primeiro lugar, a beleza vaporosa da cor amarela, assim como o broto, ainda que também como flor seca mantém sua beleza. Quando o ano passado fui a Brasil, pude conhecer numerosas flores que não existem no Japão. Me interessaram especialmente as sementes e  as leguminosas. Elas são a raíz e origem da vida e de agora em diante também quero incluir em minha obra essas novas sementes e classes de plantas.

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google photo

You are commenting using your Google account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s