28 KINEMA | MOSTRA DE CINEMA NIKKEI: HIKOMA UDIHARA

Hikoma Udihara. Foto: divulgação.
Hikoma Udihara. Foto: divulgação.

O primeiro cineasta do Norte do Paraná foi um  imigrante japonês Hikoma Udihara. Amador e intuitivo, apaixonado por fotografia e filmagens, fotografava e gravava tudo o que via: as visitas de conterrâneos a Londrina, visitas de políticos, autoridades, personalidades e dirigentes, inaugurações de lojas. Gravou mais de 100 filmes em preto e branco e mudos, em 16 mm.

De acordo com o pesquisador de sua obra, Caio Cesaro, sua primeira câmera foi comprada em 1927, em São Paulo.   Mostrava seus filmes em clubes, festas, encontros e, em algumas ocasiões comemorativas, marcava reuniões com os moradores dos lugarejos, vilas e cidades para que vissem as imagens. Os filmes eram projetados em paredes ou em lençóis esticados. Só parou de gravar em 1969, quando sofreu um derrame cerebral e ficou paralítico. Faleceu em São Paulo, em 1972, pouco antes de completar 90 anos Suas gravações, hoje, são consideradas documentários da colonização e  desenvolvimento do norte do Paraná, especialmente de Londrina.

Hikoma Udihara nasceu em  Kami-Yakawa,  província de Kochi, no Japão, em 1882. Chegou ao Brasil em 1910, indo trabalhar nas lavouras de café  no interior de São Paulo.   Depois de dois anos,  mudou para a capital. No início dos anos 20, Udihara começou outra atividade: corretagem de terras em novas fronteiras agrícolas no noroeste de  São Paulo e no norte do Paraná. Devido a sua facilidade em falar português, foi contratado pela Companhia de Terras do Norte do Paraná para essa função.

De janeiro de 1930 a 4 de março de 1955, quando se desligou da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná (sucessora da CTNP), fundou 31 núcleos de colonização japonesa no norte do Paraná. Em junho de 1956, pouco depois de se desligar da CTNP/CMNP, publicou História da minha vida e de minhas atividades no Japão e Brasil, uma brochura autobiográfica.

Um episódio resgatado por Caio Cesaro revela a importância histórica de seus registros fílmicos. A colônia japonesa produzia hortaliças, frutas e grãos (café, arroz, milho e feijão), mas tinha dificuldades de comercializar o excedente da produção. E esses japoneses não tinham para onde mandar a produção, não havia estrada para lugar nenhum. Nem para Curitiba, nem para São Paulo. Os potenciais compradores – os grandes mercados consumidores – ficavam muito distantes. As estradas eram precárias, sem qualquer tipo de pavimentação. O transporte rodoviário era uma aventura cara, demorada e incerta Udihara resolveu filmar a situação e com o material em mãos viajou para Curitiba para mostrar às autoridades. Como o filme era mudo,  ficou toda apresentação ao lado das imagens narrando. A ação surtiu efeito e estradas foram construídas. Muito se afirma que o desenvolvimento da região tem a influencia desse fato, ele continuou a realizar essa tarefa de denunciar problemas ao mesmo tempo em que fazia propagandas publicitárias para a venda de terras, ele afirmava que era necessário para custear os caros equipamentos e materiais de filmagem.

Udihara sensibilizou e revelou 128 rolos de pelìculas fílmicas. Todos os filmes são silenciosos, sem banda sonora. As imagens foram tomadas à velocidade de 18 quadros por segundo. O tempo de duração de cada filme é relativamente curto, os mais longos atingem entre 13 e 14 minutos de imagens em movimento, ou seja, a capacidade média de um rolo de película fílmica para o formato 16mm à época. Ao todo, os filmes somavam cerca de 10 (dez) horas de imagens.

Em 1979,  seu filho Issao Udihara, doou o acervo do pai ao Museu Histórico de Londrina Padre Carlos Weiss. Em 1983 a UEL encaminhou o acervo para recuperação à Cinemateca Brasileira, em São Paulo.

A MOSTRA DE CINEMA NIKKEI exibe os documentários de Hikoma Udihara recuperados pela Cinemateca Brasileira no próximo sábado (26), no Cine Guarani, no Portão Cultural – Avenida República Argentina, 3430 – Portão – Curitiba – PR.

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